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​O homem que parou o WhatsApp no Brasil

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Fabio Tito/ Legenda da foto: Brasileiros passaram o dia buscando outras opções de contato


(LONDRES) Por Fernanda Freitas e Patricia Blumberg - Segunda-feira (2) foi o dia em que o WhatsApp parou novamente no Brasil. Mais de 17 milhões de usuários ficaram sem acesso ao serviço, e o assunto virou principal pauta nas redes sociais. O aplicativo concorrente Telegram divulgou em sua conta oficial no Twitter que mais de 1,5 milhão de downloads foram feitos por brasileiros nas primeiras horas do dia em questão e diversos usuários arriscaram em sites de VPN "grátis", para driblar o bloqueio e manter o uso do WhatsApp, mesmo arriscando a segurança de seus aparelhos, já que esses serviços nem sempre são confiáveis.


Tudo indica que somos mesmo dependentes desse pequeno círculo verde na tela do celular. Muitos se indignaram, mas poucos sabem quem é o homem que literalmente parou o WhatsApp no Brasil por pouco mais de 24 horas.

O juiz Marcel Maia Montalvão (55) em março de 2015 havia mandado prender o vice-presidente do Facebook na América Latina, Diego Dzodan. Ele tem segurança do Estado durante 24 horas, é firme nas decisões e investiga uma quadrilha internacional de drogas em Lagarto - daí a insistência na busca dos diálogos no WhatsApp. Em Sergipe, Montalvão chega a ser comparado por alguns advogados como um Sérgio Moro, juiz federal da Operação Lava Jato.


O presidente da Associação Sergipana dos Advogados Criminalistas, Emanuel Cacho, disse que Marcel é bastante rígido nas posições, mas é um homem sério e equilibrado. “A rigidez dele é dentro da legalidade. É um juiz ativo que não deixa de decidir. Assim como Moro (Sérgio Moro) revolucionou a capacidade que o juiz tem de fazer investigação criminal, naturalmente, como Ministério Público Federal e Polícia Federal, Marcel é o que podemos chamar de um excelente juiz. Simplesmente, ele não “lava as mãos”, não para diante das dificuldades e tem tentado buscar soluções jurídicas, embora surpreendentes, mas dentro do campo da legalidade”, completou Cacho.



Cheio de atitude, o juiz determinou que as operadoras TIM, Oi, Claro, Vivo e Nextel suspendessem o acesso ao WhatsApp por 72 horas a partir das 14 horas da segunda-feira (2). O aplicativo, no entanto, conseguiu obter uma decisão favorável da Justiça de Sergipe e derrubou o bloqueio em pouco mais de 24 horas.



WhatsApp x Justiça

Em comunicado, o WhatsApp lamentou a decisão do juiz e disse não ter a informação exigida. Na terça (3), Jan Koum, um dos seus criadores, afirmou que o app não guarda histórico de mensagem de seus usuários e sugeriu que atender pedidos da Justiça brasileira colocaria em risco a segurança não só de usuários brasileiros, mas do mundo.

Não é a primeira vez que um tribunal decide pela suspensão do acesso ao serviço de bate-papo no Brasil. O bloqueio anterior ocorreu em dezembro de 2015, quando a Justiça de São Paulo ordenou que as empresas impedissem a conexão por 48 horas em represália ao WhatsApp ter se recusado a colaborar com uma investigação criminal. O aplicativo ficou inacessível por 12 horas e voltou a funcionar por decisão do Tribunal de Justiça de SP.



Facebook pode ser o próximo

O juiz Luiz Felipe Siegert Schuch, de Florianópolis, também ordenou o bloqueio do Facebook, em território brasileiro, por 24 horas, em razão do descumprimento de uma liminar redigida pelo vereador Dalmo Deusdedit Meneses (PP), que determinava que a página “Reage Praia Mole” fosse excluída da rede social, por uso depreciativo de sua imagem. O caso será decidido nesta semana.

A medida foi tomada após a publicação anônima de conteúdos que denegriam a imagem do parlamentar na página citada. O juiz de Santa Catarina, além da suspensão, também exigiu identificação dos responsáveis pelas publicações, que ferem a legislação eleitoral. O Facebookseria obrigado a ficar fora do ar por 24 horas e informar em sua página sobre o descumprimento da legislação eleitoral brasileira. Além de arcar com uma multa de R$ 50 mil reais, referentes ao período de 1º a 9 de agosto. Medidas para reverter essa determinação estão sendo tomadas e a rede social afirmou que tem procedimentos implementados para lidar com questões relacionadas à propaganda eleitoral.