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Venda de dólares para Angola é suspensa

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Foto 2 dólares

(LONDRES) Da redação com Portal de Angola - O americano Rand Merchant Bank, unidade do banco sul-africano First Rand, suspendeu a venda de dólares para Angola, anunciou a instituição em Johanesburgo. A decisão ocorre após o Bank of America informar ao banco sul-africano que deixaria de fornecer dólares com destino a Angola a partir do fim de novembro.


Não há justificativa oficial para a decisão do maior banco comercial americano, que fornece dólares a Angola por meio do First Rand. Fontes do mercado, no entanto, dizem que o Bank of America desconfia do destino dado às elevadas quantidades de dólares em notas que circulam em Angola.


As mesmas fontes indicam que autoridades americanas, tanto o banco central Federal Reserve como o Bank of America, temem que os dólares vendidos a Angola possam financiar a lavagem de dinheiro e o terrorismo.


Carlos Rosado de Carvalho, economista e diretor do jornal angolano Expansão, disse que o país comprava antigamente cerca de seiscentos milhões de dólares, valor que agora ronda três milhões de dólares.
A agência de notícias especializada em economia Bloomberg revelou que o Banco Angolano de Investimentos (BAI), maior banco privado do país, restringiu a retirada de dólares e não tem mais notas para entregar. Até agora, os clientes do BAI estão impedidos de levantar mais do que dois mil dólares por semana.


No geral, os bancos angolanos limitam a venda de divisas a clientes a um máximo de mil dólares por semana. A situação pode se tornar grave, pois o país recorre à economia informal, que utiliza notas de dólar, para garantir a subsistência de milhões de cidadãos. Além disso muitos expatriados recebem em moeda estrangeira, principalmente o dólar.


Carlos Rosado de Carvalho alerta, no entanto, para outro problema ainda maior e que pode afetar as transferências bancárias. Com a decisão do Bank of America, os bancos angolanos podem ficar sem bancos americanos correspondentes.


“Nessa altura, há o problema das transferências bancárias, que é uma situação muito grave”, diz Rosado de Carvalho. O economista afirma que “apenas um ou dois bancos alemães com operações nos Estados Unidos aceitam ser correspondentes dos bancos angolanos em virtude de Angola não seguir as recomendações internacionais quanto ao combate à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo”.


Para além da situação econômica, o diretor do jornal Expansão alerta que Angola pode enfrentar “um problema de reputação e todos sabemos que a confiança comanda a economia e, em especial, o setor financeiro”.