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Escócia vive dia histórico com referendo sobre independência do Reino Unido

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A história será feita nesta quinta-feira. Os escoceses decidirão se o país permanece ou deixa o Reino Unido. Os colégios eleitorais da Escócia abriram suas portas às 6h locais para o histórico referendo sobre a independência, no qual ambos lados partem muito igualados, segundo as últimas pesquisas. Quase 4,3 milhões de escoceses maiores de 16 anos terão que decidir nas urnas se acham que a Escócia deveria ser um país independente do Reino Unido. Para isso, estes eleitores poderão depositar sua cédula nos colégios eleitorais até as 21h locais. (Foto: Lesley Martin/AFP/Getty Images)


 


Últimas pesquisas


Na pesquisa do jornal escocês The Scotsman, feita pelo Instituto ICM entre 12 e 16 de setembro, quando excluídos os eleitores indecisos (14%), 52% dos mil entrevistados são contra a independência e 48% a favor. Os resultados, quando comparados à última pesquisa, feita em agosto, mostram crescimento de 3% da campanha separatista. O jornal inglês The Telegraph apresentou levantamento do Instituto Opinium com os mesmos resultados: 52% contra e 48% a favor da independência, quando excluídos os indecisos (8%). No total, 1.150 pessoas foram entrevistadas. O cenário de equilíbrio se confirma na pesquisa feita entre 12 e 16 de setembro pelo Instituto Survation e divulgada pelo jornal Daily Mail. Nela, 52% dos mil entrevistados apoiam a continuidade da união, contra 48% que defendem a independência. Foram excluídos os 8% indecisos.


 


Entenda o referendo


O referendo foi acordado entre o governo escocês e o governo britânico em 2012, depois que o Partido Nacional Escocês, que lidera a campanha pela independência da nação, ganhou com assombrosa maioria as eleições parlamentares de 2011. Desde então, várias campanhas de ambos os lados foram lançadas sendo as principais a Yes Scotland, lançada em 25 de maio, a favor da independência, e a Better Together, anunciada em 25 de junho, contra a separação.


 


Os defensores da separação dizem não ver propósito na união com a Inglaterra, e que uma Escócia independente, com a abundância de petróleo de que dispõe, proveniente das reservas do Mar do Norte, poderia se tornar um dos países mais ricos do mundo. Depois da consulta à população, se a maioria decidir pela independência da Escócia, ela deve ser declarada em 24 de março de 2016. Antes disso, serão negociados com o governo britânico os termos da separação. A Escócia terá que buscar seu espaço no cenário internacional, junto à União Europeia e à Organização das Nações Unidas.


 


Na economia, há indícios de que grandes companhias, bancos e investidores ameacem deixar o país por conta da instabilidade do processo de separação. O governo escocês diz que quer manter a libra esterlina como moeda corrente, mas há resistência dos três principais partidos políticos do Reino Unido – Conservador, Trabalhista e Liberal Democrata. Outras opções seriam a adoção do euro, que demandaria uma longa negociação com Bruxelas, ou a criação de uma moeda própria, o que, segundo economistas, poderia ser muito oneroso.


 


Na política, a perda da Escócia a oito meses das eleições poderia gerar consequências graves para o primeiro-ministro britânico David Cameron. Cogita-se, inclusive, sua saída do poder. Há possibilidade de que o processo eleitoral, marcado para maio de 2015, seja cancelado. Além disso, o sucesso do pleito escocês poderia gerar novas demandas por separação. (Com Agência Brasil)