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Em discurso na ONU, Dilma evita falar em “golpe” mas diz que houve “retrocesso”

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ONU/ A presidente discursou na ONU durante assinatura da Conferência do Clima 


(LONDRES) Da redação - Em seu discurso na sede das Nações Unidas, em Nova York, durante a cerimônia de assinatura do Acordo do Clima de Paris, realizada na sexta-feira (22), a presidente Dilma Rousseff evitou falar no termo “golpe”, mas apontou o “grave retrocesso” vivido atualmente no país.


Dilma se referia ao processo de impeachment que foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 17 de abril. Os críticos do impedimento acusam o processo de ilegítimo e afirmam que um “golpe” está em curso no Brasil, pois não haveria crime de responsabilidade cometido pela presidente o impeachment seria uma vingança pessoal do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que é réu por suspeitas de lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal.


O próprio governo vem afirmando que o processo é um “golpe”, discurso que vem sendo adotado por uma grande parcela da população e que foi refletido na imprensa internacional, preocupando a oposição e os possíveis membros de um novo governo formado pelo vice Michel Temer.

“Não posso terminar as palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. É um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Não tenho dúvidas de que saberá impedir quaisquer retrocessos", declarou a presidente. No fim, ela se disse "grata" aos líderes que expressaram solidariedade a ela.


A citação à crise ocupou o minuto final do discurso de Dilma na ONU, que durou cerca de nove minutos e focou no Acordo de Paris. Nos arredores do prédio das Nações Unidas, grupos de brasileiros a favor e contra o impeachment protestaram com faixas e cartazes. Do lado pró-impeachment, o grupo defendia a saída de Dilma e afirmava que ela cometeu crime de responsabilidade; do lado contrário, os defensores da presidente alertavam sobre a existência de um "golpe" no país e também pediram a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.