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Cameron descarta imposto sobre açúcar para combater obesidade

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(LONDRES) Da redação - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, descartou a possibilidade de o Reino Unido adotar um imposto sobre o açúcar. Segundo ele, “existem formas mais eficazes para lutar contra a obesidade”. Sua decisão, apesar de um relatório do governo divulgado recentemente afirma que um imposto sobre bebidas e alimentos açucarados ajudaria a combater a obesidade no país e diminuir a demanda por esse tipo de produtos.
As palavras do primeiro-ministro frustram os esforços de ativistas da saúde, para quem a taxa poderia evitar “uma crise no aumento da obesidade”. Downing Street já havia confirmado anteriormente que o chefe de governo não tinha planos de introduzir o imposto, pois existiriam outras formas de lidar com o problema.
A notícia foi um golpe também para o famoso chef Jamie Oliver, que pediu na semana passada para que Cameron “fosse corajoso” e “demonstrasse autoridade”. O cozinheiro é um notório defensor do imposto sobre o açúcar.


O prefeito de Londres, Boris Johnson afirmou que estava “considerando seriamente” a introdução da taxa na cidade. O ex-ministro da Saúde Dan Poulter, por sua vez, disse que a medida era “cada vez mais convincente”.


Um porta-voz de David Cameron explicou que a estratégia para combater a obesidade infantil, que seria lançada em dezembro, só será divulgada no início do ano que vem.
Obesidade X Direito de escolha


O imposto gerou polêmica entre os britânicos. Em cartas para os jornais locais e redes sociais, muitos afirmaram que a medida podia ser boa para tornar a população mais saudável. Os defensores da taxa disseram ainda que produtos novicos à saúde, como cigarros e bebidas, também têm impostos.


Já os detratores da lei argumentaram que o fato de existir pessoas obesas não poderiam prejudicar o direito de escolha do restante da população. Há ainda os fatores econômicos, pois as empresas de alimentos seriam prejudicadas e com isso o crescimento do país diminuiria.


Especialistas alertam que o excesso de açúcar na alimentação pode sobrecarregar o pâncreas, desregular a produção de insulina e provocar diabetes. Além disso a obesidade aumenta o risco de doenças graves como hipertensão e outros problemas cardíacos.
O sistema de saúde britânico afirma que a população do país retira entre 12% a 15% de sua energia para o funcionamento do corpo do açúcar, mas o ideal seria menos de 5%.
Para combater a obesidade, o Public Health England sugere um imposto entre 10% e 20% sobre o açúcar, diminuir a propaganda de alimentos e bebidas ricos em açúcar e combater o excesso de promoções dos supermercados.