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Saúde

Câncer: estudo pode revolucionar a maneira de combater a doença

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Foto: Reprodução



(LONDRES) Da Redação - Células cancerosas têm marcações genéticas que podem servir de alvo para o sistema imunológico atacar o tumor. Essa descoberta, descrita num estudo publicado pela revista Science deste mês, pode levar a uma revolução no combate à doença, abrindo caminho para tratamentos individuais muito mais eficientes do que os disponíveis atualmente.


O conceito de imunoterapia é considerado a grande arma contra o câncer. Consiste em estimular o sistema imunológico do corpo humano por meio de substâncias modificadoras de resposta biológica. Devidamente turbinadas, as células imunológicas atacam diretamente cada tipo de tumor. O resultado do novo estudo, porém, potencializa a eficácia desse tipo de tratamento, identificando o “calcanhar de aquiles” nas células do câncer.


Assim como todos os organismos vivos, ao longo da História, o tumor também evolui. Isso explica porque algumas de suas partes são diferentes de outras, tornando muito difícil o ataque por nossas células imunológicas. Mesmo que reconheçam o câncer como um problema, e tentem combatê-lo, a complexidade do crescimento é demais para os nossos “soldados”.


Ficou claro, porém, que mesmo as partes mais complexas de um tumor têm “marcações” genéticas de sua fase inicial. A equipe de cientistas e Harvard, MIT e Universidade College London descobriram raras células imunológicas, dentro dos tumores, capazes de reconhecer essas estruturas originais mais vulneráveis e de combatê-las. Se essas células puderem ser isoladas e artificialmente multiplicadas no laboratório, podem compor uma força poderosa contra o câncer, com o potencial para atacar todas as células cancerosas no corpo.


Combinadas com drogas, podem levar à nova geração de tratamentos customizados contra o câncer. Então nossos cientistas planejam estudar mais sobre essas células. Caso a promessa seja cumprida, pode ser uma forma revolucionária de tratar ou mesmo curar o câncer.


“O sistema imunológico do câncer atua como a polícia no combate a criminosos. Tumores geneticamente diferentes são como uma gangue de bandidos, envolvidos em diferentes crimes - de roubo a contrabando. O sistema imunológico esforça-se para dominar o câncer, bem como a polícia quando tem tanta coisa acontecendo”, explica o cientista Sergio Quezada, do Centro de Pesquisas sobre Câncer do Reino Unido, coautor da pesquisa.


Chefe do laboratório de imunoterapia da College London, Quezada acrescenta: “Nosso trabalho mostra que, no lugar de procurar delitos sem pistas em diferentes vizinhanças, podemos dar à polícia a informação para chegar ao chefão do crime, o ponto fraco do tumor no paciente para acabar com o problema.”