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Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS

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Foto: Google / Para depressivos, sair da cama às vezes é um grande desafio



(LONDRES) Da Redação - Ela chega de mansinho, assim como quem não quer nada. Num dia, você acorda triste, desanimado. No outro, bate uma sensação de vazio e uma vontade incontrolável de chorar sem qualquer motivo aparente.


A depressão é assim, um mal silencioso e ainda mal compreendido até mesmo entre os próprios pacientes.


Considerada um transtorno mental afetivo ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos, que incapacitam o indivíduo para as atividades corriqueiras como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear.

De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo.

A pessoa depressiva tem a rotina virada do avesso. Ela deixa de produzir e tem a vida pessoal bastante prejudicada.


Mais de 120 milhões de pessoas sofrem com a depressão e cerca de 850 mil pessoas morrem, por ano, em decorrência da doença.

Descrita pela primeira vez no início do século 20, a depressão ainda hoje é confundida com tristeza, sentimento comum a todas as pessoas em algum momento da vida.

Brigar com o namorado, repetir o ano escolar e perder o emprego são motivos para deixar alguém triste, cabisbaixo, mas isso não significa que o sujeito está com depressão. Em alguns dias certamente estará melhor.


O desconhecimento real do funcionamento desse transtorno afetivo é o principal responsável por um dos maiores problemas para quem sofre com a depressão: o preconceito.

Para Marcos Pacheco Ferraz, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o preconceito ainda existe e prejudica muito o paciente.

“Principalmente no ambiente de trabalho, onde há competições e cobranças por bom desempenho, é comum as pessoas nem comentarem sobre a enfermidade. Nesses casos, o melhor é tirar férias ou licença médica”, diz o especialista.

A ignorância em torno da doença faz com que familiares e amigos, na tentativa de ajudar, piorem ainda mais a condição do depressivo.


Frases como “tenha um pouco de força de vontade”; “vamos passear no shopping que melhora”; “você tem uma vida tão boa, está com depressão por quê?” ou “ocupe-se com outras coisas e você não terá tempo de pensar em bobagens”, funcionam como uma bomba na cabeça de quem já se esforça, diariamente, para conseguir sair da cama.

“Isso mostra de que as pessoas não conhecem o transtorno. Achar que é frescura ainda é comum. Elas não imaginam que o paciente não consegue reagir. Não depende de força de vontade”, completa Ferraz.


A designer C.N. (35), que passou por uma depressão severa há alguns anos, sabe bem o que é isso. Mesmo trabalhando num ambiente com pessoas bastante esclarecidas, ela cansou de ouvir esse tipo de comentário. E os efeitos eram devastadores.

CN conta que “até críticas sobre o meu médico eu ouvi. Uma colega disse que ele não devia ser bom, pois depois de um mês de tratamento eu já deveria estar curada.”


Ferraz diz que é muito importante a participação da família no tratamento. Eles precisam saber o que devem e o que não devem fazer em relação ao doente.

Para Ferraz “fazer com que todos entendam o mecanismo do transtorno e como agem os remédios é fundamental para o sucesso do tratamento. Ainda existe o mito de que antidepressivo vicia, o que é um grande engano.”