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Bufês crescem mais de 400% no Brasil em sete anos

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A quebra de tradição dos casais brasileiros tem se tornado uma oportunidade de negócio para as empresas que fornecem serviços e produtos voltados para os noivos e as festas de casamento. Maio não é mais o mês das noivas e 39% dos matrimônios celebrados no país acontecem nos quatro últimos meses do ano. Segundo o IBGE, a temporada de casamentos no Brasil começa em setembro e, com ela, se inicia uma época de lucro para o segmento que fornece produtos para as cerimônias e recepções, como os bufês, uma atividade que cresceu 412% nos último sete anos de acordo com levantamento inédito do Sebrae.


 


O Brasil tem hoje 21.958 pequenas empresas que fornecem serviços de alimentação para eventos e recepções, número cinco vezes maior que o de 2007, quando o Brasil tinha 4.285 pequenos negócios no segmento de bufês. Em todo o país, o Sebrae atende mais de três mil micro e pequenas empresas de bufês. A instituição oferece para esses empresários informações e diferentes soluções disponíveis nos pontos de atendimentos dos estados, com o objetivo de apoiar os empreendedores a planejar e a gerir melhor seus empreendimentos.


 


“Um bufê precisa ser mantido nas mais perfeitas condições de ordem e higiene, ter uma área independente para recebimento e armazenagem de mercadorias e outra para a produção e manipulação de alimentos, além dos demais cuidados que qualquer outra empresa deve ter”, ressalta o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barreto. “Nosso portfólio tem, para as empresas desse ramo, soluções com foco na gestão do alimento seguro, no atendimento ao cliente, boas práticas de alimentação, gestão de estoques, melhoria do processo produtivo e gestão de resíduos”, enumera. Segundo Barretto, o setor de alimentação fora do lar, na qual estão incluídos os bufês, teve um crescimento significativo nos últimos anos graças ao aumento da renda do brasileiro.


 


Dados estaduais


Analisando a distribuição das empresas pelo Brasil, com dados disponibilizados do período de 2007 a 2012, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentravam 61% dos bufês brasileiros, com 5.596, 2.551 e 1.498 estabelecimentos, respectivamente. No Rio de Janeiro, o crescimento das empresas do ramo foi de 319% entre 2007 e 2012, 106 pontos percentuais acima da média nacional.


 


Um bom exemplo do aquecimento do setor na capital fluminense é o caso da empresa de Bruno Duarte. Mineiro de Uberlândia, o chef de cozinha se mudou para o Rio de Janeiro há quatro anos para tentar a sorte. Nesse período trabalhou na cozinha de restaurantes da cidade e depois decidiu investir no bufê. O D&A Gastronomia foi criado por Bruno há menos de três anos e já tem uma agenda cheia com o diferencial de oferecer cardápios exclusivos tanto para eventos corporativos como familiares.


 


“A quantidade de profissionais atuando na área da gastronomia aumentou muito nos últimos anos, mas a qualidade do serviço também caiu muito. Diante de tantos concorrentes, nos preocupamos em manter nossa qualidade e oferecer produtos com alto valor agregado, nem que, para isso, tenhamos que cobrar mais caro. Esse é o nosso conceito”, afirma.


 


Para comandar o negócio com segurança, Bruno que já tinha tentado um negócio próprio com um bar, que acabou fechando, não quis cometer o mesmo erro. Desde que abriu o bufê, em 2011, ele utiliza as consultorias do Sebrae. “Sempre participo de palestras, de eventos, busco novas oportunidades. Foi por intermédio do Sebrae que aprendi a ver o meu negócio com profissionalismo”, conta.


 


O chef começou suas atividades como Microempreendedor Individual (MEI) e ainda no primeiro ano de funcionamento ultrapassou o faturamento de R$ 60 mil por ano, migrando para a categoria de microempresa. E a expectativa para os próximos anos é de mais crescimento. “Estou fechando uma parceria com uma casa de festas na Barra da Tijuca para ser o bufê exclusivo deles e fui indicado pelo Sebrae para ser um fornecedor do Comitê Olímpico Internacional (COI) para as Olimpíadas de 2016”, relata o empresário. “Esse conceito de mês das noivas está mudando. Faço casamentos o ano todo e a demanda aumenta muito no segundo semestre.”


 


Gizella Rodrigues


Agência Sebrae