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Bem-estar

​Relação com o corpo e vidas passadas

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Vidaspassadas


(LONDRES) Por Marta Pires - Quantas e quantas pessoas passam uma vida restrita, focadas apenas em seu corpo, normalmente não gostando dele e com o discurso «Só preciso perder 5 kg»?. A maioria das mulheres, e cada vez mais homens, passa uma vida restringindo-se permanentemente de algo: a comida, cujo valor simbólico é o amor.


Os ciclos da permanente dieta estão minados por um sabotador interno, que volta e meia surge e desequilibra o esforço de dias, depois vem a culpa, e esse ciclo continua. Muitos compram roupas para quando emagrecerem, que nunca chegam a ser usadas; outros conseguem usá-las temporariamente antes de voltar ao aumento de peso – dinâmica do ioiô. Quase como se uma parte deles não se sentisse confortável no corpo ideal que tanto queria.


Esse corpo ideal associa-se ao futuro e à vontade de ser feliz. Muitas dizem: «Quando estiver magra posso comprar X; posso fazer Y; ser feliz… Porque a única coisa que não me deixa feliz na vida é o meu corpo agora!» Esta é normalmente a cantilena de quem não se permite viver o presente e permanentemente se critica. Passa uma vida adiando a felicidade, a não se amar neste momento, porque só no futuro, depois daquela dieta e com aquele corpo, pode ser feliz; aí sim, pode viver completamente. Mas esse dia, que nunca chega ou quando ocorrer, será temporário.


Tenho um exemplo de uma profissional, na casa dos 50 anos, casada e com 2 filhos. Ela me procurou para ajudá-la a perder peso. No ano anterior decidiu fazer uma dieta rígida, conseguiu perder 25 kg, mas não estabilizou o peso e voltou a ganhar o que perdeu.


No dia a dia de trabalho e por meio do que tenho descoberto, antes de perder peso a senhora necessitava aprender a gostar de si, sua vida e seu corpo no presente. A sentir-se confortável em dizer o que pensava ou sentia, definindo limites e dizendo NÃO.


O trabalho intenso com a voz crítica interna, que volta e meia surge para tentar sabotar, e o desenvolvimento de uma nova voz, mais tolerante, calma e com mais amor, neutraliza o rigor da outra voz. Também exploramos a função do corpo como proteção, muitas vezes a gordura cria uma capa de invisibilidade. Com o corpo ideal, uma pessoa torna-se visível e inconscientemente visibilidade pode estar associada a algo negativo, que gera medo.


No caso relatado foi explorada uma vida passada, em que a paciente era muito bonita e vistosa, atraindo a atenção masculina excessivamente e morrendo nas mãos de um amante ciumento. Inconscientemente, a associação que trouxe consigo nesta vida foi que ser bonita e magra gera risco de morte. Por isso, quando perde peso, inconscientemente o corpo entra em pânico e tenta voltar a ganhá-lo para viver.


Noutra vida explorada, também descobrimos que ela fora uma mulher fria, magra, muito preconceituosa com pessoas gordas. No final dessa vida passada teve a oportunidade de refletir e lhe foi dada a escolha de, com a obesidade, poder aprender a ter empatia e perceber que cada pessoa tem muitas facetas e características, e que o corpo é apenas uma delas. Como ficou surpreendida ao perceber que tinha escolhido a forma física para uma lição tão importante, agora sente que a aprendeu.


Atualmente, a paciente sente-se cada vez mais confortável com seu corpo e gradualmente tem perdido peso e sobretudo ganhou qualidade de vida e amor por si, sendo cada vez menos crítica consigo e buscando viver menos num futuro, que nunca chega, e aproveitando mais o momento presente, mais feliz, permitindo ser gentil e generosa consigo.