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Debate no Parlamento analisou efeitos do plebiscito no Reino Unido

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 Por Arelys Goncalves


O referendo está na reta final, e as pesquisas de intenção revelam que a decisão não será fácil e os resultados podem ser bem próximos.


A discussão sobre a opção mais apropriada ao país ainda não convence à maioria dos eleitores, confundidos pelas propagandas políticas, especulações e suposições insustentáveis.

A verdade é que, de acordo com especialistas, seja qual for o curso da consulta, o país precisará de mudanças e ajustes nas áreas política, social e econômica. O Brexit pode ter efeitos em nível mundial.


Um debate, realizado na semana passada no Parlamento britânico estudou as “Implicações nas relações do Reino Unido e América Latina”.

O evento, organizado pelo Grupo Parlamentar para a América Latina, juntamente à Canning House, tentou esclarecer benefícios e consequências de ambas as opções para latino-americanos especialmente na área econômica.


Na discussão, liderada pelo conservador MP Graham Stuart, presidente do Grupo Parlamentar para a América Latina, participaram como defensores do voto Remain diretor da Frank Consulting Ltda.; Nacho Morais, um dos 200 empresários que aderiram à carta do “The Times” para apoiar a continuação do Reino Unido na União Europeia; pesquisador e analista da EIU (Economist Intelligence Unit), jornalista Laurence Blair.


Em contrapartida, participou o Conservador MP e MEP, David Campbell Bannerman, e empresário Nigel Gibbons, da Cordon Sanitaire Ltda.

Em suma, Morais e Blair insistiram que acordos comerciais entre União Europeia e América Latina podem ser afetados e a potencial saída do bloco exigiria renegociações ao Reino Unido.

O papel de liderança desempenhado pelo Reino Unido na região poderia ser afetado, bem como nos tratados de cooperação, segurança, direitos humanos e luta contra corrupção.

Conforme destacou no discurso o empresário espanhol Nacho Morais, a saída seria prejudicial não só ao país, mas as relações com outras regiões, como a América Latina.


"Considero Londres como minha segunda casa e do meu ponto de vista seria um grande erro deixar a União Europeia", disse Morais.

Destacou o negativo que pode ser a saída para os trabalhadores, que têm obtido algumas reivindicações laborais, graças às reformas aprovadas pela EU. Além disso, Morais questionou a conotação discriminatória e xenófoba, mostrada na campanha Brexit contra imigrantes.

O MP David Campbell Bannerman e o empresário Nigel Gibbons concordaram que o futuro do Reino Unido na União Europeia é insustentável por causa dos custos econômicos e a restrições de produto da intervenção desde Bruxelas.


"A saída não significa deixar a Europa, não somos antieuropeus, queremos recuperar o controle democrático do país”, disse o eurodeputado.

Exclusivo para BNNP, Campbell Bannerman explicou que a saída é a única opção para recuperar a economia. "Eu acho que vai ser mais forte, livre e internacional. A União Europeia está em declínio e para nós é melhor estar fora".


Alertou que a saída representará melhorias à comunidade latina. "Queremos abrir nossas fronteiras ao mundo e não apenas à Europa. Isso permitiria que qualquer cidadão, em qualquer lugar do mundo, pudesse trabalhar neste país se estiver preparado."

Se o Brexit vencer neste plebiscito, as alterações não serão imediatas, no entanto, o parlamentar advertiu que as primeiras medidas sérias seriam a deportação de criminosos, que estão no país por ter cidadania europeia, e a negociação de acordos comerciais para expansão econômica.