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Cultura & Lazer

Dois motivos brasileiros para ir ao London Jazz Festival

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Elis

(LONDRES) Denis Kuck - Apreciadores da música brasileira têm dois motivos para reservarem seus lugares no London Jazz Festival. No dia 19 de novembro (quinta-feira) o músico inglês Earl Okin apresenta no The Pheasantry o show “Peggy, Mel e João” – um tributo a três de seus heróis, Peggy Lee, Mel Torme e o criador da Bossa Nova, João Gilberto. No dia 22 de novembro (domingo), no Royal Albert Hall, é a vez da cantora irlandesa Christine Tobin fazer o show “I Love Elis”, uma homenagem a Elis Regina.


Earl Okin, amigo do Jô e fã de João Gilberto


Earl Okin é uma figura. O cara anda sempre de fraque, toca vários instrumentos, faz imitação perfeita de trompete com a boca (a qual costuma mostrar em seus shows), gravou o primeiro single no estúdio Abbey Road, dos Beatles, e tem versões Bossa Nova de canções do Nirvana. Além disso, mora na folclórica Nothing Hill, é comediante (com várias apresentações no currículo), foi professor, excursionou com Paul McCartney e é apaixonado pelo Brasil. Até no Programa do Jô, ele foi.


“Escutei Bossa Nova pela primeira vez através de Peggy Lee (cantora de jazz americana) e comecei a tentar escrever canções no estilo na década de 60. Depois encontrei brasileiros, que me mostraram a forma correta de tocar o ritmo”, explica Earl para o Brazilian News.


O músico conta que descobriu João Gilberto quando comprou o famoso álbum Getz/Gilberto (1964). Earl se apaixonou pelo ritmo, pela maneira de cantar do brasileiro e se tornou seu fã. “Você tem que dar duro para entrar na pele da Bossa Nova. Ainda estou trabalhando para isso”, afirmou Earl.


Frequentador assíduo do Programa do Jô


Para o show no London Jazz Festival, o inglês promete interpretar canções (acompanhado apenas do piano ou violão) de João Gilberto, Peggy Lee, Mel Torme e contar histórias sobre os três ídolos.
“Fico fascinado pela maravilhosa mistura de acordes e melodias líricas de Tom Jobim, com fraseado e escolha de acordes de violão de João, o que define a Bossa Nova. João Gilberto está para o ritmo assim como Louis Armstrong está para o jazz, João inventou o estilo, uma nova maneira de tocar samba”, explica Earl sobre sua paixão.


Embora o ritmo criado no Rio de Janeiro dos anos 50 seja o favorito do músico, ele também se interessa por chorinho e artistas brasileiros como Mário Reis, Dolores Duran, Dalva de Oliveira e Elis Regina. Earl Okin esteve pela primeira vez no Brasil em 1975, quando inclusive conheceu e cantou ao lado da cantora gaúcha.


Em 1990, Okin encontrou-se com Gal Gosta e depois voltou diversas vezes ao país, onde fez muitos shows. “Eu fui no Jô pelo menos três vezes. É um grande programa. Ele sempre pedia para eu tocar uma música boba, que gravei uma vez, chamada ‘A Dança das Bundas’”, orgulha-se.


Para o futuro, o músico diz que sonha tornar-se embaixador cultural do Reino Unido no Brasil durante os Jogos Olímpicos de 2016. “Londres teve suas Olimpíadas. Agora, o Rio. Escrevo canções britânicas também. As pessoas me chamam de ‘o inglês com coração brasileiro’, portanto, adoraria ser embaixador cultural dos Jogos”, brinca. Para alcançar o posto, no entanto, ele precisa melhorar o português, que está “muito ruim”, admite.


O endereço do London Pheasantry é 152 King’s Road, SW3 4UT. O show está programado para começar às 20h30. O valor da entrada é £ 12.


Christine Tobin canta “I love Elis”


“Eu nunca estive no Brasil, exceto em meus sonhos. Mas quem sabe um dia não cante por lá”, afirma a cantora Christine Tobin para o Brazilian News. Apesar de nunca ter pisado no país, sua ligação com a música brasileira é fortíssima.


“Um dos primeiros discos que comprei foi do Egberto Gismonti, ‘Dança das Cabeças’. Gostei de tudo nesse álbum. Foi a primeira vez que escutei música brasileira e adorei a mistura de virtuosismo e improvisação”.


A irlandesa diz que a partir do álbum de Egberto conheceu também a música de Naná Vasconcelos: “Naquela época eu tinha uma banda em Londres com o baterista e produtor Steve Arguelles, e quando disse como tinha gostado de ‘Dança das Cabeças’, ele me sugeriu escutar Elis Regina. Steve me deu o álbum ‘Essa Mulher’ e imediatamente me apaixonei por seu estilo”.


Mas enquanto não se apresenta no Brasil, no show do Albert Hall Christine interpretará algumas de suas canções favoritas gravadas pela cantora gaúcha. “Eu escolhi dez músicas que eu amo e são, na maioria, de dois de seus álbuns, ‘Elis & Tom’ e ‘Essa Mulher’”.


Na lista estão “Pé sem Cabeça”, “Bolero de Satã”, “Águas de Março”, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Retrato em Branco e Preto” e “Só Tinha que Ser com Você”. Christine tocará ao lado de Kate Shortt, no cello; Phil Robson, guitarra; Mark Lewandowski, baixo.


Hermeto, Egberto, Milton e Elis


Todas as músicas são cantadas em português, com exceção de “Águas de Março” (Waters Of March). Embora não fale a língua, Christine contou com a ajuda da cantora brasileira Monica Vasconcelos, que vive em Londres, para entender as letras e pronunciar as palavras corretamente.


“Eu acho importante cantar as músicas na língua original, parte fundamental da canção e de seu ritmo. As canções de amor de repertório de Elis são apaixonantes, românticas e poéticas. Há também as músicas que falam da condição de vida das pessoas, como ‘Morro Velho’ e ‘Canção de Sal’, de Milton Nascimento. É um prazer cantar músicas cheias de humanidade e amor”.


Além de Elis, a cantor irlandesa diz que tem escutado Hermeto Pascoal. Christine conta que trocou de casa recentemente e reencontrou álbuns do instrumentista na mudança. Hermeto, Milton, Egberto e Elis são suas maiores influências na música brasileira. Um quarteto de respeito.


“A música brasileira combina as melhores harmonias e ritmos. Parece que destilou os melhores ingredientes de toda sua diversidade cultural e seu passado para criar um som extremamente sofisticado”, explica a irlandesa.


O endereço do Royal Albert Hall é Kensigton Gore, SW7 2AP. O show está programado para começar às 21h45. O valor da entrada é £ 23,95.