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Nova exposição do Tate Modern destaca artistas brasileiros

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Morrem Tantos Homes e Eu Tao Aqui So (Vietnam series), 1968, by Teresinha Soares

(LONDRES) Da redação - “The World Goes Pop” exibe obras que refletem os contextos sociopolíticos em que foram produzidas, como a ditadura no Brasil


Uma das maiores exposições de arte do ano em Londres tem o Brasil em destaque. Obras de oito artistas brasileiros integram a mostra “The EY Exhibition: The World Goes Pop”, que abriu na semana passada no Tate Modern e vai até janeiro de 2016. O foco da exposição é como o movimento da pop art, surgido nos anos 60, foi expresso ao redor do mundo, especialmente no que se refere aos contextos sociopolíticos em que as obras foram produzidas.
A coleção inclui obras de 64 artistas, oriundos de 28 países. A ideia principal da mostra é brincar com a concepção de que o pop art foi um tema essencialmente americano. Na verdade, começou no Reino Unido, e acabou por se espalhar pela Alemanha, Japão, Hungria e Argentina. No Brasil, o movimento também teve grande expressão, com artistas opondo-se abertamente à hegemonia americana e ao regime militar vigente na época.
Nas galerias do Tate Modern é possível apreciar obras dos artistas brasileiros Antonio Dias, Anna Maria Maiolino, Teresinha Soares, Claudio Tozzi e Marcello Nitsche, além dos já falecidos Raymundo Colares, Wesley Duke Lee e Glauco Rodrigues.


ARTISTAS BRASILEIROS PRESENTES NA MOSTRA


Raymundo Colares (1944-1986)
Pintor, desenhista e professor mineiro. Participou de mostras no MAM/Rio, produziu gibis, explorou as cores, dobraduras do papel e a tridimensionalidade desde a década de 60. Ganhou o Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Arte Moderna em 1970, iniciando uma trajetória por Nova York, Trento e Milão.


Antonio Dias
Artista plástico e multimídia nascido em Campina Grande (PB) em 1944. Estudou, morou e trabalhou em Paris, Milão, Nova York, Berlim, Salzburgo e no Nepal, onde aprendeu técnicas de fabricação de papel. Participou da 39° Bienal de Veneza e a XVI Bienal de São Paulo. Uma de suas características é o uso de papel artesanal, integrando a textura e a cor em suas obras.


Wesley Duke Lee (1931-2010)
Descendente de família americana, o artista plástico nascido em São Paulo estudou em Nova York, onde entrou em contato com a pop art. Participou da fundação do Grupo Rex, uma reação combativa e bem-humorada ao mercado de artes na década de 1960. Foi um dos primeiros voluntários para testes sobre os efeitos do LSD, em São Paulo – a experiência resultou nas séries “Lisérgica” e “Da Formação de um Povo”, ambas dotadas de forte carga política contra o regime militar que se instalava no país.


Anna Maria Maiolino
Artista brasileira que vive e trabalha em São Paulo. Nasceu em Scalea, na Itália, em 1942. Participou do movimento Nova Figuração e integrou a mostra Nova Objetividade Brasileira no MAM/Rio, onde assinou o manifesto “Declaração de Princípios Básicos da Vanguarda”. Na década de 1970 dedicou-e à experimentação e utilização de diversas mídias, como poesia escrita, filme super 8, performance, fotografia, desenho, pintura, gravura, escultura e vídeo.


Glauco Rodrigues (1929-2004)
Pintor, desenhista e gravador gaúcho (de Bagé), começou a pintar em 1945. Em Porto Alegre, criou o Clube da Gravura. Realizou exposições individuais em Roma, Munique, Stuttgart e Frankfurt. Em 1980 pintou o quadro “A Primeira Missa no Brasil”, oferecido pelo governo brasileiro ao Papa João Paulo II. É o autor do painel em mosaico na entrada da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.


Teresinha Soares
Pintora, desenhista e gravadora nascida em Araxá (MG) em 1937. Estudou artes plásticas na Escola Guignard de Belo Horizonte, gravura no MAM/RJ e na Escola de Belas Artes da UFMG. Editou a peça infantil “Luno e Lunika no País do Futuro”, encenada no Teatro Copacabana Palace/RJ. Em 1971 realizou a primeira performance da cidade no Palácio das Artes na capital mineira.


Claudio Tozzi
Pintor, desenhista e programador visual paulista, nascido em 1944. Ganhou o concurso para o cartaz do XI Salão Paulista de Arte Moderna. Na Europa, realizou a série “Astronautas e Parafusos”, com gravuras, objetos e pinturas. Fez também estudos com a cor, o pigmento e a luz, e recebeu diversos prêmios, Temas urbanos e conflitos sociais são predominantes em sua obra.


Marcello Nitsche
Pintor, artista multimídia, escultor, desenhista, gravador e professor paulista, nascido em 1942. Algumas de suas esculturas se encontram em espaços públicos famosos, como “Garatuja” na Praça da Sé, e “Pincelada Tridimensional”, no Parque da Luz, ambas em São Paulo. Suas obras fazem parte de alguns dos mais importantes museus do Brasi.


SERVIÇO
The EY Exhibition: The World Goes Pop
Tate Modern (Bankside, SE1 9TG)
Até 24 de janeiro, diariamente das 10h às 18h (sexta e sábado até 22h)
Ingresso: £ 16 (www.tate.org.uk)