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Voto do imigrante também conta no referendo

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Foto: Google / Brexit decide futuro do Reino Unido



(LONDRES) Arelys Goncalves - No próximo 23 de junho (quinta-feira), as pessoas de nacionalidade britânica, irlandesa e Commonwealth terão oportunidade única: decidir o futuro do Reino Unido na União Europeia.

A comunidade da América Latina e as demais, que adquiriram a nacionalidade britânica, não estão fora desse dever, especialmente porque os resultados da decisão podem influenciar diretamente a vida de todos os que encontraram no Reino Unido (RU) uma segunda casa.

Além do impacto que o referendo terá na vida dos cidadãos da região, está prognosticado uma reformulação nas condições dos residentes do RU.

Para especialistas, o panorama final ainda é obscuro. O que se pode concluir é que novas mudanças na economia, na política e até nas novas regulações de imigrantes virão como uma maré.

Seguem algumas ideias de quem defende ou rejeita a decisão de manter o RU na União Europeia.


Ficar ou sair, eis a questão


No 23 de junho, eleitores terão que responder à pergunta "Deve o Reino Unido continuar como membro da União Europeia ou abandonar a União Europeia? (Should the United Kingdom remain a member of the European Union or leave the European Union?). Só há essas duas opções. Cada uma delas vem com a visão que divide a vida política do país em duas partes.

Aqueles que defendem o "vote remain" ou votar para continuar na UE, salientam que o país terá um papel de liderança no bloco e maior influência nos assuntos internacionais.


Na condição de membro, o Reino Unido soma anualmente 91 milhões de libras à economia e recebe quase 10 libras a cada uma libra investida, em virtude dos baixos preços, investimentos e do incremento de postos de trabalho.

Em relação à segurança, continuar na UE representa proteção maior pela ajuda do mandado de detenção europeu.

Defensores dessa posição alertam que a saída se pode traduzir na diminuição do emprego, redução do orçamento para os serviços sociais, no aumento dos preços.

Principais defensores do "Britain is stronger in Europe" (Grã-Bretanha, é mais forte na Europa) são: primeiro-ministro David Cameron; ministro das Finanças, George Osborne; ministra do Interior, Theresa May; sindicalista Jeremy Corbyn; e o novo prefeito de Londres, Sadiq Khan, internacionalmente, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama também fez público o desejo de que os cidadãos decidam que o RU se mantenha na UE.


Em contrapartida está o grupo que defende o "vote leave, take control" (vote sair, tome o controle, em tradução livre). Ele estima que a UE tem um custo para o Reino Unido de uns 350 milhões de libras semanais, o equivalente à construção de um hospital por semana.

Seguidores dessa proposta asseguram que a saída representaria a recuperação do controle sobre as fronteiras, o comércio e a economia - áreas que até agora dependem das decisões tomadas em Bruxelas.

Segundos dados apresentados pelos defensores do Brexit, mais de 250 mil pessoas têm ingressado no Reino Unido nos últimos anos.


Em uma década, quatro milhões de novos moradores habitarão a região. Para eles, embora a imigração contribua para a economia, ela afeta negativamente a qualidade dos serviços públicos.

Encabeçam essa campanha: o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson; o líder do partido ultradireita Ukip, Nigel Farage; o ministro da Justiça; Michel Gove; o conservador Zac Goldsmith, que perdeu as eleições para Sadiq Khan este ano.


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Foto: Council on Foreign Relations / Gráfico aponta Reino Unido e União Europeia em números



Como participar dessa decisão histórica?


O mais importante para votar é ter o registro eleitoral. O cidadão deve ter em mãos o guia com dicas do processo e a "polling card" - cartão com o endereço do centro de votação.

Quem ainda não aparece no organismo oficial ainda pode participar.

Segundo a página www.gov.uk, a operação é muito simples e só leva cinco minutos.

As pessoas maiores de 18 anos, com nacionalidade britânica, irlandesa e de Commonwealth, com residência no Reino Unido e que moram no estrangeiro têm o direito de voto.

O registro pode ser feito pela internet através do link www.gov.uk/register-to-vote. Não se esqueça que o resultado final é daqueles que têm o direito e o privilégio de decidir o futuro do RU.