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Mudando de rumo e adoçando a vida em Londres

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Estar feliz e fazer o que gosta. Foi isso o que Isabel Amorim encontrou em Londres. A baiana de Feira de Santana abdicou do dia-a-dia brasileiro para morar na capital inglesa e encontrar a alegria. A economista, formada pela Universidade Estadual de Feira de Santana-BA, trabalhava para o governo no Brasil, mas não estava satisfeita. “Eu não trabalhava naquilo que eu gosto. Sou uma pessoa que gosta muito de criação. Aí eu resolvi sair do Brasil. Cansei das coisas lá”, conta.


 


E desembarcou no Reino Unido em agosto de 2007. Seis meses depois começou a trabalhar num escritório de advocacia. Até que um amigo fez aniversário e sua paixão por doces, que já existia desde criança, passou a fazer parte da rotina de trabalho. “Fiz morangos cobertos e dei de presente pra ele. Aí ele falou: “hum, Strawberry Dream”. Na hora eu pensei: esse vai ser o nome da minha empresa. Aí tudo começou”.


 


De lá pra cá, a empresa consome grande parte de sua vida. “Vim pra estudar, cheguei a pegar o First Certificate de Cambridge mas não deu pra continuar, porque tinha que investir no meu negócio”. A receita do sucesso tem um só nome: trabalho. Ela acorda diariamente às 4h47, nem um minuto a mais, nem um a menos. Passa oito horas na mesma empresa de advocacia onde começou a trabalhar há seis anos e segue para cuidar de sua doceria.


 


A falta de costume de pedir dinheiro e a independência fincanceira foram os incentivos. “Foi muito duro pra eu conseguir realizar isso, mas agora está melhor. Já está tudo mais organizado. E a Cristiane me ajudou pra caramba desde que ela chegou aqui em novembro de 2010”. A prima permaneceu por 20 anos na Itália, onde tinha duas pizzarias na cidade de Peruggia. “Ela tinha noção de comércio e de como organizar. Hoje em dia já dá pra eu preparar muita coisa antes. Me ajudou demais”.


 


Paixão de criança


“Quando criança eu sempre fiz doce. Meu pai morreu quando eu tinha quatro anos de idade, e minha mãe não tinha condição (de criar os filhos). Eu sempre procurei fazer alguma coisa pra ter meu dinheiro. Uma das que eu fiz quando adolescente era brigadeiro para vender na escola. Eu sempre fui muito ligada aos doces. Mas eu nunca tinha despertado que eu poderia fazer isso ser o meu comércio”.


 


Início com estudos


“Eu não tinha condição nem o conhecimento para fazer esses doces decorados. O único instrumento que eu tinha era a boa vontade e a internet. E trabalhava pra caramba. Mesmo assim eu comecei. Sabia que tinha que passar por isso porque depois ia ser mais fácil. Aí comecei estudando e fazendo pequenas caixinhas”.


 


Doces para um funeral


“Uma africana uma vez me pediu para fazer doces para um funeral. Eu estava acostumada a fazer comemoração, se bem que pra muitas pessoas a morte é a libertação. O espírito da pessoa morta está livre, então não é motivo de tristeza. Mas pra gente que é brasileiro, é um momento muito triste. Aí eu tive que mudar internamente. Eu sempre jogo a minha energia nequilo que eu vou fazer. Me preparo para tudo sair o mais próximo do que a pessoa está esperando. Aí o funeral me pegou de surpresa”.


 


Desanimada no Brasil


“Eu não gostava daquela vida que eu levava lá. As pessoas sempre fazendo as mesmas coisas. Não via progresso. E Salvador começou a ficar pequena também. Terminei um relacionamento de cinco anos antes de vir pra Londres. Ele morava de frente pra praia, e toda vez que eu chegava lá minhas amigas perguntavam quando eu ia casar. Eu dizia que elas estavam malucas, que meu futuro era do mar pra lá, em outro país.


 


A vida em Londres


“A forma de viver é diferente, as coisas são mais organizadas. A gente se sente mais confortável aqui. É completamente diferente, também em relação as oportunidades. Você pode crescer com trabalho. Eu sou a prova viva disso, que você pode modificar situações. Eu sempre acredito nisso. Que todo mundo tem um potencial e é capaz de mudar situações. A gente não pode é desistir, se acomodar e ficar fazendo o que não gosta. Foco, eu acredito muito no foco.


 


- Um lugar em Londres: South Kensington


- Uma pessoa especial: minha mãe


- Um desejo: convencer as pessoas que querer é poder


- Você não resiste: uma boa comida


- Uma qualidade: sou muito humana


- Um defeito: perfeccionista


- Uma viagem inesquecível: Veneza, Itália


- Você não suporta: mentira


- Um desafio superado: ser reconhecida pelo meu trabalho


 


Márcio Ceccarelli


editor@braziliannews.uk.com