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Nutrição: Perda de peso saudável e duradoura

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Priscila Schramm Gonsalez


 


Qualquer nutricionista que trabalha com pacientes que lutam para perder peso ou para mantê-lo observa um relato em comum entre os que já fizeram diversos tratamentos para emagrecer: o de que o peso, via de regra, acaba voltando.


E pensando no reganho de peso quero mostrar que a equação ingerir menos calorias igual a perda de peso é uma simplificação muito pobre diante de todos os processos envolvidos. Além da ingestão calórica o sucesso de um tratamento deve considerar aspectos psicológicos, estresse que o paciente está submetido, alterações hormonais, qualidade do sono, exposição a metais tóxicos, equilíbrio da microbiota intestinal, entre outros.


 


A conexão hormonal:


Por exemplo, a diabetes do tipo II é diagnosticada quando a glicemia de jejum encontra-se superior à ≥126 mg /dL; No entanto, pesquisas mostram que a resistência à insulina precede a diabetes tipo II e que a desregulação de glicose no sangue precede a resistência à insulina. Como todos os hormônios afetam-se entre si, a crônica desregulação de secreção de cortisol (hormônio do estresse) pode levar a secreção exacerbada de insulina, consequentemente provocando alterações no metabolismo da glicose. Por isso se você é estressado, cuidado!  A nutrição pode ajudar no manejo do estresse e juntamente com a psicologia tem resultados bem positivos na habilidade dos pacientes em lidar com situações difíceis.


E porque dar atenção especial ao estresse além do que já foi dito?


É importante entender que um paciente estressado tem alterações na qualidade e duração do sono, níveis de insulina e glicose, na digestão e assimilação dos alimentos. A resposta ao estresse pode resultar em níveis aumentados de cortisol, insulina e triglicerídeos, hormônios da tireoide e sexuais, alteração de permeabilidade intestinal (levando intolerâncias alimentares) e inflamação.


 


Como tratar destes pacientes?


Especialmente com pacientes que vem há muito tempo tentando perder peso ou que já fizeram diversas dietas, e que mantiveram o peso por um período e depois voltaram a engordar, é importante primeiramente alcançar um estado de equilíbrio metabólico em vez de focar em redução de calorias. Os tratamentos podem incluir suplementação de nutrientes, uso de terapia hormonal com hormônios bioidênticos (prescrita por médico), adoção de técnicas para manejo do estresse, prática de atividades físicas, entre outros.


A abordagem que procura a raiz do problema é antítese da rápida correção de problemas e perda de peso dos chamados projetos verão, magra em 3 semanas, etc. A perda de peso saudável e duradoura deve corrigir os problemas. Em muitos pacientes nem há a necessidade de restrição calórica e sim adaptação da alimentação e exclusão de alimentos que além de não agregarem valor, provocam reações inflamatórias no organismo. Que tal adotar o projeto verão para toda a vida? Vem comigo.


*Priscila é nutricionista funcional e mestre em nutrição pela Universidade Federal de Santa Catarina