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Boom: Inglaterra terá 4 milhões de pessoas a mais até 2024

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BNNP725 Reino Unido

Londres será área de maior aumento populacional (Foto: Reuters)



(LONDRES) Por Patricia Blumberg


"O problema da população é de uma gravidade extraordinária: trata-se da vida ou da morte do país". Em 1914, essa frase ficou mais famosa do que o próprio autor, Goerge Blet, filósofo francês que lutou a vida inteira para ter um espaço nas prateleiras de universidades e casas ao redor do mundo.


Blet não foi bem-sucedido, quase ninguém o conhece, mas sua frase ainda alça dúvidas em estudiosos em como o impacto do número de habitantes num território afeta não só a região como o planeta inteiro.


A poucos dias do histórico referendo de 23 de junho, que determinará se o Reino Unido sairá ou não da União Europeia, assuntos envolvendo o crescimento populacional da poderosa ilha têm ganhado destaque nas mídias nacionais. Grande parte porque diz, e muito, sobre o fluxo migratório que o Reino Unido recebe ao pertencer ao bloco.


A grande líder de pesquisas Office for National Statistics (ONS) fez levantamento importante sobre o tema. Segundo a agência, mais pessoas viverão no Reino Unido num período de 25 anos.


Projeções apontam que em 2039, a região terá uma média de 75 milhões de habitantes ou o equivalente ao número de pessoas vivendo em toda região dos Países Nórdicos. Atualmente, o Reino Unido possui 50 milhões de moradores.


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Esse será o maior aumento desde 1801, o que se deve principalmente à alta taxa de imigração. Regiões individuais como a Inglaterra serão mais afetadas. Até 2024, a população do país aumentará 7,5%, chegando a 4 milhões de habitantes numa área de 175 km².


Londres, cidade global de grandes negócios e oportunidades, possui hoje 8,5 milhões de habitantes e abrigará 9,7 milhões de pessoas. Em dez anos, passará a ser considerada megacidade, bem como Tóquio, São Paulo ou Nova York.


A população do leste da Inglaterra aumentará 8,9% e, a do Sul, 8% em relação ao mesmo período. A ONS coleta evidências disponíveis pelo número de nascimentos, mortes e migrações relatadas em councils locais e unidades do TheNational Health Service (NHS).



Eu, imigrante em pauta


A incerteza sobre o resultado do referendo mantém-se, mas as novas sondagens do jornal The Guardian dão o “não” à frente, na mesma semana em que os seus principais defensores apresentaram uma proposta para endurecer as políticas de imigração.


O caminho contra essas políticas já estava traçado há tempos: a necessidade de abandonar argumentos econômicos obrigou os defensores da saída a se aferrarem exatamente às cartadas da imigração, soberania e identidade nacional.


A imigração passa a ser, portanto, um tema-chave numa briga cada vez mais dura sobre a permanência na União Europeia. São muitos eleitores preocupados com a sobrecarga que um número crescente de pessoas representa para escolas, hospitais e moradia.


O assunto caiu como uma luva quando duas lideranças do partido de Cameron, o Conservador, acusaram-no de quebrar promessas de campanha de cortar a imigração, aumentando hostilidades no partido.


Eles fazem referência a estatísticas oficiais divulgadas no mês de maio pela ONS, que mostram que o saldo migratório líquido para a Grã-Bretanha alcançou 333 mil este ano - segundo maior nível para um único ano desde que o registro foi iniciado em 1975. Um saldo de 184 mil vem da UE, que segue o princípio de movimento livre.


Todos esses números escondem alguns laços obscuros. O crescimento da xenofobia no território revela relações entre intolerância cultural e crescimento migratório no continente. A mesma ONS aponta que um terço dos britânicos são xenófobos, e alguns estudos revelam que pessoas têm deixado Londres por conta do acentuado número de imigrantes.


Saindo ou não, a dura realidade é que a campanha pode deixar algumas feridas abertas em todo o Reino Unido. Como diz o início deste texto, trata-se da vida ou morte do país.