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É amanhã! Escoceses definem se o país permanece ou não no Reino Unido

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Mais de 4,2 milhões de pessoas participarão nesta quinta-feira do plebiscito da independência escocesa. De acordo com o Escritório Eleitoral do país, este é maior eleitorado registrado na Escócia para uma eleição. Em comunicado, o órgão público, que é responsável pela apuração dos votos entre os dias 18 a 19 de setembro, disse que o total de pessoas registradas deve ultrapassar os 4.285.323, das 789.024 que já votaram via correio.


 


Poderão participar os escoceses que forem maiores de 16 anos, incluindo cidadãos da União Europeia, da Commonwealth (comunidade de antigos territórios britânicos) e membros das Forças Armadas no exterior. A Escócia tem uma população de 5,2 milhões de pessoas, sendo Glasgow a cidade mais populosa com 592.820 habitantes, de acordo com dados oficiais divulgados em 2011. Em seguida está Edimburgo, com 486.120; Aberdeen, com 217.120; Dundee, com 144.290; Stirling, com 89.850 e Inverness, com 56.660.


 


Os colégios eleitorais do país estarão abertos até às 21h. A apuração começará logo depois do fechamento das urnas. Cada uma das 32 autoridades locais da Escócia realizará sua própria apuração, e em seguida, enviarão ao Escritório Eleitoral, que espera ter um resultado significativo no começo da sexta-feira.


 


Na votação, os eleitores terão que responder com uma "x" no espaço correspondente ao "sim" ou "não" para a pergunta: "A Escócia deveria ser um país independente?".


 


Entenda o referendo


O referendo foi acordado entre o governo escocês e o governo britânico em 2012, depois que o Partido Nacional Escocês, que lidera a campanha pela independência da nação, ganhou com assombrosa maioria as eleições parlamentares de 2011. Desde então, várias campanhas de ambos os lados foram lançadas sendo as principais a Yes Scotland, lançada em 25 de maio, a favor da independência, e a Better Together, anunciada em 25 de junho, contra a separação.


 


Os defensores da separação dizem não ver propósito na união com a Inglaterra, e que uma Escócia independente, com a abundância de petróleo de que dispõe, proveniente das reservas do Mar do Norte, poderia se tornar um dos países mais ricos do mundo. Depois da consulta à população, se a maioria decidir pela independência da Escócia, ela deve ser declarada em 24 de março de 2016. Antes disso, serão negociados com o governo britânico os termos da separação. A Escócia terá que buscar seu espaço no cenário internacional, junto à União Europeia e à Organização das Nações Unidas.


 


Na economia, há indícios de que grandes companhias, bancos e investidores ameacem deixar o país por conta da instabilidade do processo de separação. O governo escocês diz que quer manter a libra esterlina como moeda corrente, mas há resistência dos três principais partidos políticos do Reino Unido – Conservador, Trabalhista e Liberal Democrata. Outras opções seriam a adoção do euro, que demandaria uma longa negociação com Bruxelas, ou a criação de uma moeda própria, o que, segundo economistas, poderia ser muito oneroso.


 


Na política, a perda da Escócia a oito meses das eleições poderia gerar consequências graves para o primeiro-ministro britânico David Cameron. Cogita-se, inclusive, sua saída do poder. Há possibilidade de que o processo eleitoral, marcado para maio de 2015, seja cancelado. Além disso, o sucesso do pleito escocês poderia gerar novas demandas por separação. (Com Agência Brasil)