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Reino Unido tem ambiente favorável para empreendedor brasileiro

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(LONDRES) Da redação - Mesmo considerado um país burocrático, o Brasil foi apontado pela pesquisa Global Entrepreneurship (GEM) como o mais empreendedor do mundo. Já o Reino Unido foi eleito pelo World Bank como o melhor do país do G7 para se realizar negócios. Existe até mesmo um visto especial para empreendedores.


Ou seja, como quem junta goiabada com queijo, o Reino Unido é um terreno fértil para a veia empreendedora do brasileiro. Existem várias empresas especializadas em ajudar indivíduos que desejam abrir negócio em terras britânicas, e há até um órgão oficial do governo com o objetivo de promover start-ups no país, o Uk Trade & Investment Brazil (UKTI).


“Londres é uma capital internacional de serviços, tanto financeiros como de várias outras categorias - criativos, tecnológicos, artísticos, turísticos, entre outros. Além disso, o Reino Unido vem atravessando, já por alguns anos, uma fase econômica bastante favorável”, diz Rodrigo Scaff, diretor da Suriana, empresa especializada em marketing e desenvolvimento de negócios internacionais


A Suriana, que tem escritório em Londres e São Paulo, ajuda o cliente a construir uma estratégia de expansão internacional e atende brasileiros que desejam investir no exterior.
“O Reino Unido me parece um destino bastante atrativo para empreendedores que buscam mercado sofisticado e exigente, no qual o sucesso pode significar um grande passo para a globalização da marca”.


Órgão do governo britânico ajuda empresas brasileiras a investir no país


O Uk Trade & Investment procura empresas brasileiras dos setores de serviços financeiros, tecnologia, varejo, alimentos e bebidas e serviços profissionais interessados em investir no Reino Unido. O UKTI trabalha apenas com empresas e pessoas físicas estabelecidas no Brasil.


“Por ser porta de entrada para a Europa, o Reino Unido é uma excelente plataforma global para empresas de todos os setores”, explica o órgão, que funciona na Embaixada britânica em Brasília e nos consulados de Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.


Segundo o UK Trade & Investment, o empresário que deseja abrir ou expandir negócio no Reino Unido deve fazer um plano de internacionalização para os três primeiros anos de investimento. Além disso é preciso estudar o setor do negócio, recursos financeiros e humanos e marketing.


“É importante buscar o máximo de informações de organizações como o UKTI e entrar em contato com empreendedores que já passaram pelo processo. O planejamento é a chave para o sucesso da empresa no exterior. Empresas brasileiras, uma vez estabelecidas no Reino Unido, possuem apoio do UKTI para continuar crescendo no país e também exportar para mais de 100 mercados no mundo”, afirma o órgão.


Outra dica aos empreendedores que buscam se estabelecer no Reino Unido é procurar a Tech City, região no leste de Londres que reúne empresas tecnológicas inovadoras. O centro, fundado em 2008, tinha apenas 15 start-ups quando começou e agora, mais de 500.


O UKTI realiza duas missões no ano, uma para empresas de tecnologia, no primeiro semestre, e outra multissetorial, no segundo. Além disso organiza workshops para ajudar brasileiros que querem abrir negócio no Reino Unido.


Entre os dias 19 e 23 de outubro, o UKTI promoveu a missão The Week, que trouxe 22 representantes de 14 empresas brasileiras para o Reino Unido. “Durante a semana, os empresários participaram de eventos de networking e seminário técnico sobre como abrir uma empresa e o ambiente de negócios britânico. Também tiveram tempo livre para prospectar clientes e visitar potenciais localidades para seus escritórios”, afirma o órgão. Participaram empresas dos setores de tecnologia, indústria criativa, alimentos e bebidas e serviços.


Aparentemente, o setor de serviços é um dos mais promissores para investir em Londres, assim como empresas ligadas ao setor de luxo, alimentação e lazer, que nesse caso também devem olhar com carinho para outras partes do Reino Unido. Mas quem tem um pouco mais de experi, a burocracia no Reino Unido é menor do que no Brasil e o sistema tributário de fácil entendimento.


No Reino Unido, o imposto de renda de pessoas jurídicas é de 20%, contra 35% no Brasil. Além disso há incentivos fiscais para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento. “A necessidade de capital dependerá muito das caraterísticas da empresa. Um prestador de serviços costuma, na maioria dos casos, ter a opção de começar com uma estrutura menor e depois aumentar investimentos ao longo da evolução das atividades, já alguém ligado aos setores de restaurantes ou varejo, por exemplo, terá que lidar com a busca de um ponto comercial, o que em Londres pode significar um investimento de peso desde o início”, explica Scaff.


Mas os especialistas alertam que é muito importante a empresa ser realista em suas projeções financeiras para não correr risco de iniciar algo que não se sustentará. “Entrar num país novo requer algum nível de investimento, e muitas vezes as primeiras receitas demoram a surgir. É importante ter algum nível de certeza de que a empresa pode se manter durante tal período”, orienta Scaff.


Visto para empreendedores


O Reino Unido tem hoje um visto especial para investidores e empreendedores. No primeiro caso, o valor mínimo é de £ 2 milhões, a ser investidos em títulos do governo britânico, papéis de dívidas de empresas privadas ou ações de companhias registradas e negociadas na Bolsa de Valores. No segundo caso, o valor mínimo é de £ 200 mil, a ser aplicados num negócio já existente ou na abertura de nova empresa.


Dicas para o empreendedor


• Não economizar tempo e energia ao planejar o negócio.
• Estudar o ambiente de negócios britânico (concorrência, consumidores, canais de venda, costumes e cultura de negócios).
• Fazer planejamento para os três anos iniciais.
• Consultar um especialista.
• Fazer levantamento de documentos solicitados e avaliar o tipo de visto necessário.
• Participar de grupos e eventos sobre negócios e consultar pessoas que já empreenderam no Reino Unido.
• Dar preferência a bancos com presença nos dois países e que possam verificar seu histórico financeiro. O Reino Unido tem uma regulação forte contra lavagem de dinheiro.