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De comerciante e louco, todo mundo tem um pouco

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Você já imaginou alguém que trabalhava com o mercado de aviação gerenciando a venda de cosméticos? Pois não duvide de Carlos Eduardo Claudino. O nosso perfil desta semana não tem medo de trabalho. De São Paulo, onde fabricava escadas para aviões, até Londres, o caminho teve altos e baixos. Hoje, faz o que diz ser seu sonho: trabalhar com importação e exportação de produtos. O paulistano agradece ao pai pelos ensinamentos na vida de comerciante, e conta ao Brazilian News como conseguiu inserir o Botox Capilar, um produto com tecnologia 100% brasileira, nos principais salões de beleza de Londres.


 


“Já fiz de tudo um pouco. Por isso eu digo que nunca sei nada, que estou sempre aprendendo. Agora imagina, eu fazia escada pra avião e hoje entro em salão vendendo produtos pra cabelo. O pessoal fala que eu sou louco”, brinca o empresário.


 


Como começou a trajetória da sua empresa no Reino Unido?


Eu comecei a Roca Trading  trabalhando com produtos naturais, como mel e própolis. A partir daí eu senti uma abertura no mercado de cosmético brasileiro. Estava muito diversificado, mas em cosméticos não tinha ninguém especializado (na importação). Eu não poderia trazer algo que seria prejudicial à saúde das pessoas. O que eu fiz? Procurei empresas no Brasil que tivessem o Beauty junto com o Healthy. Aí eu estaria no mesmo segmento de trabalho que eu comecei.


 


Qual a diferença do seu produto em relação aos demais?


Não podia trazer um produto de cosmético que deixasse a pessoa bonita mas que prejudicasse sua saúde. Esse foi um ponto que eu mais fiz questão que as empresas fossem idôneas nessa área de saúde. E comecei a trabalhar com a Prolab, uma empresa que já tem mais de 15 anos em São Paulo. A marca está em 14 países. Aqui na Inglaterra vai fazer um ano que estou trabalhando com eles. Estou bem contente porque é um produto que tem a mesma qualidade em toda a linha. Tem empresas que tem um produto carro-chefe que é o bom. Na Prolab não. Eles se preocupam com todo tipo de tratamento.


 


Qual o diferencial com relação ao formol?


Formol, nem pensar! O emprego dessa substância como alisante é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segundo o órgão, o componente só é permitido como conservante adicionado durante o processo de fabricação nas indústrias, com concentração máxima de 0,2%. Por isso, toda atenção é pouca: para ter efeito alisante, é utilizado em doses elevadas, acarretando sérios danos à saúde de quem o prepara, aplica e recebe. Apesar do Formol ser proibido no Brasil e Reino Unido, muita gente ainda continua trabalhando com o produto, porque imagina que é ele que faz o alisamento do cabelo, o que na verdade não é.


 


Formol resseca cabelos e pele. Uma das funções do formol na progressiva é retirar os óleos naturais dos fios e abrir as cutículas, para que a estrutura interna do fio possa ser alterada pelo calor e queratina. Por isso a escova progressiva resseca os cabelos, isso é uma etapa necessária do alisamento. É preciso hidratar bem os cabelos e pele que foram expostos ao formol. Com o nosso produto nós vamos tratar o cabelo, e com 100% de tecnologia brasileira ligada à saúde.


 


Como foi a reação dos salões ingleses?


Como os salões ingleses nunca tinham utilizado um produto igual ao nosso, que é o Botox Capilar, lançado no Brasil há dois anos com uma molécula nova que chama Carbosisteína. Essa molécula é tecnologia 100% brasileira, autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). É um produto que substitui o formol sem prejudicar a saúde das pessoas. A diferença é sentida na hora. Os ingleses que não estavam acostumados com um produto bom como o nosso, estão maravilhados. Hoje 80% dos clientes da Roca Trading, que representa a Prolab em Londres, são ingleses.


 


Qual a principal diferença que você viu no mercado inglês?


Estava morando em Portugal. Tinha um comércio por lá. Comprava e vendia automoveis. Vim pra Inglaterra para passar um ano, estudar um pouco de inglês. Para ir a Alemanha comprar carros para vender em Portugal . Só que aqui eu fui aprendendo muita coisa. Eu já mexi com indústria também, em São Paulo. Mas aqui eu vi uma oportunidade diferente do que eu vi em toda Europa. Vi aqui na Inglaterra um país que dá muita oportunidade. Então fiquei pra aprender. A Roca Trading  era pra ter sido aberta em Portugal, mas eu abri na Inglaterra porque  senti muito mais facilidade na parte tributária, e na parte de importação tudo é muito simples. Aqui é muito mais fácil pra trabalhar.


 


Por que você deixou o Brasil?


Deixei o Brasil em 2002. Trabalhava na área da indústria da aviação. Trabalhei 12 anos com a Varig, em São Paulo. Mas depois dos atentados de 11 de setembro todas as empresas aéreas sofreram um grande impacto e o mercado da avião ficou muito ruim.  Fui tirar umas férias em Portugal e acabei ficando lá. Eu estava para regressar ao Brasil quando eu vim para o Reino Unido, e vi nesse país a oportunidade  de retomar meu sonho que era mexer com importação e exportação de produtos.


 


Você sempre trabalhou com comércio?


Sempre tive meu próprio negócio, desde pequeno. Filho de imigrantes portugueses, nasci na padaria. Desde 14 anos trabalhei com meu pai e devo muito a ele tudo que eu aprendi até hoje. Eu sempre fui ligado ao comércio. A importação e exportação é uma coisa que eu queria fazer antes de ter indústria. Agora, se eu vou importar cosmético ou carro, não importa. Tinha que ser alguma coisa que eu tivesse o feeling que eu conseguiria fazer o que eu gosto. Quando você faz só pelo dinheiro, você não vai fazer bem.Hoje eu faço o que eu gosto.


 


Como o material brasileiro de cosmético é visto aqui na Europa?


O Brasil na área de cosméticos é muito bom. Tem produtos melhores que muita marca aqui que tem nome. O povo brasileiro tem a mania de falar que tudo da Europa é bom. Mas não é assim. Nós temos produtos muito melhores do que eles têm aqui.


 


Márcio Ceccarelli


editor@braziliannews.uk.com