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Existe vida após Londres

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Brasileiros que retornaram ao Brasil

 


Por: Márcio Rodrigo Delgado | @marcio_delgado


Para alguns, a passagem pelo Reino Unido foi mais longa do que o esperado. Outros vieram e acabaram ficando, sem prazos de mudar de país. Mas para um grupo de brasileiros, o ciclo de morar no exterior chegou ao fim e era hora de voltar para casa, seja por motivos de família, trabalho ou visto.


‘Seis meses após ter perdido o meu primeiro filho, tive a sorte de engravidar de novo.  E decidi que minha família tinha o direito de acompanhar a vida do meu bebê mais de perto’, revela a paranaense Priscila Bays, que morou em Londres de 2009 a 2013 e hoje faz assessoria de imprensa para o sindicato de servidores públicos de Londrina e é proprietária, junto com meu marido, de um restaurante.


‘Para mim a saudade era uma coisa que pesava muito. Apenas eu e meu Marido,  tínhamos poucos mas bons amigos.  Mas não poder estar perto da família sem dúvida foi o mais difícil.  Além disso fomos roubados em Londres. Pessoas se passaram por donos de imóvel, receberam nosso depósito e aluguél para ir morar em uma casa, algo em torno de £ 1,800 na época e no dia da mudança eles sumiram. Não tínhamos dinheiro para alugar outro local,  Nem poderíamos ficar mais onde morávamos. Acabamos tendo que morar por quase um mês na sala de um casal de amigos até termos condições de alugar outro local.  Logo após isso fiquei grávida e com quase cinco meses de gestação acabei perdendo o bebê. Tive que fazer todos os trâmites de velório, eu e meu Marido, apenas os dois de alicerce um do outro.  Foram momentos bem difíceis’, explica Bays que só tem planos de voltar a capital inglesa a passeio.


 


A artista plástica e fotógrafa Schirley Amaral (www.schirleyamaral.com)preferiu trocar o frio pelo calor e não deu ouvidos as dificuldades que poderia encontrar ao retornar ao Brasil.


‘Ouvi muito falar e li muito a respeito da chamada “síndrome do regresso” e tive medo disso. Porém isso não aconteceu comigo. Adoro e sempre vou amar Londres, mas confesso que não sinto nenhuma saudade da vida que eu levava. Adoro sair na rua a noite usando short e camiseta, tomar suco de fruta de verdade, o bom humor do brasileiro, a boa comida... tantas e tantas outras coisas. Não posso nem dizer que me adaptei no retorno porque para mim o sentimento foi de voltar para casa’, comemora Schirley que é natural do Espírito Santo, mas hoje mora no Rio de Janeiro.


2 - Diana


Também do Espírito Santo, Diane de Sousa, 33 anos, morou em Londres por 10 anos, de 2002 a 2012, trabalhando como babá. Mas quando surgiu uma oportunidade de respirar novos ares e enfrentar novos desafios nao pensou duas vezes.


‘Estava cansada do frio e da rotina desgastaste de cidade grande. Surgiu uma boa oportunidade de voltar ao Brasil e fazer alguma coisa para mim mesma. Resolvi enfrentar o desafio. Hoje sou sócia-proprietária de uma escola de inglês e administradora do site de aluguéis www.casasemiriri.com.br’, conta Diane que foi embora com o marido e, apesar de sentir saudades dos amigos que fez durante a sua temporada em Londres, hoje só pensa em retornar ao Reino Unido para fazer turismo.


 


’Morei entre 2004 e 2008. Além de estudar inglês todos os dias, trabalhei garçom e diretor de marketing da LCC, entre outros trabalhos. Meu tempo na capital inglesa foi uma grande viagem interna, onde a cidade me dava cada vez mais oportunidades de aprender e me desenvolver como pessoa e profissionalmente. O maior desafio se tornou então a melhor jornada interna que já vivi’ recorda o fotógrafo mineiro Lufe Gomes, que reside em São Paulo, onde criou o site Eatinerario.com.


 


‘Nunca parei de buscar algo melhor durante o tempo em que morei em Londres. Nem em trabalho eu parava porque estava em uma busca constante de algo que fosse realmente minha vocação sem desperdiçar meu tempo pensando somente em dinheiro. Foi esta coragem de não me apegar ao financeiro que me levou a encontrar a profissão de fotógrafo e hoje ser realizado profissionalmente no meu país’, confessa Gomes que em Londres fez a exposição fotográfica ‘Soul Brazil’.


No entanto o recomeço, de volta ao Brasil, não foi dos mais fáceis. Lufe Gomes


‘Sou apaixonado por Londres e pela cultura da Inglaterra. Até do frio eu sinto falta. Mas com o tempo, você vai se recolocando e vai se encontrando novamente na sociedade brasileira. Ainda hoje sinto falta dos valores da sociedade britânica, mas quando o meu visto estava por expirar, vi que o meu tempo na cidade, pelo menos naquele momento da minha vida, estava terminando. Segui o fluxo e hoje sou feliz’, comemora o profissional brasileiro de 41 anos.


 


A paulista Luciana Ramos, de 31 anos é outro exemplo de que existe vida após Londres.


Sócia-proprietária da Fonte Comunicação (fontecomunicacao.com.br), empresa que presta serviços na área de comunicação estratégica, incluindo assessoria e produção e gestão de conteúdo para redes sociais, viveu em Londres de agosto de 2006 a dezembro de 2010. No início, como a grande maioria dos brasileiros, trabalhou em hotéis e cafés até aparecer uma oportunidade para trabalhar na companhia aérea TAM atendendo passageiros de primeira classe.


 


‘Nunca tinha imaginado trabalhar com aviação na vida e em Londres tive essa oportunidade que me trouxe momentos inesquecíveis!’, Relembra a brasileira natural de Campinas/SP. ‘Uma vez atendi o cantor Herbert Viana e ele perguntou quais as músicas do Paralamas do Sucesso que eu mais gostava e começou a cantar para mim’ diz Luciana.


‘Retornei ao Brasil porque senti que o meu ciclo havia se encerrado. Quando mudei para Londres minha idéia inicial era ficar um ano para aprimorar o inglês, vivenciar outra cultura e viajar. Depois acabei tirando minha cidadania italiana, comecei um curso, e quando vi já estava há mais de quatro anos na terra da rainha. Depois desse período, percebi que era hora de estar mais próxima das pessoas que amo, retomar a minha carreira em comunicação e voltar para o país onde me sinto de fato parte dele’, decidiu Luciana Ramos que não teve dificuldades de se readaptar.


‘Vejo muitas pessoas que retornam e ficaram por bastante tempo lamentando a falta que Londres faz em suas vidas. Eu acho que tudo depende de como você encara a sua volta e quais circunstâncias fizeram você voltar. No meu caso, eu voltei por que de fato queria, batalhei para recomeçar a vida aqui e graças a Deus, em 15 dias já estava empregada na área. Eu prefiro encarar tudo como um ciclo, e quando um ciclo se encerra, é hora de abraçar novos desafios que vêm pela frente’.


 


‘Londres sempre será um lugar especial pra mim. Guardo memórias muito bacanas e mantenho contato até hoje com amigos que fiz! Não posso dizer que nunca mais voltarei, pois nunca sabemos ao certo o que o futuro nos reserva. Mas desde que voltei ao Brasil, a balança tem sido mais positiva para mim aqui do que morando no exterior’, analisa.