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Alerta! Crianças continuam vítimas de violência sexual

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Abuso sexual infantil 55 631

LONDRES por Cristiane Lebelem - A semana passada o mundo todo foi surpreendido com uma série de notícias graves envolvendo crianças e abuso sexual mundo afora.


Na África, veio a público o fato de que muitas crianças que deveriam estar sendo protegidas pelas tropas do exército Francês tinham sido molestadas pelos soldados, na República Centro-Africana.


No final de abril, um funcionário da Organização das Nações Unidas tornou público um relatório restrito que relatava denúncia de abuso sexual de crianças africanas por tropas de paz francesas, como publicou o jornal britânico The Guardian. O então funcionário da ONU Anders Kompass revelou o documento para as autoridades da França após a ONU falhar em tomar providências sobre o caso.


Tão grave quanto a infância violada no continente africano é a situação da menina uruguaia de apenas 11 anos, que está grávida de uma pessoa próxima à família. A menina de Montevidéu está com 13 semanas de gestação. Ela informou às autoridades que não quer fazer aborto, mesmo tendo sido vítima de estupro. De acordo com os relatórios médicos apresentados pelo Hospital Pereira Rosell, e a avaliação de um equipe especializada do Instituto da Criança e do Adolescente do Uruguai (Inau), a menina “não tem capacidade de entender as consequências da sua gravidez”.


Em outro país da América do Sul, outro drama de mais uma criança vítima deste tipo de violência. Outra menina que mal completou 10 anos de idade já protagoniza uma polêmica discussão sobre aborto. Vítima de estupro, ela engravidou e está com 22 semanas de gestação. Os médicos paraguaios disseram que ela não corre riscos, e que felizmente apresenta boas condições de saúde. A mãe da menina está presa, acusada de não prestar os devidos cuidados para com a sua filha.


No Brasil, a Comissão de Direitos Humanos ainda apura o caso da cidade goiana de Cavalcante, a 300 quilômetros de Brasília, onde uma menina quilombola Kalunga estaria sendo submetida a exploração sexual, estupro constante, além de trabalho forçado. O presidente da Associação Quilombola Kalunga, Vilmar de Souza Costa, afirmou que a comunidade está surpresa e chocada com as denúncias de estupro, que envolvem diversas meninas. Ele relata que faltam escolas e estrutura na região, o que favorece as relações de vulnerabilidade das crianças e adolescentes.


A ONU revelou recentemente uma pesquisa que indica que a América Latina tem um dos maiores índices de estupro a crianças, só perde para a África, que ocupa o topo do ranking da violência sexual contra meninas e meninos.


Os números apresentados pelas Nações Unidas dão conta de que só no Brasil, no ano de 2013, foram registrados cerca de 51 mil casos de estupros, incluindo também as mulheres. E pelos casos já registrados na América Latina, os indicativos são de que os números sejam maiores na finalização do próximo estudo sobre o problema.