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O som da percussão que vem das raízes de Zumbi dos Palmares

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As raízes familiares na luta pela defesa de toda brasilidade levou o músico Adriano Góes da Silva, 37 anos, a deixar São Caetano do Sul cruzando o oceano Atlântico para apresentar o som que aprendeu desde criança na terra de Zumbi dos Palmares, seu tataravô. Aos 21 anos apresentou à Europa sua música, e desde então transitou pelo continente e pela África representando o Brasil por aqui.


 


Desde criança aprendeu a tocar vários instrumentos musicais, e foi o avó ensinou a gostar. Seus companheiros desde então são a bateria, a percussão e o microfone. Os sons brasileiro e jamaicano são a alma da música que produz, este apaixonado por Reggae, que é muito orgulhoso da família que possui e de toda trajetória dos descendentes de Zumbi dos Palmares, último líder dos escravos negros no Brasil em Palmares, que resistiam a submeter-se à Cora Portuguesa, e se rebelaram pela liberdade dos escravos no Brasil do século XVII.


 


Hoje ele está em Londres dando continuidade na cena musical da família que Zumbi criou. Com dois discos gravados em Portugal, já tocou em Angola – no palácio do presidente para mostrar MPB ao povo de lá. Também participou do Festival de Músicas do Mundo no Marrocos. Ao todo são 11 anos tocando na Península Ibérica. Bandoo Roots foi uma das bandas de reggae mais conhecidas de Portugal na última década, conquista da qual este brasileiro muito orgulha-se.


 


Londres foi o capítulo seguinte. Quando a crise chegou a Portugal, resolveu topar o desafio de tocar no Reino Unido e entrar no mundo do reggae pela língua inglesa. Começou do zero na terra da rainha. Veio sozinho para cá para aprender inglês, e esta foi a primeira batalha. Tocar na rua foi a maneira que experimentou de se fazer conhecer pelo público, e deu tão certo que até hoje tem plateia cativa no centro de Londres.


 


Com frase pronta para os desafios da vida, ele acorda todo dia dizendo “prefiro ficar amigo de vários leões diferentes por dia, do que matá-los”. Quem quiser conferir a boa música deste brasileiro pode buscar na internet pelo nome da banda Bandoo Roots, ou ainda dar um pulo no bar Made in Brazil, em Camden Town, todo domingo.


 


Qual é influência da história do Brasil e da África na sua música?


A minha raiz é na África e no Brasil. Eu sou muito místico. Muito ligado com a cena dos antepassados. Eu acredito que isso passa de geração em geração. Quero deixar isto para o futuro das próximas pessoasda minha família esta bandeira. Eu estou sempre ligado aso guetos negros. Principalmente, aqui em Londres que é uma cidade cosmopolita.


Você transmite para as pessoas os ideias de Zumbi dos Palmares?


Sim! Com todos os conhecimentos que eu tenho e com os preconceitos que eu já sofri. Sou um exemplo de consciência negra não só dentro do país como fora também. Quero passar sempre que todos são iguais. Apesar do sofrimento dos meus antepassados com escravidão  a gente ainda vê isso pelas ruas.


No seu trabalho você fala disto?


Eu sei que sou descendente dos palmares, e musicalmente, eu coloco a mensagem de paz para todos, independentemente, da cor, raça, da nacionalidade.


Como você apresenta a música brasileira na Europa?


Fora do Brasil dá pra perceber que a música brasileira é artística e comercial ao mesmo tempo. Mas só se descobre isto quando se sai do Brasil. Com certeza é um orgulho representar nosso país em muitos festivais ao longo dos anos.


Você vive em Brixton há muitos anos e se sente em casa, não é?


Sim, moro aqui há 4 anos. Um lugar que recebeu Bob Marley, Peter Tosh, Jacob Muller e outros grande nomes viveram ou vivem ainda em Brixton. É a região onde se encontra a maior comunidade caribenha e africana de Londres. Aqui é minha casa em Londres.


E Londres no futuro?


Continuar na cena musical, mostrando sempre as raízes do nosso Brasil.


 


Cristiane Lebelem