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Gastronomia

Quando comida e religião andam de mãos dadas...Halal

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O multiculturalismo de Londres é uma das maiores atrações desta cidade cosmopolita. A conhecida, por muitos, como a capital europeia, tem sido sempre uma grande receptora de imigrantes em busca de oportunidades, liberdade e diversão. É por isso que hoje os diferentes grupos étnicos convivem mutualmente, mas sem esquecer as raízes e crenças religiosas.


 


Mais da metade da população que reside atualmente em Londres são imigrantes, principalmente os muçulmanos. O percentual está em torno de 40% e a maior parte destas gerações nasceram aqui. Eles estão tão integrados nesta cidade que não é surpreendente encontrar restaurantes, não só pertencentes à sua cozinha, mas servindo nas mesmas condições que o fariam em seus países de origem. Quem nunca ouviu falar de comida halal?


 


Para aqueles de vem de fora pode soar estranho, já que não estão tão familiarizados com o jargão, uma vez que a imigração dos países árabes não é tão difundida como aqui. Mas basta pouco tempo em Londres para você ouvir falar da 'comida halal'.


 



 


O que é a comida halal?


O termo halal não se limitando apenas à gastronomia muçulmana, mas a todas as práticas escritas no Alcorão, embora comumente seja associado com alimentos 'permitidos' pela lei islâmica para os crentes de Alá. Assim, descobrimos que na extremidade oposta de práticas proibidas, conhecidas como haram, estão comer porco e consumir de álcool, entre outros.


 


A diferença entre carne considerada halal, e outras carnes, é a maneira que mata o animal. De acordo com as escrituras do Alcorão, o sacrifício deve ser realizado através de uma incisão na garganta com uma faca, para cortar a veia artéria carótida e jugular, sem atingir a coluna vertebral. Assim, se consegue a hemorragia do animal, tentando fazer com que ele sofra o mínimo possível, e obtenha uma melhor limpeza da carne.


 


Integração no Reino Unido


Alguns dos comércios onde se pode comprar comida importada do Oriente Médio estão abertos ao público desde 1965. É o caso do Shamra, especializado também em comida turca, grega e armena. Como este, há muitos que se dedicam à importação de produtos originários da Ásia e África, onde os muçulmanos podem encontrar não só carnes, mas outros ingredientes que não são fáceis de ver no mercado britânico.


 


No entanto, é cada vez mais comum ver as grandes cadeias de supermercados incorporando seções de alimentos halal, especialmente aqueles localizados nas imediações de bairros onde os muçulmanos estão presentes. Entre as marcas mais conhecidas estão o Marks and Spencer, Tesco, Morrisons e The Co-operative, onde se encontra, pelo menos, carneiro e frango. Também está se tornando moda ter em seu estoque peru, uma vez que em determinadas áreas estão em alta demanda, seguindo a tradição britânica de Ação de Graças, tradicional celebração americana e canadense. Até mesmo a Boots vende comida halal para bebês.


 


Se nos perguntarmos por que eles estão tão interessados ​​em vender esse tipo de carne, podemos responder com os dados que no Reino Unido vivem cerca de 2,7 milhões de muçulmanos, cujo poder de compra é em torno de £ 20 bilhões.


 


Como identificar um ‘restaurante halal’?


Os restaurantes típicos muçulmanos são facilmente identificados, seja pelo nome - que está traduzido para o árabe-, o menu, ou mesmo pela decoração típica de sua cultura. No menu você pode encontrar diversas variedades, como cuscuz, saladas, húmus, o pão pita, arroz branco, legumes... tudo para acompanhar os dois principais tipos de carne: frango e carneiro. É menos comum, mas você também pode encontrar a vitela.


 


Porque é que o porco um animal impuro no Islã?


Os costumes muçulmanos proibiram o uso do porco por considerar um animal impuro, por sua falta de higiene. Além disso, outros fatores também argumentam como sendo uma fonte de transmissão de triquinose, além de acharem uma carne gordurosa, tornando-o mais difícil de digerir. Mas a verdade é que os muçulmanos não têm uma explicação racional para esta proibição, que poderia vir do costume judaico.


 


Marta Baena
martabaena.wordpress.com