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200 políticos teriam recebido recursos da Odebrecht, segundo dados divulgados pela investigação Lava Jato

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(RIO DE JANEIRO) Por Denis Kuck


A lista divulgada pelas autoridades brasileiras que investigam o maior esquema do corrupção vindo à público nos últimos tempos, cita mais de 200 políticos de 18 partidos, entre eles os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), além de oposicionistas como o senador Aécio Neves (PSDB) e governistas como o senador Lindberg Farias (PT). Os documentos foram apreendidos no dia 22 de fevereiro e liberados pela Justiça na semana passada. Logo após a divulgação do conteúdo da lista, o juiz responsável pela Lava Jato, Sergio Moro, decretou o sigilo do material apreendido.


A justificativa é que não é possível determinar se a origem dos repasses aos políticos é ilegal, fruto de propina ou caixa dois, ou apenas doações normais de campanha. Os membros da Lava Jato estão agora investigando a planilha encontrada para saber a procedência dos pagamentos.

Moro afirmou ainda que a lista não foi apreendida no setor criado pela Odebrecht para cuidar da distribuição de propinas, que foi alvo da 26ª fase da Lava-Jato. Além disso, destacou que a empresa fez diversas doações legais para campanhas.


Em nota, a Odebrecht disse que está contribuindo com as investigações. A maioria dos políticos citados negou irregularidades e afirmou que qualquer repasse da construtora foi feito de maneira legal. A divulgação da lista aumentou o clima de tensão em Brasília e deixou políticos de todas as tendências apreensivos, do governo à oposição.

O portal UOL teve acesso a outros 400 documentos internos da empreiteira, a maior parte datada de 1988. O material comprovaria que no período em que Sarney foi presidente teriam sido feitos repasses a 516 agentes públicos, empresários, empresas, instituições e políticos, entre eles ex-ministros, senadores, deputados, governadores e integrantes de partidos como PSDB, PMDB e PFL (atual DEM). Os documentos estavam sob responsabilidade de uma funcionária da Odebrecht.


A lista dá nomes curiosios aos políticos, por exemplo, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), é o “Nervosinho”. O ex-presidente ex-senador José Sarney (PMDB) surge como “escritor”. Já a deputada estadual Manuela d’Avila (PCdoB) é chamada de “avião”. Estes apelidos aparecem para identificar políticos em uma lista de nomes que teriam recebido recursos da Odebrecht. O documento foi apreendido pela Polícia Federal em buscas da 23ª fase da operação Lava Jato , chamada de Acarajé, em endereços ligados ao presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior.



STF decide que Lula será investigado pela corte mais alta do país


O ministro do STF Teori Zavascki determinou que as investigações sobre o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva sobre lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio sejam mantidas na mais alta corte do país.

Lula foi empossado ministro chefe da Casa Civil, mas teve sua nomeação suspensa pelo ministro do STF Gilmar Mendes, para quem o ex-presidente estaria tentando obstruir o andamento da Justiça. O juiz determinou ainda que as investigações sobre Lula voltassem ao âmbito da Lava Jato.


Teori, no entanto, apontou ilegalidade na divulgação, autorizada por Moro, de conversas telefônicas interceptadas por ordem judicial entre Lula e a presidente Dilma Rousseff.

Teori, que é o relator da Lava Jato no Supremo, argumentou que durante a investigação surgiram conversas com autoridades com foro privilegiado, como Dilma e o ministro Jacques Wagner, por isso o caso deveria ser mantido no STF.

Como teve sua posse como ministro suspensa, Lula não tem direito ao foro privilegiado e poderia continuar sendo investigado pela Lava Jato, que está sendo conduzida pela primeira instância da Justiça Federal.

A decisão de Teori nada muda em relação a nomeação de Lula, que continua suspensa.