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Turismo

​O charme da cidade do Porto

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Por André Casado


Envolta por praias, rios e pontes, a segunda maior metrópole de Portugal é um prato cheio para turistas que buscam um pouco menos de confusão nas férias. Os brasileiros, claro, ainda têm a vantagem de se sentir em casa por causa do idioma e de iguarias bem familiares ao nosso paladar.

O ar de cidade do interior, com suas ruelas estreitas de paralelepípedos, está ali, intacto. Mas não se surpreenda com a quantidade de ladeiras. Na região histórica, o que mais há é o sobe e desce. Lisboa, por exemplo, também guarda esse aspecto, só que de uma forma mais pontual. Assim prepare as pernas antes de embarcar ou utilize o "elétrico" – bonde estilizado que ainda percorre velhos trilhos.

De um modo geral, o Porto está longe de ser uma cidade cara. Costuma-se dizer, inclusive, que Portugal talvez seja o país mais barato da Europa. Com no máximo 250 libras parece viável desfrutar de cinco dias por lá com o mínimo de conforto, incluindo passagem aérea, hospedagem, alimentação e lazer. A diversão e as fotografias são garantidas.


ELETRICO

Belezas históricas

Há diversas estruturas, como em outras partes da Europa, que preservam o mesmo visual há séculos. Badalados hotéis, já não tão imponentes por fora, mantêm a encantadora construção original, e alguns de seus quartos são anunciados como "vintage", oferecendo um pedacinho de história.


Há monumentos e estátuas por todo o lado, principalmente na área comercial – a cerca de cinco quilômetros do centro. Os significados, muitas vezes, misturam fatos e lendas interessantes. Não faltam também homenagens a navegadores, veteranos de guerra e membros da realeza, como D. Pedro IV. Mas as praças não se comparam à imponência da Torre dos Clérigos, às igrejas Sé do Porto e de São Francisco e das imensas pontes (seis, ao todo), com destaque para a D. Maria de Pia, obra do engenheiro Gustave Eiffel (o mesmo que dá nome à famosa torre em Paris), atualmente desativada.


A maioria dessas pontes liga o Porto à Gaia, um povoado que está do outro lado do Rio Douro e de onde se tem uma perspectiva ampla da cidade. Aliás, o Grande Porto é constituído por nada menos que mais dez municípios e ainda seis freguesias. A capital em si não chega a 300 mil habitantes. A soma delas, no entanto, alcança mais de 1,2 milhões de pessoas, de acordo com o último censo. Quase todas as pequenas cidades são litorâneas. Matosinhos (a 8 km). Vila do Conde (a 24 km) e Póvoa de Varzim (a 35km) costumam ter as praias mais procuradas. No Porto, a quantidade de rochas dificulta bastante o mergulho nas águas do Atlântico. Relaxar e tomar um banho de sol, em contrapartida, é uma atividade que pode ser praticada no Parque da Cidade do Porto, que, com 10 km de extensão, é o maior do país e um dos maiores da Europa.


DELICIASLOCAIS


Delícias locais

Se você é fã da culinária lusitana, não pode deixar de provar o bacalhau (pelo menos algumas das mil maneiras de se preparar), a sardinha e a "francesinha" – pesado prato com pão, (muitos) queijos, presunto, carne, molho, e que pode (e deve, ora pois!) ser acompanhada de outros ingredientes, como ovo, camarão... Depende do restaurante e da fome de cada um, claro. Para acompanhar qualquer dessas refeições, o vinho do Porto, de reconhecida qualidade, é uma boa pedida. Branco, verde (bem mais comum lá do que em outros países) ou tinto, ele está sempre presente nas mesas e adegas dos portugueses. É lei degustá-lo diariamente seja qual for a ocasião.


ORGULHOESPORTIVO


Orgulho esportivo

Não dá para falar do nome da cidade sem mencionar o time de futebol, orgulho local. Campeão do maior torneio europeu em 1987 e 2004 (quando tinha três brasileiros no ataque: Deco, Carlos Alberto e Derlei), o Futebol Clube do Porto é o segundo vencedor da liga do país, com 27 taças - atrás somente do Benfica, com 34.


Porto3


Vida noturna

A vida noturna fica agitada na Galeria de Paris – rua de bares e discotecas no Centro Histórico. Num raio de 500 metros encontram-se vários tipos de ritmos e público. O detalhe é que o negócio começa a esquentar mesmo no meio da madrugada – o oposto da cultura geral de Londres, por exemplo. Em solo luso o som toca até amanhecer, não importa muito o dia da semana.