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"Playground for Words" trouxe a Londres a magia da ilustração infantil em língua portuguesa.

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(LONDRES) Por Arelys Gonçalves - Uma seleção dos mais reconhecidos trabalhos de ilustradores e narradores de obras infantis em língua portuguesa visitou Londres por dois dias numa exposição intitulada "Playground for Words”, evento que misturou genialidade de artistas gráficos com originalidade de escritores. A mostra foi organizada como parte da comemoração do Dia da Língua e da Cultura Portuguesa.

O trabalho conjunto do Instituto Camões, da Embaixada de Portugal, do Departamento de estudos de português e espanhol do King's College e de Miúda Books fez possível essa exposição, dedicada a estudantes, professores e leitores, mas também foi inspirada nas familias interessadas em manter entre as novas gerações os vínculos culturais e a língua natal.


A exposição realizada nos dias 5 e 6 de maio no King's College constituiu-se de seleção de obras, que resume a qualidade criativa e a diversidade de estilos na ilustração de livros portugueses para crianças.


Dentre os trabalhos expostos destacaram-se osdesenhosdeBernardo Carvalho, Afonso Cruz, João Fazenda, António Jorge Gonçalves, Yara Kono, Madalena Matoso, Marta Madureira, e Catarina Sobral. O evento teve apoio das editoras Acaminho, Orfeu Negro, Pato Lógico, Planeta Tangerina, e Tcharan.

Além da mostra formada por 20 publicações, no primeiro dia do evento os visitantes tiveram oportunidade de ouvir experiências de escritores e ilustradores como dos portugueses Ana Saldanha e João Fazenda, que falaram do crescimento das produções nos ultimos cinco anos na literatura infantil e do surgimento de novas editoras, ilustradores e autores.


A diretora da livraria virtual Miúda Books, Carla Cruz, uma das organizadoras da exposição, relatou que o evento comemora o Dia da Língua Portuguesa e o primeiro aniversário da Miúda Books – editora que tem como objetivo difundir o sucesso da literatura infantil dentro e fora de Portugal:


"Os livros são traduzidos e os ilustradores estão ganhando prêmios em concursos internacionais, como é o caso da escritora Catarina Sobral, vencedora do prêmio internacional de ilustração na Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha (2014), e da editora portuguesa "Planeta Tangerina", reconhecida como a "Melhor Editora Europeia para a Infância (2013) na mesma feira", disse Cruz.


Carla Cruz representa em Londres várias editoras portuguesas, mas também está começando com as brasileiras, para oferecer aos leitores no Reino Unido um leque mais diverso e enriquecido da cultura de cada país lusófono.

"Trabalho com autores e ilustradores brasileiros como Sylvia Roesch e o Fê, ambos residentes em Londres, bem como editoras brasileiras e marcas de artigos editoriais desenhados para crianças e adultos produzidos no Brasil", explicou Cruz.



O nascimento da Miúda Books

A "mãe" da Miúda Books é Carla Cruz, artista plástica e investigadora portuguesa, natural de Vila Real, que vive em Londres desde 2009. Ela veio para fazer um doutoradoem Artes na Goldsmiths University of London e gostou da experiência de morar no exterior, decidindo permanecer na capital britânica.


Com o nascimento da filha Matilde (2012) também nasceu a ideia de criar uma maneira prática e simples de trazer livros em língua portuguesa. "Foi por causa dela, por querer encontrar livros para ela, algo que era possível só quando viajava a Portugal ou se alguém viesse a Londres", lembrou Cruz.


A aventura da maternidade permitiu-lhe descobrir que livros são importantes para aprender a língua, especialmente para famílias como a de Carla, nas quais só um dos pais fala português. Para ela, "a leitura à noite de livros em língua portuguesa é essencial, porque as crianças ouvem palavras que de outra forma não são usadas no dia a dia".


Segundo Cruz, livros são necessários, porque representam vínculo cultural para transmitir aos filhos que nasceram noutro país um pouco da cultura de origem. "Eles estão de alguma forma educados numa cultura dupla, e as obras literárias ajudam com as histórias divertidas a passar a cultura e a língua materna", concluiu.