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Evento em Londres debate os altos níveis de estresse e sofrimento na saúde mental dos imigrantes

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(LONDRES) Por Arelys Gonçalves - As comunidades locais e o representantes do governo inglês estiveram reunidos na semana passada para a conferência "The Impact of Migration on Mental Health", promovida pela organização não-governamental, El Teléfono de la Esperanza UK. A proposta era analisar o impacto do processo migratorio na saúde mental de quem vive no Reino Unido.


O psiquiatra e professor espanhol Joseba Achotegui falou dos impactos gerados pelo estresse, o sofrimento e o medo na comunidade de imigrantes em condições extremas. O evento também contou com a particição de organizações inglesas e comunitárias e de especialistas na área da psicologia social. Além disso, tornou possivel ratificar a importância de promover os projetos sociais na área da saúde mental e da integração.

Segundo o professor, 230 milhões de imigrantes estão espalhados pelo mundo, e muitos deles expostos a situações muito dolorosas e circunstâncias que estão a por em risco as suas vidas e que podem gerar altos níveis de estresse e angústia, especialmente em casos como os imigrantes das regiões em guerra ou em probreza crítica. Achotegui explicou que, nos últimos 40 anos, a imigração tem sofrido uma transformação radical e se tornou uma odisseia ainda mais traumática e difícil.


Concretamente, explicou que as características mais relevantes da migração no século XXI são a separação da família, a exclusão social e a criminalização dos emigrantes através de leis que os penalizam.

O também secretário geral do departamento de Psiquiatria Transcultural da Associacão Mundial de Psiquiatria advertiu que os mais impactados são os imigrantes com limitaçoes legais e os indocumentados. Segundo Achotegui, 10 milhoes de pessoas vivem nessa condiçao na Europa. Para o especialista em saúde mental, os efeitos psicológicos causas terriveis pesadelos na vida dos imigrantes, porque os níveis de frustração, solidão e medo geram um estresse muito intenso. "Nao é ter um dia ruim, é ter uma vida terrivelmente difícil", disse.


Em casos severos, a separacão forçada da família, as dificuldades pela nova língua, o status social e o temor de pôr em risco a integridade física pode provocar a Síndrome de Ulisses, descoberta por Achotegui e que está inspirada no poema grego "La Odissea", de Homero, que fala do mítico herói Ulisses.


Segundo explicou ao BNNP, as pessoas que sofrem a síndrome, considerada como a síndrome do imigrante com estresse crónico e múltiplo, estão sempre tristes, preocupadas, têm dificuldades para dormir e fortes dores da cabeça. Não é uma doença mental, disse, "é um estresse muito intenso e uma situação da vida muito difícil e é preciso ajudar quem apresenta estes síntomas, mas sempre tendo o cuidado de não os transformar em doentes, em os estigmatizar e vitimizar, eu acho que isso não ajuda".


Para Achotegui, o mais importante é oferecer apoio com vistas na integracão e minimização do isolamento: "Não podemos mudar as leis, mas podemos ajudá-los a que estejam menos isolados. É importante que a sociedade de acolhimento tenha associações e grupos mistos que lhes permitam partilhar, criar projetos, isso é muito essencial para o imigrante", disse.

Já a presidenta da ONG El Teléfono de la esperanza UK, Nancy Liscano, explicou ao BNNP que eles realizam atividades para difundir as pesquisas do professor Achotegui e sensibilizar as comunidades e instituições oficiais sobre a Síndrome de Ulisses e os efeitos na saúde dos imigrantes em situação crítica: "É importante reconhecer a dor que eles sofrem e o vulnerabilidade que sofrem e lhes oferecer apoio e um diagnóstico apropriado", advertiu.




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Foto: Arelys Gonçalves/O psiquiatra e professor espanhol Joseba Achotegui durante o evento em Londres