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Crise migratória: Papa diz que "Europa deve e pode mudar"

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Papafrancisco


(LONDRES) Da redação com RTP Notícias - O papa Francisco, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, falou sobre a crise migratória no Velho Continente e disse que “a Europa deve e pode mudar e deve e pode reformar-se. Se não é capaz de ajudar economicamente os países de onde vêm os refugiados, então tem de pensar no problema de como enfrentar esse grande desafio que é, em primeiro lugar, humanitário e não só", afirmou.


A esperança do papa é que um dia "a Europa sorria aos imigrantes". Para Sua Santidade, a Europa "tem de encarar esse desafio com inteligência, porque por detrás [dele] está o terrível e enorme problema do terrorismo”.


O papa considera também que "se quebrou um sistema de educação: aquele que transmitia os valores de avós para netos e de pais para filhos e é preciso pensar no problema de como o reconstruir".


O papa voltou a se referir a uma "Europa idosa que já não é fértil nem vivaz", comparando-a a Sara, a mulher de Abraão idosa, que não pode ter filhos, mas milagrosamente conseguiu procriar aos 90 anos.


O papa já havia usado aquela expressão sobre a Europa no discurso que proferiu perante o Parlamento Europeu e contou agora, nesta entrevista, que depois da sua deslocação a Estrasburgo, recebeu ligação da chefe do governo da Alemanha, Angela Merkel, "zangada" pela comparação da Europa com "uma mulher estéril".


"Perguntou-me se eu pensava mesmo que a Europa não podia ter filhos e eu respondi que sim, que a Europa ainda pode ter filhos, porque tem raízes sólidas e profundas, porque teve e pode ter um papel fundamental (...) e porque os momentos mais escuros mostraram que têm sempre recursos", contou.


Na entrevista, o papa revelou sua admiração pelas "grandes personagens esquecidas" na Europa, após a Segunda Guerra Mundial, citando o alemão Adenauer, o francês Robert Schuman e o italiano Alice De Gasperi. Por outro lado considerou que "o Ocidente tem de fazer autocrítica" em relação à forma como lidou com a situação na Líbia, "antes e depois da intervenção militar".