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Turismo

Café moído no estômago do bicho. Você tomaria?

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Sou apaixonada por café e acho que sempre vale uma paradinha na viagem, seja para anotar o que eu já fiz, refrescar a memória e não esquecer de algo que realmente quero fazer. Ou mesmo parar em um café charmoso que acabei de passar na frente só pra dar uma descansada e claro, tomar um cafezinho. Mas quando o pai de um amigo comentou que foi para Bali, na Indonésia e tomou um café que era ‘produzido’ no estômago de um animal, isso virou ideia fixa. Claro que ao chegar lá fui atrás do bendito.


 


O Kopi (café) Luwak (ou civeta, como é conhecido em Bali e responsável pelos grãos) é considerado um dos cafés mais caros do mundo e um simples espresso custa cerca de R$ 12,00. Isso porque a produção, de cerca de 230 kg por ano, é limitada. Isso faz com que ele seja considerado um dos mais caros do mundo junto com concorrentes do Panamá, Colômbia ou da Ilha de Santa Helena, uma ilha britânica localizada no Atlântico Sul.


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Para ele ser produzido, o Luwak, essa coisinha fofa aí embaixo, seleciona os grãos antes de ingeri-los. Somente a polpa é digerida e a semente passa intacta pelo sistema digestivo do animal. Durante a digestão, as bactérias e enzimas únicas do animal tornam-se os responsáveis pela diferença de qualidade do café industrializado. Eu confesso que não é o pior café do mundo e acho ainda que é menos amargo que muito café italiano, apesar de compararem o sabor a uma mistura de suco de uva e chocolate. O café pode ser encontrado também nas Filipinas.


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Minha cara de nojo não foi culpa do café e sim porque tomei aquele último gole, com um pouco de pó, esse sim mais amargo e com a ficha já caindo. Mas aí já era tarde, dessa vez os grãos torrados, moídos ou o que quer que seja, já estavam a caminho do meu estômago. Valeu a experiência e os cinco dólares. Não vou achar outro café mais caro do mundo na esquina aqui de casa.


 


Ana Beatriz Freccia


@anafreccia


www.omundoqueeuvi.com


*Ana Beatriz Freccia Rosa começou a sua volta ao mundo em 2004 quando veio morar em Londres. De lá, fez algumas viagens pela Europa e dois “mochilões” pelo Oriente Médio e parte da Ásia. Voltou para o Brasil, percorreu parte da América Latina e não conseguiu sossegar. Em 2010 partiu para mais uma aventura com passagem só de ida para o Sudeste Asiático e um período sabático na Austrália, onde viveu por dois anos e meio. Em abril de 2013 largou a casa de frente para o mar e voltou para a Terra da Rainha, onde tudo começou. Hoje trabalha para um site que conecta pessoas que querem mudar de país e escreve suas histórias no blog “O mundo que eu vi”