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O destino dos imigrantes europeus no Reino Unido se os britânicos votarem pelo “Brexit”

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(LONDRES) - Por Natália Baffatto - O nome Brexit vem sendo usado como junção de palavras para expressar a saída do Reino Unido da União Europeia. E nos últimos tempos, faz parte dos principais noticiários internacionais.


Como já foi noticiado pelo BNNP na última edição, David Cameron, primeiro-ministro britânico, anunciou o referendo no dia 23 de junho para decidir o futuro do Reino Unido dentro do grupo europeu.


O tema que toma conta do país já fez portugueses, italianos, espanhóis e muitos outros brasileiros que vivem e trabalham no Reino Unido com passaporte europeu começarem a se preocupar com sua condição no país.


O Reino Unido já está mais rígido com questões de imigração já faz um tempo, e o Home Office tem anunciado medidas restritivas a diversos imigrantes que buscam no país uma oportunidade de estudo e trabalho.


E, afinal, toda essa questão em torno do Brexit veio exatamente da campanha partidária de Cameron para atender ao pedido da população britânica e reduzir as taxas de imigrantes em território britânico.


Portanto, como ficarão as leis de imigração se o Reino Unido realmente sair do bloco europeu? Mesmo com o premiê britânico defendendo a permanência na união agora, existe um Boris Johnson, prefeito de Londres, a favor do Brexit. Tudo indica que esta disputa não será fácil.


Enquanto isso, pesquisa do instituto Ipsus Mori realizada este mês indicou que 51% dos eleitores querem que o Reino Unido permaneça na União Europeia, contra 36% que defendem a saída e 13% que estavam indecisos.


Segundo especialistas ouvidos pelo BNNP, não existe nada em concreto sobre o futuro dos imigrantes europeus no país e eles não devem ser afetados imediatamente.


“Nesse exato momento é difícil fazer uma previsão do que acontecerá. O cidadão britânico está pensando nas implicações econômicas que podem ocorrer e ao mesmo tempo analisa a questão imigratória, pois ele quer controlar suas próprias fronteiras”, afirma Renato Trevine, da Fundação Brasil, que auxilia imigrantes em diversas questões no Reino Unido.



Trevine ainda completa dizendo que os cidadãos europeus não precisam se preocupar de imediato se os britânicos votarem para sair da UE. “O governo ainda dará um prazo, que pode ser meses ou anos. A partir dessa data, quem quiser imigrar para o Reino Unido deverá satisfazer os requerimentos que serão impostos, ou seja, haverá restrições, mas não riscos. O governo ainda nem sabe detalhes desse processo”, observa.




A vida do cidadão da EU no Reino Unido


Os imigrantes do Brasil com nacionalidade europeia que vivem em território britânico e já possuem residência permanente ou cidadania britânica podem estar mais tranquilos, mas aqueles que não completaram cinco anos morando no país podem tomar algumas medidas preventivas.



Quem está nesta situação pode se inscrever para receber um certificado de registro e provar que tem o direito de viver ou trabalhar no Reino Unido. Segundo o Home Office, o documento pode facilitar se o indivíduo quiser fazer a solicitação de benefícios ou outros serviços.



O formulário está disponível no site do governo britânico (https://www.gov.uk/eea-registration-certificate) e deve ser enviado ao Home Office por correio, junto com os documentos solicitados e o pagamento da taxa de £65.



Não apenas cidadãos portadores de passaporte de um dos países que compõe a União Europeia podem solicitá-lo, mas também quem está no país com visto de dependente de europeu, casado ou não, ou quem vive como estudante, que igualmente pode fazer o mesmo para seu parceiro e parentes.



“Assim que o cidadão chegar no Reino Unido, é importante solicitar este documento, uma espécie de cartão de residência, que não é obrigatório ter, mas pode ser vantajoso para provar há quanto tempo mora no país e, após alguns anos, o indíviduo tem o direito de fazer sua cidadania britânica, e despreocupar-se se o Reino Unido um dia sairá ou não do bloco econômico”, alerta Trevine.




Só a Europa deve temer?



Se o Reino Unido sair do bloco europeu, há grande possibilidade da Escócia, que convocou um referendo recentemente, pedir independência novamente, podendo desencadear a mesma vontade na Irlanda do Norte, resultando no fim do Reino Unido.



Com a saída da UE, a conexão econômica dos britânicos com os Estados Unidos pode ser ameaçada e dará chances a outros países europeus em terem essa oportunidade, trazendo prejuízos à Grã-Bretanha de forma geral.



Além disso, empresas e instituições como a FTSE 100, conhecida atualmente como mais poderosa que o "Wall Street" de Nova York, perderia seu valor, pois a conexão com a Europa seria interrompida.



Sem contar as mais de centenas de empresas britânicas fazendo campanha para o Reino unido permanecer dentro da Europa, pois a perda de profissionais seria imensa, afetando o bolso e lucro das companhias, garantem os especialistas.