7 °C
Emprego

Sonhos ou metas de carreira?

|


Sonhosbnnpmetas 1



(LONDRES) Por Melissa Lirmann - Sonhos nos inspiram, é verdade. Não raramente, são eles os responsáveis por nos mantermos otimistas, mesmo diante das situações mais adversas. Têm o poder de nos transportar para um terreno mais amigável, povoam nossa imaginação com coisas boas, resolvem rapidamente nossas dúvidas e conflitos, colocam tudo em seu devido lugar. Não é preciso muito esforço para sonhar, apenas uma grande dose de querer e alguma criatividade.


Na carreira, muitos profissionais sonham com uma nova oportunidade, uma promoção, o reconhecimento por determinado feito, uma trajetória de sucesso. Embora esses sonhos tragam uma visão otimista, sempre muito bem-vinda, sozinhos não terão o poder de transformar a realidade. Ter um sonho é diferente de ter uma meta. Enquanto o sonho pode inspirar, somente a meta pode mover. As metas assumem o terreno da realidade, das possibilidades. Metas têm tudo a ver com planejamento e execução.


Saber estabelecer metas de forma consistente é uma das maiores dificuldades das pessoas. Assim sendo, fica fácil descobrir o motivo de tantos desistirem logo na largada ou nos primeiros passos do caminho. Se a meta foi estabelecida sem as devidas ponderações, em bases frágeis de análise, dificilmente será sustentada. Há uma grande chance de ser substituída por outra, que provavelmente será deixada de lado no primeiro obstáculo encontrado.


Pensando na importância de ter e alcançar metas, muitos estudiosos desenvolveram ferramentas que ajudam empresas e pessoas nessa tarefa. Dos métodos mais comumente utilizados para a elaboração de metas de carreira, o que eu mais gosto é o SMART. O nome é um acróstico, em inglês, para: specific, measurable, achievable, relevant e time-bound. Em português, quer dizer que uma meta precisa ser: específica, mensurável, atingível, relevante e com tempo determinado (prazo). Trata-se de um passo-a-passo bastante simples, mas suficientemente criterioso.


Para ser eSpecífica, a meta deve ser descrita da forma mais detalhada possível. Vamos supor que você trabalhe com vendas e queira melhorar seu desempenho. Não bastaria colocar como meta “vender mais”, por exemplo. Ao adicionar detalhamento, a meta ganha corpo. Nesse caso, ela poderia ser expressa de alguma forma como “aumentar as vendas mensais do produto X em 15%”. Ao especificar uma meta, você se torna mais consciente a respeito de todos os aspectos que a envolvem, pode antecipar riscos e dificuldades e com isso planejar-se de forma a contorná-los e seguir adiante em seu plano.


O M, de mensurável, quer dizer que toda meta deve ter seu progresso medido. De outra forma, como saber se as ações que você está executando estão te aproximando ou afastando da meta? Ainda, como será possível saber se a meta foi alcançada, se não puder ser mensurada? Nessa fase, é importante a utilização de indicadores que possam trazer uma leitura fiel do progresso feito. Se seguirmos no exemplo do aumento das vendas mensais do produto X em 15%, o indicador poderia ser o faturamento mensal das vendas com aquele produto.


A, de atingível, serve para nos atentarmos ao fato de que uma meta deve ser possível. Ela pode (e deve) ser ousada, mas tem que ser possível. Ela precisa ser desafiadora, mas deve estar condizente com o seu potencial de realização. Um ponto muito importante a considerar nessa fase é o quanto a meta depende de você. Quando traçamos metas que dependem muito mais dos outros do que de nós mesmos, existe grande chance de haver desmotivação ou frustração. Se tiver que contar com terceiros para o atingimento de suas metas, tenha certeza de que existe envolvimento, comprometimento e motivação. Retornando ao nosso exemplo de vendas, imaginando que você seja o gestor de uma equipe e que os 15% de incremento no faturamento dependam da ação de todos, certifique-se de que seu time esteja ciente do desafio e que esse desafio seja suficientemente motivador para que todos vejam ganho e possam mover-se na mesma direção.


O R é de relevância. Serve para nos lembrar de que a meta, quando atingida, deverá ter importância. As principais perguntas a serem feitas nesse estágio são: “Ao atingir essa meta, vou ter um motivo para comemorar? ”; “O resultado do atingimento dessa meta é algo realmente importante para mim? ”. Um bom exercício é imaginar que a meta tenha sido atingida e explorar as sensações que acompanham esse pensamento. Quando a meta for relevante, você saberá.


Finalmente, o T de time-bound diz respeito ao prazo estabelecido para o atingimento da meta. Toda meta deve se orientar por um prazo, do contrário não será tratada como prioridade e corre grande risco de diluir-se em meio às exigências do dia-a-dia. Para metas de médio e longo prazo, o ideal é fazer o desdobramento em submetas de curto prazo. No nosso exemplo de vendas, a meta poderia ser descrita da seguinte forma: “aumentar o faturamento mensal do produto X em 15%, em comparação com o resultado do ano anterior, até o mês de agosto”.


Espero que o método possa ser útil e que você possa testá-lo na prática. Mais que isso, espero que encontre suas metas, que elas sejam grandiosas como seus sonhos, que te desafiem e sejam SMART o suficiente para mover você.



-


Melissa F. Lirmann é profissional de Coaching de Carreira & Coaching Executivo, membro da Sociedade Latino Americana de Coaching. Economista, Especialista em Gestão Estratégica, acumula mais de 15 anos de vivência em empresas multinacionais, com passagem pelas áreas de vendas, finanças, gestão de equipes, desenvolvimento de negócios e planejamento extra


www.melissalirmann.com