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Panamá Papers: investigação mundial revela contas secretas de chefes de Estado

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Reprodução Facebook / Dados foram revelados pelo Wikileaks e o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos


(LONDRES) Da Redação - Um grande vazamento de dados do escritório de advogados Mossack Fonseca, do Panamá, especializado na criação de empresas offshore, o que embora seja considerado legal pode ocultar a prática de crimes como lavagem de dinheiro, revelou que inúmeras personalidades mantinham contas secretas fora de seus países.

Vazados pelo Wikileaks e pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigados, a lista, baseada em 11,5 milhões de documentos, foi divulgada pela imprensa de todo o mundo. A investigação revela que chefes de Estado, políticos, empresários, atletas e artistas abriram contas offshore com a ajuda do escritório panamenho. Diversos políticos brasileiros também aparecem na lista.


Entre os nomes citados estão o presidente da Argentina, Mauricio Macri, o atacante argentino Lionel Messi, o ex-presidente da UEFA Michel Platini, e o cineasta espanhol Pedro Almodovar.

Também aparecem nomes e famílias ligadas ao ex-presidente do Egito, Hosni Mubarack, ao ex-líder da Líbia, Muammar Kadafi, ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad, e ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ao todo, 72 chefes e ex-chefes de Estado e de governo foram citados. A lista completa tem 140 políticos, de 50 países.


Segundo a BBC, os documentos revelam que a Mossack Fonseca ajudou nos últimos 40 anos muitos de seus clientes a abrir empresas de fachada para lavar dinheiro proveniente de diversos tipos de atividades.


Macri, ao lado de seu pai e irmão, eram administradores de uma empresa chamada Fleg Trading Ltd., criada nas Bahamas em 1998 e dissolvida em janeiro de 2009. O presidente não revelou a criação da companhia em suas declarações de imposto recentes. Segundo um porta-voz da Casa Rosada, as contas não são de Macri, mas do grupo familiar Socma, e elas teriam sido declaradas normalmente.


Investigados pela Lava Jato aparecem na lista


A Mossack Fonseca informou recentemente a seus clientes que sofreu um ataque de hackers. Além disso, explicou em um comunicado que seu escritório de representação no Brasil foi intimado a contribuir com informações “como parte das investigações da procuradoria desse país sobre alguns casos atualmente em curso nesse país”.

Segundo os documentos vazados, 107 offshores foram abertas pelo escritório panamenho em nome de empresas e políticos citados na Lava Jato. A lista revela que 57 pessoas investigadas pela operação foram clientes da Mossack Fonseca, entre elas o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado recentemente de possuir contas secretas na Suíça.


A lista inclui políticos do PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB. Outros nomes citados são o deputado federal Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) e o pai dele, o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso; o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto; os ex-deputados João Lyra (PSD-AL) e Vadão Gomes (PP-SP), e o ex-senador e presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2014. O escritório brasileiro da Mossack Fonseca foi alvo da 22ª fase da Lava Jato em janeiro deste ano.