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Em cinco anos, 60 mil brasileiros receberam cidadania europeia

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(LONDRES) Da redação - Nos últimos anos, o número de brasileiros que buscam a nacionalidade de um país europeu aumentou de forma exponencial. Muitos brasileiros têm ascendência europeia, são filhos, netos e bisnetos de imigrantes europeus, que conseguem o direito à cidadania.
Em 2013, 15,3 mil brasileiros ganharam passaportes europeus, um recorde. Em apenas cinco anos foram mais de 60 mil cidadanias dadas a imigrantes dessa nacionalidade. De acordo com os dados oficiais da EU (União Europeia) 33% dos brasileiros em 2013 receberam passaportes portugueses, 29% da Espanha e 11,7% estão entre os "novos italianos". Segundo esse levantamento, o brasileiro ocupa atualmente a 19ª posição na lista de nacionalidade que mais recebeu cidadania europeia nesse ano. O volume supera os pedidos de outros estrangeiros como argentinos, tunisianos, chineses ou cubanos.
O número de brasileiros com nacionalidade europeia ainda está bem abaixo dos 84 mil marroquinos por exemplo que, em 2013, receberam cidadanias de países europeus. Dentre os latino-americanos, o maior número é de colombianos, com 42 mil.


Ao todo, um grupo de 28 países juntos receberam em apenas um ano 1 milhão de cidadanias. Mas a Comissão Europeia se diz impressionada com o crescimento nos pedidos brasileiros nos últimos anos. Em 2000, representantes da UE preferiram não especular, mas um fator que deve ser levado em consideração, segundo Bruxelas, é que muitos imigrantes que estavam nesses países europeus, nos últimos anos, acabaram preenchendo todas as condições para solicitar a cidadania.
Para Francine Mendonça, da London Help4U, que presta assessoria de imigração no Reino Unido, esse número tende a aumentar. “Os brasileiros estão realmente irritados com a crise no Brasil. A perspectiva de obter um passaporte europeu e ter uma vida melhor num bloco desenvolvido é o que mais os motiva a ir atrás de qualquer vínculo com o velho continente”, definiu.
Outro ponto de apoio ao processo de documentação é a Fundação Brasil, em Londres, que também confirma esse crescimento vertiginoso. No último ano, a quantidade de pedidos de traduções de documentos simplesmente triplicou. Trata-se de todo tipo de serviço, inclusive, de pedidos de reunião familiar, ou seja, quando alguém da família tem a cidadania e precisa conseguir a legalização da residência para os demais membros.


Quem vive do lado de cá do Oceano Atlântico sabe bem a diferença de se ter um passaporte da União Europeia. Um curso superior por exemplo custa um terço do preço do que um brasileiro paga para estudar aqui.


O brasileiro, Diego Rebeschini, que também é italiano por conta da cidadania adquirida, conta que investiu R$ 18 mil em todo processo de reconhecimento do direito à nacionalidade. Em 8 meses, buscando os papéis no Brasil e outros 3 na Itália, saiu com o passaporte vinho nas mãos direto para um bom emprego na área de TI em Londres. “Deixei no Brasil um emprego onde ganhava R$ 3 mil por mês para ganhar no meu primeiro trabalho em Londres £ 36 mil, com planos de saúde e dentário e mais 10% em bônus. Acho que valeu a pena”, conclui o profissional de TI que agora vive em Dublin numa posição profissional bem melhor.
Ainda que o processo seja lento, o que tem levado cerca de 8 anos ainda no Brasil, muitos brasileiros ainda tem o sonho de conquistar a cidadania europeia. Isso explica parte do fenômeno do crescimento migratório especialmente em Londres e Dublin.


* com informações do Estadão