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​Fotógrafo italiano capta registros íntimos do povo Awá

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( LONDRES) Denis Kuck - Os índios Awá vivem no pouco que ainda resta da Floresta Amazônica no Maranhão. Segundo a Survival International trata-se do “povo mais ameaçado do planeta”. O fotógrafo italiano Domenico Pugliese, que vive em Londres, passou uma temporada na região e conseguiu fazer fotos impressionantes desses indivíduos.

Imagens mostram mulheres amamentando pequenos animais, que são carregados pelos indígenas como bichos de estimação. A primeira vez que Pugliese entrou em contato com os Awá foi em 2009, após um colega jornalista o convidar para uma expedição na Amazônia.



“Eles escutavam o som dos barcos e vinham para as margens do rio, o impacto era de como estar em um novo mundo, a sensação não pode ser explicada”, afirmou o fotógrafo em reportagem publicada pelo jornal inglês Daily Mail.


Pugliese contou ainda que nossos códigos sociais eram inexistentes para eles. “Você estende a mão para um aperto e eles pensam, ‘eu não sei o que eu preciso fazer’”. Além disso, o fotógrafo disse que os índios não conseguiam compreender de onde Pugliese vinha e porque não tinha uma família.


O conceito de família, aliás, para a tribo não envolve apenas humanos, pois os animais acompanham os indígenas e os ajudam em tarefas cotidianas, inclusive ao protegê-los enquanto dormem


De acordo com a Survival International, os bichos favoritos dos Awá são porcos selvagens, roedores, periquitos e macacos. Os indígenas comem animais, mas jamais um exemplar que tenha sido adotado pela tribo.


A estimativa é que hoje existam cerca de 400 remanescentes dos Awá. Eles só foram contatados pelo homem branco em 1979, mas até hoje muitos deles ainda vivem em isolamento. São um dos poucos povos da floresta que ainda se sustentam exclusivamente da caça e coleta.

A terra indígena dos Awá está dentro da Reserva Biológica do Gurupi. Mas mesmo após o governo determinar a desocupação de sua terra, a população continua ameaçada, pois o local está cercado por grileiros e municípios que dependem da extração da madeira.

“Eles estão tão longe de nós e tão perto da natureza... Na verdade, eles são a própria natureza”, afirma Pugliese. 



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O povo Awá só foi contatado pela primeira vez em 1979, mas até hoje alguns deles vivem isolados (crédito: Domenico Pugliese)