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Britânicos saúdam sua Rainha mais longeva

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(LONDRES) Por Rodrigo Santos - Elizabeth II torna-se a monarca com reinado mais longo da história do Reino Unido, ultrapassando os 63 anos e 20 dias da Rainha Vitória


Ela não quer festa, mas os britânicos não vão deixar passar uma data tão especial em sua História. Nesta quarta-feira, 9 de setembro, mais precisamente às 17h30, a Rainha Elizabeth II supera o legado da Rainha Vitória e se torna a monarca mais longeva da Inglaterra, com 63 anos e 21 dias de reinado.
Fontes do Palácio de Buckingham dizem que a Rainha não deseja celebrar o feito, pois seria como fazer cálculos em cima da morte do pai e de sua tataravó. Ao invés de celebrar, Sua Majestade vai passar o dia trabalhando, como tem feito há seis décadas. Ela e o marido estarão no lançamento da nova ferrovia escocesa Borders Railway, onde farão um passeio em um trem a vapor de Edimburgo a Tweedbank.
Mas por todo o país, espera-se que sinos soem, missas sejam rezadas e até uma procissão atravesse o Rio Tâmisa, na capital. Afinal é a História sendo escrita,
Além de Elizabeth II e da Rainha Vitória, apenas outros quatro monarcas na história britânica tiveram reinados superiores a 50 anos: Rei George III (59 anos), Jaime VI da Escócia e Jaime I da Inglaterra (58 anos), Rei Henrique III (56 anos) e Eduardo III (50 anos).
O marco histórico acontece em um período de alta popularidade da Família Real Britânica, uma realidade bem diferente de quando Elizabeth II assumiu o trono, em 1952, quando a Grã-Bretanha se recuperava da Segunda Guerra Mundial. Tanto ela quanto a Rainha Vitória foram convertidas em rainhas inesperadamente, em uma idade muito jovem, e reinaram em épocas de grandes mudanças. Ambas, porém, são conhecidas por serem mulheres de caráter forte, meticulosas e decididas a trabalhar o mais corretamente possível.


Reinvenção e modernização


A habilidade de reinventar o papel de monarca foi e vem sendo de crucial importância para o reinado de Elizabeth II. Andrew Thompson, pesquisador de História da Universidade de Cambridge, lembra que quando ela chegou ao trono, as estruturas sociais eram consideravelmente diferentes das de hoje no Reino Unido. “Convidar câmeras para filmar dentro dos aposentos reais nos anos 1960 deu às pessoas uma nova visão do que significava ser ´Real´ e solidificou à tradicional fórmula de fazer com que a Família Real seja ao mesmo tempo similar e diferente do resto de nós”, destaca.
Ele destaca que outro ponto inovador do reinado de Elizabeth II foi a criação da Commonwealth (Comunidade de Nações, composta por 53 países-membros independentes, das quais é Rainha em 16). Desde que assumiu o trono, o império britânico praticamente desapareceu, mas ela manteve seu status como líder da Commonwealth.
Não faltaram desafios durante as mais de seis décadas de soberania.“Hoje, o carisma está em alta, o casamento do Príncipe William e as notícias sobre a expansão de sua prole tem forte apelo em uma parcela significativa da população. Em outros tempos, quando a economia ia mal, por exemplo, a cabeça da realeza também era sistematicamente reivindicada. Basta lembrar que, quando os Sex Pistols, em 1977, cantavam pelo desejo de uma ´Anarchy in the UK´, estavam necessariamente defendendo o fim da ´monarchy´, representada por Elizabeth II”, lembra Rainer Gonçalves Sousa, mestre em História e professor do Instituto Federal de Goiás.
Mas o carisma de Elizabeth II segue imbatível, seja pelos simpáticos trajes de cores insólitas em suas aparições públicas, acompanhados dos inconfundíveis chapéus, seja pela aura de discrição e mistério que mantém. “A recusa em não dar entrevistas aumenta a aura de mistério em torno dela. Por não sabermos as visões dela em diversas questões, é possível acreditar que elas possam ser iguais às nossas”, analisa Thompson.
Incrivelmente ativa aos 89 anos, e sempre acompanhada do marido Phillip, de 94, Elizabeth II acredita que é seu dever e responsabilidade interagir ao máximo com o serviço público. E cada que vez que faz uma aparição pública, sempre sorridente, seus súditos entram em festa.


A LINHA DO TEMPO DO REINADO DE ELIZABETH II


A morte do pai USAR_Box Linha do tempo - com o pai


A então Princesa Elizabeth II tornou-se Rainha após a morte do pai em 6 de fevereiro de 1952. O Rei George VI estava bastante doente mas, contrariando conselhos, mandou sua filha em uma turnê real seis dias antes. Elizabeth soube da notícia enquanto estava no Quênia.


A coroação
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Elizabeth II tinha 25 anos de idade no dia de sua Coroação na Abadia de Westminster, em 2 de junho de 1953. Ela já estava casada com Príncipe Philip, Duque de Edimburgo – seu primo em segundo grau – e tinham um filho, o Príncipe Charles, e uma filha, a Princesa Anne. Depois vieram o Príncipe Andrews (1960) e o Príncipe Edward (1964).


O assassinato de Lord Mountbatten
Em 27 de agosto de 1979, Lord Louis Mountbatten, tio-avô do marido da Rainha, foi assassinado em um ataque terrorista do IRA, perto de sua casa de verão na Irlanda. Seu neto de 14 anos Nicholas Knatchbull, Paul Maxwell, um funcionário de 15 anos e a sogra de sua filha, Lady Brabourne, também morreram no ataque. Thomas McMahon, um membro do IRA, foi condenado a 19 anos de prisão pelas mortes.


O falso “ataque” à Rainha
Em 13 de junho de 1981, a própria Rainha teve um perigoso encontro quando um adolescente fez disparos durante a cerimônia Trooping the Colour para marcar seu aniversário oficial. Os disparos eram apenas de festim, mas Marcus Sarjeant, de 17 anos, foi preso por cinco anos, condenado de ato de traição.


Invasão ao Palácio de Buckingham
O dia 9 de julho de 1982 ficou conhecido como um dos piores na história da segurança real, quando um homem invadiu o Palácio de Buckingham e entrou no quarto da Rainha. Michael Fagan escalou o muro de 4 metros de altura e subiu por um cano para conseguir adentrar a janela do quarto, que não estava trancada. Ele disse que circulou tranquilamente pelo aposento, comeu queijo e bolachas e bebeu vinho antes que a Rainha o visse e, então, chamasse a polícia. Fagan não foi acusado, pois se tratava de uma ofensa civil e não criminal e passou seis meses em um hospital psiquiátrico. Depois, acabou preso por outros crimes, incluindo assalto e tráfico de drogas.


O ano de pesadelo da Rainha
1992 não é um ano que a Rainha recorde com apreço. É o ano três da separação de seus filhos com seus cônjuges: o Príncipe Charles separa-se de Diana, para depois se divorciarem em 1996; o Duque de York divorcia-se de Sarah Ferguson; a filha Anne divorcia-se de Mark Phillipis. Parte do Castelo de Windsor é incendiado e inúmeros artefatos de grande valor são perdidos num prejuízo estimado de £ 36 milhões.


A morte de DianaUSAR_Box Linha to tempo - morte de Diana
Quando a Princesa Diana morre em um acidente de carro com seu namorado Dodi Fayed, em 31 de agosto de 1997, o país é tomado por uma comoção sem precedentes. A Rainha foi inicialmente criticada por permanecer em silêncio e não retornar de Balmoral para Londres imediatamente. Mais tarde, ela faz um pronunciamento em que disse “Diana era um ser humano excepcional. Eu a admirava e respeitava e ninguém que a conheceu vai esquecê-la jamais”.


Momentos-chave no século 21
Em 9 de fevereiro de 2002, a irmã mais nova da Rainha, a Princesa Margaret, morre de um infarto aos 71 anos. Sete semanas depois, em 30 de março, a Rainha-Mãe, morre aos 101 anos de idade.
Apesar de a Rainha se opor ao relacionamento entre o Príncipe Charles e Camilla Parker Bowles, por anos, os dois finalmente casam-se em 2005.
O Príncipe William casa-se com Kate Middleton em 29 abril de 2011, marcando o começo de uma fase da moderna Família Real. Em 22 de julho de 2013, William e Kate anunciam o nascimento do primeiro filho, o Príncipe George. Quase dois anos depois, em 2 de maio de 2015, nasce a irmã, a Princesa Charlotte.


10 COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE A RAINHA ELIZABETH II


1. O apelido “oficial” da Rainha é "Lilibet", mas o Duque de Edimburgo costuma chamá-la também de “cabbage" (repolho).
2. A Rainha adora corridas de cavalos, mas ela nunca fez uma aposta.


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3. A Rainha acorda todas as manhãs ao som de seu tocador de gaita de fole particular, e consegue identificar se outra pessoa está tocando.
4. Ela não possui um passaporte britânico já que os passaportes britânicos são emitidos em seu nome.
5. Antes de cada banquete de Estado, a Rainha inspeciona pessoalmente a grande mesa em forma de ferradura no salão principal do Palácio de Buckingham, para garantir que tudo está perfeito para seus convidados.
6. A Rainha e sua família adoram jogar à noite no Palácio de Balmoral, incluindo o famoso jogo “post-it”, no qual eles escrevem nomes de famosos em pedaços de papel, sorteiam de dentro de um chapéu, grudam o nome na testa e outros têm que adivinhar que pessoa ela é.
7. Quando o Príncipe Charles se casou com Diana Spencer em 1981, dizem que a Rainha estava tão contente que fez uma dancinha de felicidade quando deixou a recepção.
8. Ela toma chá “earl grey” e também gosta de gim com Dubonnet (aperitivo doce) logo após o almoço.
9. Ela poderia ter casado com o Duque de Edimburgo quando tinha 17 anos – quando ele fez o pedido formal pela primeira vez – mas seus pais achavam que ela era muito jovem. Eles se casaram quando a Princesa Elizabeth tinha 21 anos e seguem juntos por 68 anos.
10. A Rainha foi vista jogando um par de tênis e uma raquete no Príncipe Philip em uma briga durante uma turnê pela Austrália. A discussão foi registrada em câmera, mas o vídeo foi dado à Rainha e nunca veiculado.


(Fonte: ITV)