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Fundador da Orquestra Popular do Cerrado, Goio Lima inicia projeto em Londres ao lado de Mario Bakuna

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Apresentar música brasileira de qualidade em Londres. Essa é a intenção dos músicos Goio Lima (à direita na imagem) e Mario Bakuna, do Gafieira de Bolso. A dupla se apresenta durante o mês de Agosto no restaurante e bar Just in Case, em Oval, com um tributo a um dos compositores mais importantes da música brasileira: Dorival Caymmi. No último dia 30 de abril foi comemorado o centenário de nascimento do artista, que compôs, entre outros clássicos, “O que é que a baiana tem”, sucesso mundial na voz de Carmen Miranda; “Maracangalha”, “Só Louco”, “Saudade da Bahia”, “Samba da minha Terra”, “Doralice”, “Marina”, “Modinha para Gabriela”, “Saudade de Itapuã” e “Rosa Morena”. (Foto: Patricia Castilho)


 


O repertório da dupla abrange aproximadamente 20 músicas, abordando as duas principais fases da carreira do baiano. “A primeira, talvez a mais conhecida, seja aquela que ele fala sobre as coisas da Bahia, em que ele canta a vida dos pescadores, a questão de Yemanjá, focado nas coisas e na gente da Bahia. Na fase posterior quando ele, já morando no Rio de Janeiro, passa a fazer a música urbana, em que ele descreve principalmente as pessoas, os amores, e a vida noturna do Rio de Janeiro. Isso acontece na década de 1950, época que ficou conhecida como os Anos Dourados. Inclusive ele foi uma grande influência para a Bossa Nova. A gente procura abordar essas duas fases dele”, afirma Goio.


 


“Como o Caymmi era um grande letrista também, a gente está apresentando 95% das músicas cantadas. O Mario canta a maioria delas, eu canto com ele algumas delas. Uma ou outra só que a gente está fazendo instrumental. A ideia é apresentar também a letra, tocar a canção brasileira, com a letra, a melodia e a harmonia. E os arranjos são originais, escritos dentro do estilo do Dorival Caymmi, respeitando a obra dele”, conclui.


 


Carreira e reconhecimento nacional


Saxofonista na noite de São Paulo por mais de 20 anos, Goio Lima começou sua carreira em Campinas, onde fez graduação e mestrado. Tocou no grupo Havana Brasil, que fundia a música latina com a brasileira. “Fazia muito João Donato, Dorival Caymmi e Tom Jobim em salsa”, conta. Sempre muito ligado à música brasileira, ele deixou o jazz de lado na juventude para se especializar em música brasileira.


 


Em 2009 começou a dar aulas na Universidade Federal de Uberlândia e montou a Orquestra Popular do Cerrado. “É como uma Big Band mas com uma formação mais voltada à música brasileira. Um quarteto de flautas, trompa, clarinete, e com essa orquestra eu consegui organizar grandes apresentações com convidados como João Donato, Paulo Jobim, Toninho Horta, Wagner Tiso, Ivan Lins e Paulo Jobim. Ali escrevi todos os arranjos, produzi e atuei como solista e acabei virando maestro por necessidade. É um projeto que eu quero trazer pra Londres”, garante.


 


Elogios ao companheiro de palco


“Mario Bakuna é um violonista formado pela Universidade Livre de Música (ULM) de São Paulo. Músico jovem de muito bom gosto, que respeita muito a tradição de Baden Powel, um dos grandes violonistas brasileiros, e ele é uma pessoa que também tem uma carreira como escritor e poeta. É uma pessoa muito inteligente e nós temos interesses comuns no que diz respeito à excelência na música e à busca pelo repertório de qualidade”.


 


O elogio é direto, e a história recente de montar projetos homenageando artistas brasileiros com a Orquestra Popular do Cerrado fez com que Goio sugerisse a Bakuna uma homenagem a Dorival Caymmi. “E tocar Caymmi é simplesmente uma delícia, porque as músicas dele são maravilhosas. Está sendo um prazer imenso fazer esse trabalho”.


 


Filha motiva vinda à Londres


Trabalhar com música em Londres não foi, no entanto, o principal motivo que trouxe o músico à capital inglesa. A filha Lígia mora com a mãe em terras britânicas há seis anos. “Como professor universitário e ainda num nível de mestrado imaginei a possibilidade de fazer um PHD no Kings College, mas as linhas de financiamento que eu encontrei eu teria que voltar para o Brasil daqui quatro anos. E como eu pretendo ficar em Londres pra sempre eu achei melhor adiar o PHD e estou aqui numa missão pra tentar resgatar o amor da minha filha e atuar como um pai, que é uma coisa muito importante. Foi o amor paternal que me trouxe pra cá”.


 


Música brasileira de qualidade


Estudioso da música popular brasileira, ele diz que a quantidade de ritmos faz do Brasil o país com a música popular mais rica do mundo. “Quando você começa a falar de música brasileira nós temos 200 ritmos. É uma enormidade. Ainda há muito o que ser conhecido. Eu mesmo tenho pesquisado há mais de 30 anos e sei que não conheço quase nada ainda”, conclui.


 


Márcio Ceccarelli
editor@braziliannews.uk.com