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Alerta: Economia britânica fica estagnada à espera do Brexit

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Foto: Google


(LONDRES) Por Cristiane Lebelem, Patrícia Blumberg e Melissa da Silva


O tesouro britânico vem alertando para as consequências sobre a saída da União Europeia, com uma expectativa de baixa do PIB de 6% até o ano 2030. Num relatório, divulgado no começo desta semana, o chanceler George Osborne, afirmou que "deixar a UE chegaria a ser automutilação”.


Para Osborne, o mais plausível seria que Londres negociasse um acordo de livre-comércio, com a UE, semelhante ao que liga os países norte-americanos para o bloco europeu.

O governo adotou uma estratégia, chamada " medo de projeto”, que acaba por bombardear os eleitores antes do referendo de 23 de junho. Ela funcionou no referendo da independência da Escócia (2014). Os argumentos ligados à economia são o último recurso para convencer os indecisos.


Diante do cenário incerto é interessante notar que departamentos do governo escolheram adotar essa hipótese mais pessimista. Esse cenário inclui uma perda de renda de 100 bilhão de libras.

Nesta semana, o setor imobiliário em Londres também demostrou estar bastante retraído. De acordo com o agente de imóveis Carlos Cristo, são-tomense que atua há muitos anos nesse mercado, o momento é de expectativa. “Está tudo parado. Até o número de chamadas telefônicas na agência caiu bastante. As pessoas estão esperando para ver o que acontecerá”.


Para o contador William Piñeda da Global P&G, que atende o público falante de português e espanhol há 15 anos em Londres, é um cenário bastante incerto. “Caso seja decidida a saída da União Europeia todos sentirão muito o impacto econômico. Pode ser que dentro de dois anos as coisas consigam ser estabilizadas, mas, por exemplo, meus clientes que trabalham com propriedades estão bastante focados em observar e esperar para tomar decisões de investimento. Ninguém quer arriscar”.


Aceitam-se apostas sobre o resultado do referendo no Reino Unido

Sondagens realizadas por telefone favorecem o “Sim” à União Europeia; nas sondagens on-line, a margem do “Não” crescem significativamente e projetam a perspectiva de uma mudança irreversível

Apenas a alguns dias da votação do referendo, que decidirá a permanência ou a saída do Reino Unido da União Europeia, os palpites das casas de apostas parecem ser tão científicos quanto os resultados das últimas sondagens: basicamente, o desfecho da consulta popular permanece imprevisível.

Indicações dos sucessivos estudos de opinião não apontam tendência entre o eleitorado britânico. Para o momento, a única conclusão possível de obter sobre a leitura das sondagens é a da confusão, indecisão ou até mesmo contradição do público.


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Foto: Google


Na semana passada, a divulgação de uma sondagem telefônica da ORB, que colocava o “Sim” 15 pontos à frente no referendo de 23 de junho animava os mercados e dava força à libra esterlina, que bateu o máximo dos últimos dois anos e meio contra o euro. Horas depois, o otimismo ruía com o resultado de uma sondagem on-line da TNS, mostrando o “Não” à frente numa diferença de três pontos. “O que pensar? Sinceramente não sei. É muito difícil avaliar essas discordâncias”, confessava à Reuters o diretor da ORB, Johnny Heald.

Na véspera, a ICM tinha constatado o mesmo fenômeno quando mediu a opinião dos eleitores por telefone e on-line. No primeiro caso, o “Sim” alcançava 47%, no segundo era o “Não”, exatamente com a mesma percentagem. O diretor da empresa, Martin Boon, disse não saber explicar essas diferenças. “Estou tão surpreendido e confuso como qualquer outra pessoa”, admitiu.

Acresce às informações contraditórias uma desconfiança quanto à confiabilidade dos estudos de opinião, conduzidos pelos principais institutos britânicos, que em casos recentes como da reeleição de David Cameron como primeiro-ministro, em maio de 2015, falharam redondamente nas previsões.

Nessa altura, as casas de apostas podem ser mais animadas e exatas. Analistas, inclusive os financeiros, olham com mais atenção para os palpites daqueles que estão dispostos a gastar dinheiro para adivinhar o resultado do referendo. Usando esse termômetro, a vitória do “Sim” está garantida: o grupo IG de apostas on-line coloca as probabilidades do “Sim” nos 74,5% e na Betfair, a permanência na UE tem 73% de hipóteses de vitória.

Em meio a todo esse caos, a apenas alguns dias do referendo sem estatísticas confirmadas, o BNNP aceita palpites: Quem ganha? Quem perde? Mande sua opinião pelas redes sociais ou contate-nos pelo e-mail pauta@braziliannews.uk.com