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ONG brasileira em Londres critica atuação do Consulado frente ao número crescente de imigrantes no Reino Unido

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LONDRES - Representantes da organização Casa do Brasil estiveram recentemente em Brasília para uma série de encontros, incluindo com a ministra Luiza Lopes, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior do Ministério das Relações Exteriores.


A ideia da ONG foi levar diretamente ao país a realidade dos brasileiros que procuram a instituição em Londres por falta de apoio consular, comenta Carlos Mellinger, presidente da ONG.


A organização, que desde 2009 auxilia a comunidade brasileira que vive no Reino Unido, afirma que a imigração de brasileiros neste país aumentou de modo significativo recentemente. De acordo com o representante da instituição, o Consulado do Brasil em Londres não tem ideia de números reais de imigração e acaba por não ter capacidade de atender toda a demanda por serviços da comunidade.


Segundo cálculos do presidente da ONG vivem no Reino Unido cerca de 350 mil brasileiros (300 mil em Londres), incluindo ilegais e cidadãos com dupla nacionalidade.


“Em 2006, um informe da polícia britânica calculou o número de brasileiros em 160 mil. Mas houve um aumento da imigração para o Reino Unido em 2008 e, agora, uma nova diáspora de crescimento absurdo, por causa da crise econômica e questões de segurança. O número de pessoas que vem à associação pedir ajuda disparou”, explica Carlos.


De acordo com a Casa do Brasil, o Consulado não envia informes realistas sobre a situação da comunidade brasileira e nem oferece os serviços de que os imigrantes necessitam. “É muito difícil marcar um horário no consulado. Todos os dias escuto queixas de muitas pessoas sobre isso. O pior é em relação a serviços urgentes, como legalização de procuração”, diz Mellinger.


Como resultado das conversas, a instituição afirmou que o governo brasileiro se comprometeu a buscar meios para desburocratizar o financiamento da casa própria para cidadãos no exterior. Também pode ser estudada uma maneira de negociar com o governo britânico para que a carteira de motorista brasileira possa ser equivalente. “O Denatran aceita o inverso, mas não há reciprocidade”, reclama Mellinger.


Consulado diz que serviços estão sendo otimizados


“A comunidade de brasileiros no Reino Unido é a maior da Europa, a segunda maior do mundo e não tem representação política eficiente. O governo precisa ouvir do que os brasileiros necessitam. Às vezes são coisas simples de melhorar”, diz Mellinger.


Procurado pelo Brazilian News, o Consulado-Geral em Londres disse que de fato não há número oficial do governo brasileiro sobre o tamanho da comunidade no Reino Unido, e que acaba por se basear nos números do Home Office.


“Diversas são as dificuldades para obtenção de números precisos, como por exemplo o fato de que nem todos os brasileiros procuram serviços do Consulado. Ademais há de ser considerado que diversos cidadãos entram no Reino Unido com nacionalidade diversa da brasileira. Isso impede que o próprio Home Office tenha números precisos”, afirma o órgão.


O Consulado afirma ainda que, com “base em informações obtidas em reuniões com Home Office e tendo em vista cálculos realizados à época das eleições presidenciais no ano passado, estimativas não oficiais sugerem algo entre 140 e 150 mil pessoas”.


Sobre os serviços prestados, o Consulado-Geral diz que tem plena consciência de que a demanda pelos serviços é grande. “A fim de atender à comunidade se tem buscado gradativamente otimizar processos internos. O objetivo é oferecer mais serviços de qualidade em menos tempo. A introdução do sistema de agendamento on-line em substituição às longas filas é um exemplo; a ampliação dos serviços pelo correio, que permite atualmente emitir um passaporte em poucos dias é outro. Cabe lembrar o esforço de divulgação feito pelo Consulado tanto por meio do site oficial quanto pelo perfil institucional de Facebook”, afirma o órgão.


Além disso o Consulado-Geral em Londres garante que está em constante contato com o Ministério das Relações Exteriores e suas divisões consulares: “São enviados regularmente relatórios com os volumes de serviços consulares prestados, bem como relatórios de ouvidoria consular, que abordam as centenas de consultas e comentários enviados pelos cidadãos”.