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Luna Cohen: sabor brasileiro com tempero internacional

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(LONDRES) Por Denis Kuck


Ele, músico francês, vinha como o samba de Zé Keti, carregando um “violão debaixo do braço”. Ela, estudante brasileira de artes plásticas, ia como o verso de Candeia, “por aí a procurar, sorrir pra não chorar”.


Do encontro fortuito, ocorrido há cerca de 15 anos em uma esquina de Barcelona, nasceu uma cantora, Luna Cohen – Mineira de Belo Horizonte. Após iniciar e consolidar sua carreira na Espanha mudou-se no final do ano passado para Londres, onde se apresenta em casas de jazz.


“Eu nunca tinha cantado no Brasil. Em 2000 resolvi ir a Barcelona para terminar meus estudos. Um dia estava triste, caminhando pelas ruas da cidade, cantarolando uma canção folclórica da Barra do Jucu (balneário de Vila Velha, no Espírito Santo), que aprendi com minha bisavó, até que encontrei um cara com um violão, o qual me ouviu e começamos a tocar ali na hora”, conta.


Luna diz que o músico francês encantou-se com sua voz e a incentivou a se arriscar no meio musical. Ela topou o desafio e fez algumas apresentações informais ao lado do “cara do violão” e sua banda, que, aliás, Luna veio a descobrir depois, tratava-se de um artista bastante conhecido: Manu Chao.


Aos poucos, ela ficou conhecida no cenário hippie de Barcelona e passou a ser convidada por outros artistas locais. “Quando cantava, sentia algo muito potente. Vi que era isso o que queria e gastei quase toda minha grana em uma escola de música. O começo foi muito difícil, eu não sabia nada”, afirma.


No início, Luna interpretava apenas clássicos do jazz, em inglês, até que um professor a incentivou a cantar Bossa Nova. A mineira aceitou a proposta e a partir daí construiu seu estilo de sabor brasileiro com tempero internacional.


“É uma fusão de música brasileira, que sempre escutei e guardava na memória sem me dar conta, com o jazz, que veio por ter desenvolvido meu canto na Europa, com excelentes instrumentistas”, explica.


Luna também se aventurou em composições próprias e lançou seu primeiro álbum, “Estrada do Sol”, em 2012. Ganhou prêmios, tocou em festivais e depois vieram mais dois discos, “Flor do Cerrado” e “Começo do Caminhar”. No repertório, gente boa como João Bosco, Dona Ivone Lara, João Donato e Tom Jobim.


A mudança para Londres não estava planejada. Luna recebeu convites para fazer alguns shows, que renderam mais outros; a coisa acabou dando certo e ela foi ficando. “Londres permite maior visibilidade. Estou sendo muito bem recebida. As pessoas gostam do meu canto, os músicos são abertos e posso trabalhar minhas inquietudes musicais”, afirma.


Ainda batalhando para aprimorar o inglês, Luna diz que uma de suas paixões em Londres é andar de bicicleta e encontrar lugares novos a todo momento. Para o futuro, a cantora pretende lançar um álbum com músicos brasileiros que vivem na Europa e outro com a banda que a acompanha em terras britânicas, composta por um brasileiro, um inglês e um italiano.


De Belo Horizonte para o mundo, graças ao talento, ao acaso de um encontro com o “cara do violão” e ao folclore de uma pequena vila de pescadores do litoral brasileiro.


AGENDA DE SHOWS


18 e 25 de setembro: Luna Cohen canta habitualmente na programação do Jak's Bar (Kings Road 533, SW10 0TZ), 19h, ingresso grátis.


6 de novembro: Luna Cohen Quartet (Rob Luft, guitarra; Matheus Nova, baixo; Enzo Zirilli, bateria). Oliver's Club (Nevada Street 9, SE10 9JL), 21h, ingresso £ 7.


5 de dezembro: Luna Cohen Quartet. The Bull's Head (Lonsdale Road 373, SW13 9PY), 20h, ingresso £ 14.