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União Europeia registra queda de mais de 40% nos pedidos de asilo no 1º trimestre de 2016

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Foto : Reuters
Refugiados e migrantes aguardam para serem registrados em acampamento provisório em Atenas, Grécia


 A União Europeia registrou uma queda de cerca de 40% nas solicitações de asilo de não europeus no primeiro trimestre de 2016, informou o instituto de estatísticas Eurostat nesta última semana.

Em números, no primeiro trimestre de 2015 foram 426 mil pedidos contra 287 mil solicitações no mesmo período deste ano. Apesar da diminuição, a Alemanha continua no topo da lista com 171 mil pedidos (61% do total). A Itália ultrapassou a Áustria e ficou em segundo lugar no período, com 22.335 solicitações. França, Áustria e Grã-Bretanha vêm logo na sequência.


O Eurostat ainda divulgou que, ao fim de março, mais de um milhão de pessoas aguardavam a análise de seus pedidos de asilo, sendo 473 mil na Alemanha, 147,3 mil na Suécia, 84,5 mil na Áustria, 60 mil na Itália e 42,9 mil na França.

A queda nos números pode já ser reflexo do acordo entre o bloco econômico e a Turquia, que faz com que haja uma limitação na saída dos refugiados – especialmente os sírios – de seus países. Outro ponto é a maior restrição para a passagem da Grécia para as nações balcânicas, que ergueram muros em suas fronteiras para impedir uma entrada em massa de refugiados e migrantes.


GRAFICObymelissa

Registro de asilo revela pico entre 2014 e 2015


Com isso, eles precisam se arriscar na "rota italiana", atravessando o mar Mediterrâneo a partir da costa da Líbia pelo Canal da Sicília, que além de ser mais distante para sírios e iraquianos é conhecida como a "rota mais mortal do mundo".

Prova disso são os dados divulgados pela operação Frontex, gerida pela UE no mar Mediterrâneo. A Itália recebeu, no mês de maio, 19 mil refugiados em seus portos e ilhas, o dobro do que havia recebido em abril.

É o segundo mês seguido que os italianos recebem mais estrangeiros do que os gregos, que registraram uma queda de 60% na comparação com o mês anterior, recebendo "apenas" 1,5 mil pessoas. Porém, os números na Itália do primeiro semestre estão praticamente iguais ao do mesmo período de 2015.

Além das questões burocráticas, a fuga para a Itália é diferente do que para a Grécia. Enquanto o país helênico recebe mais pessoas do Oriente Médio, o território italiano recebe mais pessoas que fogem dos conflitos internos no norte da África, especialmente da Líbia e do Egito.

A Frontex ainda informou que um novo triste recorde foi batido desde o início da intensa onda imigratória, iniciada em 2013.

"Até o fim de maio, mais de 13 mil pessoas foram salvas no mar Mediterrâneo central em apenas uma semana, entre 20 e 27 de maio, em um número total jamais registrado na área", informou o diretor-executivo da operação, Fabrice Leggeri.