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O estilo e a elegância que vêm do Pantanal brasileiro desfila em Londres

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Durante o evento de moda mais esperado do ano no Reino Unido, a London Fashion Week, um pantaneiro revela sua arte pelas ruas de um dos endereços mais caros da moda em Londres. A griff Sebastian London, nome dado pelo brasileiro começou com o pé direito no mundo fashion, com uma coleção de 10 peças em alta costura. 


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Marco Antonio apresentou sua coleção em Londres (Foto: Natalie Greco/Studio 33)


 


O trabalho do fashion designer brasileiro Marcos Antonio Ramos, de apenas 35 anos, pode ser conferido no domingo (14) em um desfile em torno da Harrolds e da Harvey Nichols em Hyde Park. A criatividade e beleza das peças deixaram quem passou pelas ruas encantado pela elegância da primeira coleção deste estilista de Mirassol d'Oeste, Mato Grosso.


 


Na Europa há 13 anos, ele viveu em Portugal por 11, antes de chegar ao Reino Unido. Foi  lá onde começou a trajetória artística no velho continente com apenas 22 anos de idade. Desde muito cedo, o mais novo de quatro filhos. Aprendeu a lidar com os tecidos e a criatividade aos 7 anos de idade, vendo a tia Cleuza costurar, não teve dúvidas de que queria experimentar.


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Coleção do brasileiro chamou atenção nas ruas (Foto: Natalie Greco/Studio 33)


 


Foi então que conseguiu comprar sua primeira modelo, uma boneca, com a qual começou a inventar moda. A mãe trabalhava o dia todo fora e sozinha tinha que dar conta de cuidar dele e dos irmãos. Marcos conta com orgulho da trajetória de sacrifícios que viveu com a família no Brasil. Mal tinha completado 14 anos já ouviu a mãe dizer que tinha que correr atrás do seu próprio futuro. Nesta idade ele decidiu que faria tudo por ele e também cuidaria da mãe.


 


Começou a fazer artesanatos no Brasil e a vender em feiras e nas ruas. Tomou coragem e foi para São Paulo estudar teatro aos 16 anos. A primeira viagem para tentar a sorte fora do país foi para a Guiana Francesa, onde também pintou e vendeu muitas telas.


 


De volta ao Brasil, quis ser voluntário na APAE, dando aulas de teatro e dança, além de pintura. Mas ele queria ir mais longe, e aos 18 anos decidiu pelo teatro no Rio de Janeiro. E foi lá que começou a produzir peças de roupas de figurinos, além de cenários. Aos 22 anos optou por tentar a vida na Europa. Estudar e aprender mais sobre arte. Antes, no entanto, trabalhou apanhando uvas para uma vinícola, em Portugal.


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Detalhes do vestido (Foto: Natalie Greco/Studio 33)


Em terras açorianas correu novamente para o campo das artes. Conseguiu seu primeiro trabalho em um restaurante, onde pintava as telas nas horas vagas. Trabalhava com o cardápio em uma mão e na outra o catálogo de telas para apresentar aos clientes. Muitas vezes ganhava mais dinheiro com a pintura. De Lisboa, começou a trabalhar com decoração pintando paredes e telas para um arquiteto. Estudou artes na Escola Antonio Arroio. E foi então que surgiu a oportunidade de trabalhar em um atelier. Chegou a pintar 10 telas por dia.


 


Este brasileiro que tem arte na alma começou a receber encomendas de todas as partes de Portugal, além de fazer decorações de festas, ornamentações e pinturas faciais. A arte esteve sempre presente, até o momento em que decidiu vir para Londres. Em 2012, veio para a capital inglesa com o desejo de estudar mais e aprender moda.


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Modelos desfilaram em frente à Harrod's (Foto: Natalie Greco/Studio 33)


 


Como você veio parar aqui?


O mundo inteiro está em Londres. É por isso que eu decidi me lançar aqui. Trazer minha arte para Londres que é porta para o resto do planeta. Pela potência da economia, inclusive. Dei os primeiros passos em direção ao meu sonho. Fui até Paris e escolhi alguns tecidos na fábrica Premier, comecei a costurar aqui e costurei parte desta coleção no Brasil com a tia Cleuza, que foi quem me incentivou desde criança neste sonho. Agora estou pronto para começar nos próximos dias  um curso intensivo em Londres, no Museu Victoria, com as renomadas equipes de Alexander MacQueen e Maison Chanel.


 


Quem é Sebastion London?


Sebastian é nome que eu escolhi para trabalhar nesta área. É um nome de marca, não queria que ficasse conhecido pelo meu nome, mas sim pela marca. Não quero reconhecimento a mim, mas ao meu trabalho. É o nome do meu tio. É um nome forte, capaz de ficar na memória das pessoas. E Sebastion para mim é um fashion designer que veio pare revolucionar o conceito do pret-a-porter. Elegante, sofisticado e discreto.


 


Qual é a influencia da arte e da cultura brasileira neste estilo?


É trazer ao público a criação de um estilo com sensualidade, no tom certo, valorizando a silhueta da mulher sem deixá-la vulgar, trazendo sofisticação e elegância. E por isso os tecidos foram escolhidos  a renda, chifon, cetim para compor leveza e movimento, dando brilho e glamour na medida certa. Os bordados e rendas todas com flores, que remetem à feminilidade que muito se vê nas mulheres brasileiras.


 


Qual é o seu projeto a partir do lançamento desta coleção?


A proposta agora é divulgar a coleção para os empresários da moda em Londres, o website está sendo finalizado. E já pode ser acessado em www.sebastianlondon.com, e daqui pra frente é experimentar o mercado internacional partindo de Londres. O foco é Portugal e Espanha, além do Brasil.


 


Como você o seu futuro?


Eu vejo sucesso no trabalho, na comunicação deste meu trabalho, e quero  expandir muito mais. Crescer a marca pelo mundo. É um sonho realizado que começou lá no Pantanal mato-grossense há 28 anos. Também é a realização da minha tia (Cleuza Valentim, que continua morando no Pantanal e costurando até hoje).


 


E o Brasil, que espaço tem neste sonho?


Há possibilidade de montar uma atelier em São Paulo e fortalecer a marca por todo o Brasil. Mas primeiro é preciso expandir na Europa.


 


Por Cristiane Lebelem
crislebelem@hotmail.com