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Brasil e 31 empresas, incluindo Petrobras, perdem grau de investimento

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(LONDRES) Da redação - A Standard & Poor's (S&P) rebaixou a nota de 31 empresas – entre elas a Petrobras, que perdeu o grau de investimento – e de outras 13 instituições financeiras, das quais 11 perderam o selo de bom pagador. A ação de “rating” foi um desdobramento direto do rebaixamento da nota de crédito soberano do Brasil, também anunciado na semana passada, que fez o país perder o selo de bom pagador na classificação da S&P.
Segundo a agência, as novas notas refletem a visão da S&P de que as empresas estão atualmente com o número máximo de "degraus" de diferença acima da nota do país. Sete das 31 companhias mantiveram o grau de investimento porque existe uma “distância máxima” que pode ser mantida em relação ao rating do país, rebaixado para BB+. Entre elas estão Ambev, Votorantim e Globo – que hoje está dois degraus acima da nota do Brasil


Dívida da Petrobras
A nota da Petrobras foi rebaixada em dois níveis, de "BBB-" para "BB", com perspectiva negativa. A estatal está agora na categoria especulativa.
Em comunicado, a S&P disse que a perspectiva negativa aplicada à dívida da Petrobras – que abre a possibilidade de outro rebaixamento no futuro – é um reflexo da situação política e econômica do país. "Vamos continuar avaliando a qualidade de crédito das empresas em uma base contínua em vista da enfraquecida qualidade do crédito soberano e de perspectivas macroeconômicas mais fracas”, afirmou a S&P.
Em teleconferência com jornalistas mais cedo, analistas da S&P já tinham sinalizado que a Petrobras corria o risco de perder o grau de investimento e ter a sua dívida rebaixada para a categoria especulativa. Segundo a agência, o Brasil precisa mostrar sólido e consistente comprometimento para reverter a sua situação e voltar a ter grau de investimento.
Em comunicado, a Petrobras afirmou que a financiabilidade dos projetos da companhia, no médio prazo, foi alcançada por meio de financiamentos captados neste ano com instituições financeiras no Brasil e exterior. "A companhia esclarece, ainda, que seus financiamentos não possuem cláusulas atreladas ao rating das agências classificadoras de risco, ou seja, a reclassificação não provocará alterações nos contratos vigentes", informou a estatal.


Agência levou multa bilionária


No início do ano, a S&P foi ré em um processo movido pelo Departamento de Justiça dos EUA, que acusou a agência de ter mascarado o grau de risco de investimentos nos chamados papéis “subprime”, os vilões da crise financeira desencadeada em 2008. Segundo as acusações, a empresa teria propositalmente ocultado chances de prejuízos.
Em um acordo extrajudicial anunciado em 3 de fevereiro, a S&P concordou em pagar ao Tesouro americano o equivalente a quase US$ 1,4 bilhão. O episódio reacendeu o debate sobre a credibilidade das agências de classificação de risco e os possíveis conflitos de interesse envolvendo suas atividades.
Basicamente, a S&P e outras agências semelhantes como Moody's e Fitch são empresas que avaliam, entre outras questões, a capacidade que uma empresa ou país tem de pagar suas dívidas.