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Protesto brasileiro em Cannes

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Equipe Aquarius Press Terca Protesto

Foto: Marcio Delgado/  Protesto foi feito com mensagens curtas em inglês e francês impressas em folhas de papel A4


(Especial de Cannes) Por Márcio Delgado - Nesta quarta-feira (18) um dia após usar a sua passagem pelo tapete vermelho de Cannes para protestar contra o afastamento de Dilma Rousseff, o cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho e a atriz Sonia Braga participaram de um entrevista coletiva do festival de cinema. O objetivo do evento, que aconteceu no centenário Palácio dos Festivais, era discutir o filme ‘Aquarius’ rodado no nordeste brasileiro mostrando a luta de Clara (interpretada por Braga) contra as investidas de construtora que quer demolir o prédio, em Boa Viagem, para dar lugar a um novo empreendimento. Porém a situação política do país acabou dominando a pauta – e as perguntas – de jornalistas do mundo inteiro que estavam presentes.


O protesto, feito com mensagens curtas em inglês e francês impressas em folhas de papel A4, foi uma forma de alertar sobre o possível ‘golpe’ envolvendo o impeachment da presidente com frases como: "Brasil está passando por um golpe de Estado”, "O mundo não pode aceitar esse governo ilegítimo", "Um golpe está acontecendo no Brasil", entre outras. Mas ganhou mais repercussão por ter acontecido no mesmo mês em que foi anunciado a extinção do Ministério da Cultura.

“Basicamente, pegamos pequenos pedaços de papel e escrevemos pequenas mensagens sobre o que está acontecendo no Brasil. Cannes tem muitas câmeras com lentes potentes.” – revelou o cineasta explicando durante a coletiva de imprensa como a idéia de aproveitar o momento ganhou forma no início desta semana. Mendonça Filho, diretor do filme ‘Aquarius’, única produção brasileira a competir na mostra oficial a Palma de Ouro este ano – e o único filme em português exibido no festival desde 2008 quando ‘Linha de Passe’, de Walter Salles e Daniela Thomas foi a Cannes – disse que o Brasil atualmente encontra-se dividido:


“O Brasil vive uma divisão dramática. No lado da direita, existem traços de facismo, inclusive no Congresso Nacional, com ideias chocantes. O Ministério da Cultura foi extinto na semana passada. Acho que foi o momento errado, até porque o Brasil está neste momento da competição do Festival de Cannes com um filme feito com recursos públicos honestos."

Sonia Braga concorda com a opinião do cineasta:


“Foi muito importante usar essa plataforma internacional para expor o que está acontecendo no Brasil. Por causa de uma imprensa tendenciosa e pelo que as pessoas estão sentindo, o Brasil está dividido” – acredita a atriz brasileira que já havia participado do Festival de Cannes 30 anos atrás com o "O Beijo da Mulher-Aranha" (1985), de Hector Babenco e que voltaria como membro do júri da competição no ano seguinte.


Kleber Filho Cannes 2016

Foto:Marcio Delgado