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Número portugueses no Reino Unido dobra em 4 anos, diz organização

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(LONDRES) Por Denis Kuck - Não é difícil encontrar um mercado ou um restaurante português pelas ruas de Londres. O número de imigrantes lusitanos no Reino Unido sempre foi grande. Mas segundo o grupo Migrantes Unidos praticamente dobrou nos últimos quatro anos devido à crise econômica que atingiu Portugal, e que só agora dá sinais de arrefecimento.


De acordo com a organização, 30 mil portugueses chegam anualmente no Reino Unido desde 2011. “Calculamos em cerca de 300 mil, dos quais pelo menos 100 mil vivem em Londres. Desses, cerca de 120 mil chegaram nos últimos quatro anos”, afirma Paulo Costa, um dos responsáveis da organização.


Segundo os Migrantes Unidos, o perfil desse imigrante é muito variado: “Há grupos recentes numerosos, como enfermeiros e técnicos, técnicos em informática, estudantes e investigadores. Há também recentemente muitos portugueses a fugir da crise e sem especializações, e que vão em grande número trabalhar na hotelaria, restauração, aeroportos e fábricas fora de Londres”.


A organização tem como objetivo unir a comunidade, promover a cultura do país e melhorar a vida dos imigrantes. Os Migrantes Unidos já realizaram debates sobre os sistemas eleitorais ingleses, portugueses e europeus, campanhas pelo recenseamento, jantares comemorativos do 25 de Abril (data da Revolução dos Cravos), manifestações pela melhoria dos serviços consulares e reuniões com as Comissões Eleitorais britânica e portuguesa pelo aperfeiçoamento dos sistemas de voto.


Dentre os problemas da comunidade, Costa diz que um dos principais é o serviço prestado pelo Consulado de Portugal. Segundo os Migrantes Unidos, o órgão mantém contato frequente com a comunidade, mas não tem recursos para atender toda a demanda. De acordo com o grupo, uma consulta pode levar até três meses.


“Há uma insatisfação generalizada com serviços consulares e descontentamento pelos processos de recenseamento e voto, havendo pedidos cada vez mais numerosos pelo voto eletrônico”. Além disso, Costa diz que alguns imigrantes chegam ao Reino Unido sem condições para sobreviver e não recebem apoio.
Os Migrantes Unidos criticam ainda o atual método de recenseamento feito pelo governo português, realizado presencialmente nos consulados de Londres e Manchester. Por isso, apesar de o número de imigrantes ter duplicado, existem apenas cerca de duas mil pessoas com título de eleitor no Reino Unido.


“Houve um desastre completo na votação para o Conselho das Comunidades Portuguesas, que mais uma vez foi presencial nos consulados. Votaram apenas 38 pessoas. Para o Parlamento votaram mais, porém de qualquer modo há uma enorme falta de participação política. Isso no nosso entender deve-se às complicações dos processos existentes”, afirma Costa.


O centro da comunidade é o bairro de Lambeth, com cafés, restaurantes e igrejas portuguesas, e onde os imigrantes se reúnem para assistir ao futebol. Sobre a crise econômica, Paulo Costa não é otimista nem pessimista.


“A situação em Portugal não está pior, mas não está melhor. Continua a haver muito desemprego e salários baixos, o que estimula a imigração. O Reino Unido é muito procurado, porque o inglês é a primeira língua estrangeira que se aprende na escola, e há muitos empregos por aqui”, afirma.


Mas, apesar de tudo, a imigração portuguesa tem grande vantagem em relação à brasileira ou de países como Angola e Moçambique: a distância até Londres. Costa diz que o retorno definitivo ao país depende da evolução da economia, mas o fato de o país estar na Europa facilita muito.


“Portugal está perto, e com as low-costs é barato voltar para visitas. Muitos voltarão se tiverem oportunidade, outros já não pensam em regressar”, diz.


“Também somos portugueses” pede alteração das leis eleitorais


Mais um grupo de imigrantes pede a alteração das atuais leis eleitorais para os cidadãos que vivem no exterior. Recentemente, foi criado a campanha “Também somos portugueses”, que lançou em 14 de novembro uma petição para exigir mudanças em relação à legislação vigente.


O grupo pede o recenseamento eleitoral automático quando houver mudança para o exterior registrada no Cartão do Cidadão; recenseamento via correio e online para quem mora fora de Portugal; e introdução de voto eletrônico para os cidadãos que vivem no exterior.


Atualmente, os portugueses que vivem no Reino Unido precisam ir até algum consulado para fazer o recenseamento eleitoral e poder votar. Dentro de Portugal, quando cidadãos mudam de endereço o cadastro no sistema é feito automaticamente.


“Muitos imigrantes precisam percorrer longas distâncias e perder dias de trabalho. Um desincentivo à cidadania. Imigrantes também são portugueses. As mudanças vão beneficar a todos que vivem no exterior”, afirma o grupo. O movimento está recolhendo assinaturas para serem entregues às autoridades. O site da campanha é http://www.tambemsomosportugueses.org/.