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Lama em Londres e protesto para Vale do Rio Doce

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( LONDRES) Cristiane Lebelem - Passavam das duas da tarde em Londres, na última sexta-feira (4), quando a cúpula de uma das empresas mais valiosas do planeta começava a falar com a imprensa especializada no mercado financeiro numa entrevista coletiva convocada para um petit comitê de jornalistas.


Enquanto isso, do lado de fora, ativistas tentavam representar para quem passava na rua ou entrava no luxuoso hotel, a pouco metros do Palácio de Buckingham, um pouco do drama e da sujeira que o rompimento das barragens de Fundão e Santarém, em Mariana (MG), no Rio do Doce deixou no Brasil.


Passado um mês do fato, que gerou um dos maiores desastres ambientais da história do país, a preocupação com a parte financeira ficou muito clara, com a convocatória de uma coletiva à imprensa internacional fora do Brasil para afirmar que "a melhor maneira de resolver todas as reivindicações é ter a Samarco de volta às operações", segundo o diretor financeiro Luciano Siani. "Temos um compreensão das nossas obrigações e a melhor maneira de prosseguir é tentar trazer a empresa de volta”, completou.


Entre tantos números que marcavam a coletiva está a cifra de 20 bilhões de reais da demanda de compensação do governo contra a joint venture e seus propietários, responsabiliazados pelo derramamento de iodo no Rio Doce, pela morte de cerca de 20 pessoas e todas as perdas sociais e ambientais envolvidas.


O alto escalão da empresa garantiu que todos os esforços para recuperar o Rio Doce estão sendo feitos e de acordo com Clovis Torres, consultor-geral da Vale, as margens do rio estão recebendo plantas apropriadas para devolver a vegetação original do local.


Cerca de 600 pessoas foram desalojadas de suas casas na região de Marina, interior de Minas Gerais, pois o número de casas atingidas pela lama superou a 200. De acordo com a empresa até o fim da semana passada todas as famílias estavam em hotéis e mais 20 casas haviam sido entregues. O diretor financeiro da Vale S.A. Luciano Siani deu sua palavra de que até o natal todos estarão com uma casa, em condições de recomeçar suas vidas depois do desastre.



Mas o protesto que começou do lado de fora foi mais longe, além da encenação na rua, um dos ativistas conseguiu entrar na coletiva e antes que os executivos deixassem o hotel, o militante canadense Liam Barrington – Bush ganhou a atenção da imprensa para lembrar que o desastre de Mariana não foi o primeiro incidente envolvendo a companhia.




As barragens pertencem à mineradora Samarco, que produz pequenas peças arredondadas para a produção de aço. A companhia pertence também a outra empresa australiana, BHP Billiton Ltda. Após a tragédia, a produção foi interrompida.


Samarco tem um valor de mercado de US$ 2,2 bilhões em títulos com vencimento entre 2022 e 2024, que teve uma baixa consideravel para cerca de 35 centavos de dólar na semana passada depois que o governo brasileiro divulgou o valor da compensação. As ações com data de 2022 foram negociadas a 37,6 centavos de dólar sexta-feira. 



A partir do desastre, a Samarco e seus proprietários terão que assumir a responsabilidade por reparos à propriedade e ao meio ambiente, bem como indenização, disse o procurador-geral Luis Inácio Adams depois de se reunir com a presidente Dilma Rousseff, na semana anterior 


A Vale recebeu notificação da ação judicial no valor de R$ 20 bilhões, que se baseia em ambos os 20 por cento das vendas da Samarco ou 50 por cento do lucro. Em tom de mea culpa, a afirmação foi que "independentemente do caminho que se desenvolve a partir de um ponto de vista legal, existe verdadeiramente empenho em trazer o rio de volta", disse Siani. 




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Protesto

Para a jornalista Ali Rocha, uma dos organizadoras do protesto, o movimento em frente ao hotel foi muito importante " Quando soubemos que a Vale estava promovendo um evento para posicionar os seus negócios em menos de um mês depois de causar o pior desastre ambiental da história do Brasil , decidimos que tínhamos que fazer algo, e entramos em contato com ONGs ambientalistas para obter apoio, mas com o encontro da COP21, todos estavam em Paris, e assim tivemos que fazê-lo nós mesmos. Criamos um evento no Facebook pedindo às pessoas para fazer uma performance com lama , peixes mortos e banners. Eles vieram e fizeram, e nós mostramos algo importante e fizemos uma bela bagunça


crédito foto: Gui Tavares