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Reino Unido bate recorde de imigração e fecha o cerco, enquanto o problema preocupa toda a Europa

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(LONDRES) Por Cristiane Lebelem - Os números são sintomas de um problema crônico que a Europa toda segue enfrentando, o aumento de imigrantes apenas no Reino Unido subiu de 236 mil para 329 mil em cerca de 12 meses, de acordo com dados oficiais que o governo britânico considera profundamente preocupante.
“O número que mostra a diferença entre os migrantes que entraram e saíram do Reino Unido apresenta aumento estatístico significante e é o mais alto desde que os dados começaram a ser contabilizados”, afirmou o Departamento Nacional de Estatísticas britânico.
Os números são “profundamente preocupantes”, comentou o ministro da Imigração, James Brokenshire, e a seriedade do tema é tanta que o primeiro-ministro, David Cameron, já tinha mostrado durante a campanha eleitoral suas intenções de reduzir drasticamente a proporção de imigração deste ano.
Cerca de 636 mil pessoas emigraram para o Reino Unido nos 12 meses até março, o que mostra um aumento de 84 mil, enquanto 307 mil pessoas saíram do país, uma redução de 9 mil pessoas.
Essa contabilidade de migração no Reino Unido gerou um relatório que mostra também que 269 mil cidadãos da União Europeia tinham se mudado para o país de forma permanente, um aumento estatisticamente significativo de 56 mil novos habitantes.
Cerca de 53 mil são cidadãos romenos e búlgaros, quase o dobro dos 28 mil que entraram no país nos 12 meses anteriores. O aumento do número de imigrantes equivale à população de uma cidade do tamanho de Cardiff. O que assusta os britânicos é o fato de que atualmente a população que vive no Reino Unido, nasceu no estrangeiro e ultrapassa agora os 9 milhões, o que significa que um em cada oito residentes no país nasceu fora do território.
O Home Office já alertou que os imigrantes que não tiverem empregados não poderão ficar no Reino Unido. Para a ministra britânica, Teresa May, o país só quer europeus que já tenham emprego garantido no RU, “que a liberdade de movimentos significa liberdade para mudar de emprego, e não para passar fronteiras com o objetivo de procurar emprego ou reclamar direito a benefícios”, defende.


Europa em alerta máximo
No começo da semana, a chanceler alemã admitiu que se os países europeus não concordarem nas quotas para acolher migrantes, será necessário reavaliar a livre circulação na UE. Para Merkel é importante fazer uma justa distribuição dos refugiados entre os vários países-membros, do contrário, o acordo de Schengen poderá ser revisto.
O acordo de Schengen é uma convenção que definiu a abertura das fronteiras e a livre circulação de pessoas entre os países signatários na Europa. O tratado foi assinado em 1985, inicialmente por cinco países, tendo sido implementado a partir de 1995 em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha.
A chefe do governo alemão referiu ainda que o que a Europa está vivendo "não é uma catástrofe natural, mas uma situação catastrófica", e apelou à "tolerância zero" para com os traficantes de pessoas. Merkel reconheceu ainda que é natural que os vários países europeus tenham pensamentos diferentes no que diz respeito à questão dos refugiados, mas não deixou de afirmar que é necessário encontrar uma "política comum" e tomar decisões rápidas, nomeadamente na reunião de emergência convocada para os próximos dias com os ministros dos países da União Europeia.


Risco de Morte
Semana passada 71 refugiados foram encontrados mortos, entre eles um bebê, num caminhão de frigorífico abandonado no interior da Áustria, sem contar que mais de uma centena de corpos de imigrantes mortos foram encontrados na costa da Líbia em embarcação com destino à Europa, dias atrás.
Também uma minivan com 26 pessoas foi descoberta na sexta-feira passada perto da cidade de St. Peter, perto da fronteira com a Alemanha.
Um porta-voz da polícia disse à BBC que as crianças estavam amontoadas na parte de trás da minivan junto com outros imigrantes, que diziam ser da Síria, Afeganistão e Bangladesh. Ele disse que as crianças - com idades entre cinco e seis - estavam quase inconscientes e gravemente doentes. Autoridades locais confirmaram no fim de semana que elas não correm risco de morrer, mas ainda estão no hospital.