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Mãe brasileira identifica filho em grupo terrorista islâmico

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Desde que o jornalista norte-americano James Foley foi decaptado por um cidadão britânico, num vídeo postado na internet pelos radicais, no qual foi reconhecido pelo acento claramente da região de Londres, a situação ficou bastante tensa no Reino Unido. As autoridades descobriram uma rede de cooptação de jovens para se alistar no grupo extremista ISIS, que é considerado um exército terrorista de grande força no mundo árabe.


 


E o que se pensava ser apenas uma condição de jovens já voltados ao mundo islâmico, neste domingo (21),  pudemos constatar que está mais próximo de todos do que pensávamos. Uma mãe brasileira, contou neste fim de semana a dramática realidade de quem vê seu próprio filho integrar o exército extremista mais brutal do planeta para  a TV Globo, que transmitiu para todo o Brasil, mais uma triste história de ameaça e terrorismo.


 


Rosana Rodrigues educou o filho dentro da igreja católica, e há 24 anos vivendo na Europa, sempre incentivou o esporte e as boas amizades, mas ao longo da juventude ele acabou por se juntar aos radicais do Estado Islâmico, temido por toda parte, capaz matar por qualquer motivo. O filho Brian, de 21 anos, nasceu na Bélgica, filho de pai belga.


 


“Que meu filho não chegue ao ponto de decepar a cabeça de alguém ou de matar alguém. E no fundo do meu coração, eu sinto que meu filho jamais faria isso. Porque eu como mãe, eu jamais... Eu amo muito ele, mas eu jamais seria capaz de perdoar meu filho se ele fizesse uma coisa dessas”, contou Rosana em entrevista ao jornalista Roberto Kovalik.


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Rosana Rodrigues é a mãe de Brian (Foto: Reprodução/TV Globo)


 


Assim como o Reino Unido, a Bélgica é um países com excelentes condições de vida, e educação, e é justamente nestes lugares que Estado Islâmico atua na Europa. Brian tem cidadania belga, fala muito bem português, e já viajou por muitas vezes para o país de origem da mãe. “Um dia ele foi. Um dia eu fui no quarto dele e ele já não estava mais lá. Ele só se despediu da minha filha mais nova. Deu um beijo no rosto dela e falou que essa era a última vez que ela ia ver ele”, ela conta.


 


A família confirmou que uma grande decepção levou Brian a uma forte depressão. Ele queria ser jogador de futebol, e aos 17 anos foi dispensado. Depois disto, o jovem de Antuérpia ficou cada vez mais distante e diferente. A brasileira conta que depois desta desilusão,  ele encontrou apoio em um grupo de jovens muçulmanos do bairro. “Esses rapazes aconselharam ele a procurar a força no Alá”, revelou.


 


Na mesquita que Brian frequentava, segundo a imprensa da Bélgica, ele encontrou extremistas de vários países: Afeganistão, Paquistão, Bangladesh. Em poucos meses, menos de dois anos, se tornou um deles. Rosana conta que nas mesquistas os jovens aprendem a pular, atirar, e também a suportar a falta de alimento, e a ganhar resistência. Eles fazem um total treinamento nos meninos”, ela explica. No fim de 2012, Brian foi para a Síria se juntar aos extremistas.


 


“Eu pedi ajuda à polícia, pedi assistência às pessoas, e ninguém quis me ajudar. E por conta própria, eu encontrei uma foto do meu filho e reconheci o meu filho. Ele estava com uma arma, com uma roupa de soldado. E desde aí já vai fazer dois anos que ele está na Síria. Nos últimos meses, eu não tenho mais notícias dele. Não sei se meu filho está vivo ou se ele está morto”, conta a mãe.


 


De acordo com a reportagem do Fantástico, o prefeito da Antuérpia, Bart de Wever, relatou que há recrutadores nas ruas do país em busca de jovens como Brian. Na região entre a Síria e o Iraque, o grupo extremista  se autoproclamou uma comunidade muçulmana radical, conhecida como o Estado Islâmico, que mantém reféns estrangeiros e tendo decaptado vários deles. Estima-se que mais de 2 mil ocidentais se juntaram ao grupo e 300 saíram da Bélgica.


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Brian se despediu da irmã falando que ela jamais o veria (Foto: Reprodução/TV Globo)


 


Em um vídeo atribuído ao Estado Islâmico  exuste uma ameaça de explodir um monumento na capital da Bélgica. Um ataque na região destruiria possíveis símbolos do país e provocaria centenas de vítimas, alertam as autoridades. A voz de Brain foi identificada neste vídeo que começa com imagens dos extremistas. Em choque a mãe desabafou, “não tem nada a ver com a voz do meu filho. Não é meu filho. Eu tenho tanto medo que a qualquer minuto ter uma notícia que mataram o Brian, que o Brian está morto, que eu nunca mais vou poder ver meu filho.


 


A tática do Estado Islâmico é cooptar jovens ocidentais como seguidores para impor sua força ao mundo. A comunidade muçulmana em todos os continentes tem condenado as ações terroristas do grupo extremista.


 


Na segunda-feira (22) O grupo radical Estado Islâmico fez  mais um apelo a seus seguidores de todo mundo para que matem os cidadãos dos países que integram a coalizão antijihadista (considerados inimigos pelo grupo) liderada pelos Estados Unidos. Pela internet, um comunicado apresentou o seguinte texto "Se vocês podem matar um incrédulo americano ou europeu - especialmente os maliciosos e sujos franceses - ou um australiano ou canadense, ou qualquer outro cidadão dos países que entraram em uma coalizão contra o Estado Islâmico, então confiem em Alá e matem por qualquer meio", disse o porta-voz Abu Mohamed al-Adnani,  na mensagem divulgada em vários idiomas.


 


Por Cristiane Lebelem