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Turismo

Roubadas de viagem: E ficamos sem combustível no meio do caminho

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Destinos_04

Era uma viagem tranquila, costa oeste da Austrália, três amigas juntas, 11 dias, e um carro verde, de cor tão forte que de longe já avisa que estava chegando. A distância de um posto de combustível era grande. A matemática foi quase perfeita, mas a sinalização não. Vínhamos da região de Perth e como o papo estava muito interessante, não prestamos  se havia alguma placa sinalizando para Shark Bay, de onde iríamos para Monkey Mia. Só nos demos conta quase duas horas depois. E aí o que fazer, então?


 


 


Opção 1 – andar muito mais e achar um posto.
Opção 2 – voltar até o último posto que tínhamos abastecido (muitos quilômetros atrás) e perder o que já havíamos feito além de algumas horas.
Opção 3 – Arriscar e contar com a sorte!


 


Escolhemos a terceira opção. Era uma estrada perfeita (o que sonhamos que a BR 101 possa ser um dia), não encontramos um buraco sequer, era bem sinalizada, iluminada mas estava muito escuro mesmo assim, e por incrível, que  possa parecer conseguimos conexão de internet, então, conseguíamos ver a localização do mapa movendo-se e uma certa civilização se aproximando. Só que o tal povoado estava mais para “o que é um ponto azul se mexendo no mapa” do que uma cidade propriamente dita.


 


Quando faltavam apenas 50km para acabar a gasolina a luz do painel acendeu, completar os 50km de estrada na Austrália seria como ir até padaria na esquina, ou seja,  não representa quase nada. Para se ter uma ideia somente a costa, de Margaret River até Exmouth tem quase mil quilômetros de extensão. E aos poucos a  a situação começou a ficar crítica, mas muito crítica e resolvemos entrar numa ruazinha que uma placa indicava um hotel.


 


O carro andou um pouco mais até que achamos uma entrada. Paramos alí e por lá ficamos, não deu conseguimos dar partida novamente e acredito que tenhamos gasto até a última gota de combustível. Depois daquelas horas de stress na escuridão, cada uma foi para um lado. Para nossa surpresa havia um camping logo alí, que não havíamos visto no mapa. Encontramos uma bomba de gasolina, mas trancada com cadeado, ou seja, tivemos que passar a noite no breu e esperar até o dia clarear para continuar viagem. Pelo menos não ficamos no acostamento. Frio, ar quente ligado, noite com a lua brilhando e acordando ao nascer do sol. Foi sofrido mas no fim deu tudo certo, porque afinal, no fim sempre dá.


 


E na Austrália, se você alugar um carro, não se esqueça de abastecer em todas as oportunidades que tiver, eu disse em TODAS! O país é enorme, as distâncias são muito longas e na costa oeste você só vê canguru, posto de gasolina que é bom, nada! Portanto, quem avisa amigo é.



Ana Beatriz Freccia
@anafreccia
www.omundoqueeuvi.com


*Ana Beatriz Freccia Rosa começou a sua volta ao mundo em 2004 quando veio morar em Londres. Direto do Reino Unido fez algumas viagens pela Europa e dois interessantes“mochilões” pelo Oriente Médio e parte da Ásia. Voltou para o Brasil, percorreu parte da América Latina e não conseguiu sossegar. Em 2010, partiu para mais uma aventura com passagem só de ida para o Sudeste Asiático e um período sabático na Austrália, onde viveu por dois anos e meio. Em abril de 2013, largou a casa de frente para o mar e voltou para a terra da Rainha, onde tudo começou. Hoje trabalha para um site que conecta pessoas que querem mudar de país e escreve suas histórias no blog “O mundo que eu vi”.