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Connection Day

Connection Day reúne empreendedores e público latino em Londres

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(LONDRES) Denis Kuck - A primeira edição da feira de negócios Connection Day, ocorrida sábado (26) no Central Hall Westminster, reuniu empresários e público e foi uma oportunidade única para aproximar empreendedores e divulgar serviços às comunidades brasileira, portuguesa e hispânica do Reino Unido.


O evento contou com palestras sobre questões como imigração, estudo, marketing, importação e exportação; apresentações culturais de capoeira e danças típicas; estandes de 30 expositores das mais variadas marcas.


Entre os expositores e o público, a tônica geral foi que Londres precisava de uma iniciativa como essa, capaz de reunir num único espaço a diversidade de negócios de uma comunidade forte e empreendedora.


“O Connection Day é muito importante. Existe um potencial de negócios enorme e todos só têm a ganhar ao trabalhar em conjunto”, afirmou o presidente da Câmara de Comércio Portuguesa em Londres, Bernardo Ivo Cruz, que apresentou a palestra sobre o mercado de importação e exportação entre América Latina e Europa, em português.


Quem visitou o evento aproveitou para se integrar à comunidade, como o profissional de educação física Moises da Silva, de São Paulo. Para ele, a feira foi uma ótima oportunidade de conhecer os negócios brasileiros existentes no Reino Unido. “No mesmo lugar, tinha um pouco de cada coisa, imigração, beleza, cursos de inglês, assessoria jurídica. Achei bastante positivo.”


De vistos a abrir um negócio: palestras tiram dúvidas do dia a dia


Mais do que simples conferências, as palestras ocorridas ao longo do Connection Day foram um espaço para o imigrante no Reino Unido adquirir informações valiosas para o dia a dia. Questões importantes foram abordadas, tais como problemas para obtenção de vistos, estudos e alcançar sucesso ao abrir o próprio negócio.


A coach de carreira Siomara Jubert explicou como elaborar um currículo para conquistar uma vaga de trabalho. Segundo ela, os empregadores recebem centenas de propostas, por isso um bom currículo precisa impressionar logo nos primeiros dez segundos de leitura. “O Connection Day é um evento que estava fazendo falta. Alguns imigrantes, como ocorreu comigo, acabaram se desconectando da comunidade brasileira nos primeiros anos de vida no exterior. A feira é uma oportunidade de integração”, disse Siomara.


O presidente da Câmara Portuguesa de Comércio em Londres, Bernado Ivo Cruz, afirmou em sua palestra que a melhor maneira para se iniciar um negócio de importação e exportação no Reino Unido nem sempre é fácil. Segundo ele, no lugar de fazer o caminho direto entre Londres e Brasil, o ideal é que exista um país ponte, no caso Portugal, com quem a comunidade tem muitas afinidades e tratados de tributação e previdência. “Portugal é uma plataforma que deveria ser mais explorada principalmente em empreendimentos intelectuais e de serviços”, afirmou o presidente da Câmara de Comércio.


A questão dos vistos é sempre um ponto de preocupação. Humberto Ferrini, gerente de imigração da London Help4You, disse que o brasileiro que teve o direito de permanência negado não deve desistir e pode tentar novamente. “É muito comum isso ocorrer principalmente por aplicações de vistos malfeitas”, comentou.


Para quem deseja abrir o próprio negócio, o empresário Rafael Santos deu dicas importantes. Segundo o consultor de empreendedorismo, é preciso focar num tipo de produto e, numa etapa inicial, oferecer algo gratuitamente para fortalecer a marca. “É muito bom ver que temos essa grande comunidade empreendedora de brasileiros e demais latino-americanos”, comemorou Rafael.


Expositores elogiam possibilidade de troca entre empresários


Além da interação com o público, expositores que participaram da primeira edição do Connection Day elogiaram a possibilidade de contato e aproximação com outros empreendedores.


Para o administrador do café e restaurante Made in Brazil, Renato Paziani, a feira foi importante para aumentar sua rede de contatos. “Estou há 11 anos aqui e mesmo assim encontrei gente que não conhecia”. Segundo Renato, o evento também foi bom para expandir a marca ao público latino em geral. “Não podemos viver num gueto, só do Brasil. Esse contato com o público e empreendedores de outros países é muito legal.”


Fábio Barreiros, administrador do Café Sintra, afirmou que o evento foi bom para tornar a marca mais conhecida. “Já temos um público português grande, mas também vendemos produtos brasileiros, como paçoca, guaraná e feijão, e na feira conseguimos chegar a esse público.”


O criador do portal eLondres, que reúne informações para ajudar o imigrante brasileiro na capital britânica, afirmou que o evento é uma iniciativa. “Nunca tinha visto um evento desse porte. Foi muito válido e devemos fazer outros. O público pode conhecer serviços e empresas que não conhecia.”


Para Jay Neto, gerente do salão de beleza da Silva, o Connection Day é uma valiosa ferramenta de networking. “As empresas podem trocar experiências e ajudar umas as outras.”


Para empresas que oferecem serviço de recrutamento, por exemplo, e que não tinham contato direto com o público, o evento é uma oportunidade de aproximação. “É interessante termos esse diálogo com as pessoas com quem falamos”, disse Margarida Martin, consultora da CAS Recruitment.


Segundo Juliano Uliano, analista de marketing da Small Word LCC, o Connection Day foi bastante positivo para ampliar o leque de clientes da marca. “Trabalhamos com transferência de dinheiro para o exterior, portanto, todos na feira são alvo em potencial, tanto brasileiros como a comunidade latina em geral.”


Outra qualidade da feira foi colocar o público em contato com serviços importantes, mas que muitas vezes o imigrante não tem conhecimento. Um exemplo é o serviço de repatriação funerária fornecido pela Albin. “Fazemos um serviço de qualidade e confiabilidade num momento delicado. Ninguém quer sofrer com imprevistos numa hora como essa”, afirmou o diretor da empresa, Emerson de Luca.


Outra questão importante para o imigrante é a adaptação, pois a vida fora do país pode ser bastante difícil. A psicóloga portuguesa Marta Pires, uma das expositoras do Connection Day, fornece tratamento para quem sofre de problemas como depressão. “O primeiro ano fora do país é o mais difícil, de transição, principalmente se a pessoa chega no fim do ano, quando Londres fica mais escura”, alerta a profissional.


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Público elogia iniciativa


O público, que participou da primeira edição do Connection Day, saiu com uma impressão positiva. Foi o caso, por exemplo, do chef português Carlos Izidoro, que elogiou a capacidade da feira em reunir num só local diversas empresas e serviços. “Ajuda a conhecer o mercado. Saio duplamente satisfeito, pois consegui o serviço que queria e ainda estabeleci parcerias”, afirmou o chef, que foi ao evento acompanhado da esposa, a dentista brasileira Ana Izidoro.


O designer português Steve Fernandes, que também tem cidadania americana, disse que o Connection Day foi muito bom para ampliar redes de contato. “O evento deve continuar e crescer nas próximas edições.”


Para o casal de empresários brasileiros, Luciana Basani e Junior Cesar dos Santos, a feira foi uma chance de o público ter acesso a vários tipos de negócios num só local. “É interessante para quem busca uma oportunidade, pode abrir caminhos”, afirmou Junior.


Segundo o representante de vendas Paulo Rogério Santo André, o Connection Day também foi uma ferramenta para o brasileiro, que busca soluções ou deseja abrir o próprio negócio. “A feira aponta um caminho. É interessante para consolidar a relação da comunidade e serve para ajudar quem busca novos horizontes ou passa por alguma dificuldade.”