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QUAL A MAGIA SECRETA DE HARRY POTTER?

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(LONDRES) Por Rafa Maciel


Você já leu Harry Potter? Se ainda não teve oportunidade, com certeza conhece alguém que já lido, correto?


Arrisco a afirmar isso porque mais de 400 milhões de cópias do livro, contando a história do famoso bruxo inglês, foram vendidas em todo o mundo. É como se cada brasileiro tivesse dois exemplares.
A autora inglesa J. K. Rowling é considerada gênio pra muitos e muitos fãs (inclusive eu), por causa do enredo da história e da inspiração que a série causou mundialmente. Afinal de contas, a escritora mistura bem e mal com amor e ódio no desenrolar dos livros e conta de modo que realmente nos faz pensar e querer trazer todos os atributos positivos dos livros à vida real.
Ao pesquisar para o novo tour, que estou guiando em Londres, descobri que J. K. Rowling nunca usou a expressão “eu te amo” nos livros da série. Pelo que li a respeito, a ideia era justamente mostrar como é possível expressar amor ao próximo, mesmo sem expressá-lo em voz alta. Jogada de gênio!
Dizem que não devemos medir o sucesso pelos números, mas de qualquer forma eles chamam muita atenção: o último filme da série possui a sétima maior bilheteria da história do cinema; o último livro vendeu em média 173 unidades por segundo no primeiro dia de vendas; esta é a série de livros mais relida do mundo.
Eu poderia escrever vários fatos sobre o fenômeno, mas é só se lembrar que foi construído um parque temático que nos leva para esse mundo de fantasia em Orlando, nos Estados Unidos e que os estúdios onde todos os filmes foram gravados em Leavesden, do lado de Londres, recebem mais de cinco mil visitantes por dia.
A que se deve tanto sucesso afinal de contas? Muitas especulações da “fórmula do sucesso” da autora ainda são feitas, mas minha opinião é que, em primeiro lugar, a série não trata apenas de fantasia, como o caso de “Crepúsculo” ou “Avatar” por exemplo. Ela mistura fantasia com realidade (bruxos e trouxas) e brinca muito com isso; então fica mais fácil para o leitor se sentir parte da trama ou pelo menos querer fazer parte.
Outro ponto que considero importante é que nos livros, J. K. Rowling trata de amor, lealdade e que o bem sempre vence, e creio que, por estarmos tão deficientes disso hoje em dia, acabamos acima de tudo querendo que aquele mundo e esses sentimentos sejam mais presentes num mundo real e atual.
Rowling conta que a ideia para a história e para o bruxo vieram enquanto estava em Manchester, voltando para Londres. O trem no qual viajaria estava quatro horas atrasado. Ela não teria onde anotar as ideias, mas fez o possível para guardar tudo na mente e já teria começado a escrever naquele mesmo dia. Seis anos depois (1996) terminaria a primeira edição e entraria na etapa mais difícil: vender o material que tinha em mãos.
Mesmo com um agente, Rowling ouviu muitos “nãos” pelo caminho. Oito para ser mais exato, de editoras que devem ter se arrependido muito do “NO” que riscaram sobre o material. Mas a editora Bloomsbury, que estava iniciando um núcleo de livros infantis (veja bem, que inocentes), aceitou publicar e pagou à autora £ 3 mil adiantados.
“Harry Potter e a Pedra Filosofal” foi publicado no ano seguinte (1997), com uma tiragem inicial de 500 livros. Desses, 300 foram parar em bibliotecas e 200 à venda. Hoje, um dos 200 exemplares vale mais de £ 2 mil (o eBay está aí para provar isso).
No lançamento do último filme, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, o tapete vermelho da première iniciava em Trafalgar Square e J. K. Rowling declarou que jamais imaginaria aquele momento acontecendo. O sonho dela era apenas ter o livro publicado, o que já havia realizado. Jamais imaginara que influenciaria tanto nossas vidas e que seria responsável por espalhar pensamentos de bem pelo mundo.
Não deixe de viver a experiência do Warner Bros Studio Tour e junte-se a mim num passeio temático de duas horas no centro de Londres sobre Harry Potter.


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